TAXA DE APROVAÇÃO DE HUGO CHÁVEZ, SUPERIOR A 66%, REAFIRMA OS LIMITES DO bombardeio midiático
Escrito por Imprensa, postado em 9 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Audiência de chávez sobe, veja no artigo a seguir. Katia
Publicado originalmente no: Vi o Mundo
Escrito por: Luiz Carlos Azenha
SÃO PAULO – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reconquistou o apoio político que tinha antes do referendo aprovatório em que sua proposta de reforma constitucional foi derrotada com cerca de 50% de votos contrários e 49% a favor, em dezembro de 2007.
Chávez foi reeleito em 2006 com mais de 62% dos votos. A grande abstenção no referendo foi atribuída a chavistas que desistiram de votar. Muitos discordavam da reeleição indefinida, vendida na Venezuela como “mandato perpétuo” para Chávez.
Agora, o Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD), cujas pesquisas quase sempre foram confirmadas pelos resultados eleitorais, mostra que 66,5% dos venezuelanos apóiam Chávez. A margem de erro é de 1% a 2,3%
A grande maioria dos venezuelanos – 76,7% – quer que o presidente continue buscando a libertação dos reféns sequestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). E 72,2% acham que a paz na Venezuela depende da paz na Colômbia.
Aqui é importante lembrar um dado frequentemente esquecido na cobertura indigente da mídia corporativa brasileira, que mistura má fé com ignorância: centenas de milhares de colombianos vivem refugiados na Venezuela. É como se uma guerra civil no Paraguai provocasse a entrada de milhares de refugiados no Brasil.
A segurança pública (69,5%) e o desabastecimento (38,8%) foram os principais problemas do país apontados pelos entrevistados na pesquisa do IVAD.
Uma das causas da falta de alimentos na Venezuela é o forte aumento da demanda. O consumo das classes mais baixas explodiu desde que o governo passou a investir parte da renda do petróleo em programas sociais. De outra parte, os projetos para desenvolver a agricultura local até agora não deram resultado significativo.
A entrada da Venezuela no Mercosul ainda depende da aprovação de dois países. O assunto deve ser considerado pelo Congresso do Paraguai logo depois das eleições do próximo 20 de abril. No Brasil, não há data para que o assunto seja votado. Tudo indica que vai ficar para depois das eleições municipais, já que este é um tema em que a oposição faz pose de durona, apesar dos empresários brasileiros serem majoritariamente a favor. Eles, empresários, estão de olho no mercado venezuelano.
A pesquisa do IVAD demonstra os claros limites dos bombardeios midiáticos. Nas circunstâncias, Chávez mantém altíssima taxa de aprovação. O presidente venezuelano sofre oposição dos principais grupos privados de informação da Venezuela, especialmente da rede Globovisión. Além disso, Chávez é alvo de críticas em toda a mídia internacional: da CNN em espanhol ao Washington Post, do El Pais ao New York Times, tudo devidamente repercutido internamente por jornais, emissoras de rádio e de TV da Venezuela.
Além de ter criado a Telesur, o governo Chávez controla sua própria agência de notícias, uma emissora de TV de alcance nacional e conta com o apoio de uma rede de canais comunitários. A maior empresa da Venezuela, a PDVSA, patrocina publicações e campanhas de apoio ao governo, algumas das quais fazem propaganda pessoal de Hugo Chávez.
Em minha singela opinião, os críticos de Chávez exageraram tanto que acabaram desacreditados, facilitando a tarefa do presidente venezuelano de atribuir todas as críticas que recebe – as justas e as injustas – àqueles que pretendem derrubá-lo.










