Dengue no Rio reflete a falência do modelo de gestão da saúde, diz presidente do CNS
Escrito por Imprensa, postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado em: Brasil de Fato
Por Marco Antônio Soalheiro
“Os gestores optam pelo modelo equivocado, que prioriza os hospitais, os medicamentos e o profissional médico, em detrimento da prevenção”, diz presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS)
A epidemia de dengue no Rio de Janeiro é atribuída pelo presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, a equívocos cometidos pelos gestores públicos do setor de saúde. “O que está acontecendo lá é um retrato fiel da falência de um modelo de atenção que os gestores insistem em por em prática no Sistema Único de Saúde (SUS). Os gestores optam pelo modelo equivocado, que prioriza os hospitais, os medicamentos e o profissional médico, em detrimento da prevenção”, afirmou na quarta-feira (26) Batista Júnior, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Segundo o diretor do CNS, o Rio de Janeiro carece de agentes comunitários de saúde fazendo trabalho de educação e formação, de obras de saneamento básico, de melhor estrutura em bairros periféricos e de estratégias eficazes de combate ao mosquito transmissor da doença.
Ele ressaltou que uma situação semelhante se repete em muitos lugares do Brasil. “Não se acaba a dengue com hospital e médico. Se consegue com prevenção, educação, informação e processo de convencimento, mas como não temos isso pelo país afora, com raríssimas exceções, as conseqüências ocorrem de forma dramática. E para agravar mais ainda, com um financiamento insuficiente para se adotar medidas que possam reverter o quadro”, afirmou.
Batista Júnior considera que parte dos problemas de gestão na saúde pública brasileira já começa na escolha dos ocupantes dos cargos mais importantes do setor. Segundo ele, seriam nomeadas pessoas sem preparação adequada para as funções.
“Os gestores, via de regra, são designados para as secretarias e serviços de saúde para atenderem a interesses de grupos e corporações organizadas, a interesses político partidários. Saúde não pode ser gerida desta forma e utilizada como moeda política. Tem que ser administrada com viés altamente técnico”.










