<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
		>
<channel>
	<title>Comentários sobre: Charge de Sábado do Frank</title>
	<atom:link href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 05 Oct 2010 14:58:47 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
	<item>
		<title>Por: Bruno</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/comment-page-1/#comment-1693</link>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2008 15:06:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=1626#comment-1693</guid>
		<description>Eduardo,
Eu não assino nenhum. Gosto muito do Valor, mas prefiro ficar sem o jornal.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eduardo,<br />
Eu não assino nenhum. Gosto muito do Valor, mas prefiro ficar sem o jornal.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Eduardo Alves</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/comment-page-1/#comment-1692</link>
		<dc:creator>Eduardo Alves</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 02:01:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=1626#comment-1692</guid>
		<description>Não sei se é o caso de &quot;cancelar a assinatura da Folha&quot;, até porquê, se cancelarmos a dela vamos assinar qual? Apesar de tudo, continua sendo o melhor jornal do país. Apesar de tudo...

Mas é de indignar mesmo.
Lamentável.

Abraços,
Eduardo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se é o caso de &#8220;cancelar a assinatura da Folha&#8221;, até porquê, se cancelarmos a dela vamos assinar qual? Apesar de tudo, continua sendo o melhor jornal do país. Apesar de tudo&#8230;</p>
<p>Mas é de indignar mesmo.<br />
Lamentável.</p>
<p>Abraços,<br />
Eduardo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Bruno</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/comment-page-1/#comment-1691</link>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 02:44:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=1626#comment-1691</guid>
		<description>Depois dessa, o desempregozero deveria aderir a campanha:
&quot;Cancelem a assinatura da Folha&quot;. Lá só tem colunista tucano-pefelista e conservador do ponto de vista economico.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Depois dessa, o desempregozero deveria aderir a campanha:<br />
&#8220;Cancelem a assinatura da Folha&#8221;. Lá só tem colunista tucano-pefelista e conservador do ponto de vista economico.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Bruno</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/comment-page-1/#comment-1690</link>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 02:42:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=1626#comment-1690</guid>
		<description>Publiquem isso. E muito importante. É do blog
http://edu.guim.blog.uol.com.br/</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Publiquem isso. E muito importante. É do blog<br />
<a href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/" rel="nofollow">http://edu.guim.blog.uol.com.br/</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Bruno</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/charge-de-sabado-do-frank/comment-page-1/#comment-1689</link>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 02:41:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=1626#comment-1689</guid>
		<description>A gota d&#039;água



Escrevo no momento em que acabo de ser surpreendido pela notícia indigesta, divulgada no blog de Luis Nassif, de que o ombudsman da Folha de São Paulo, Mario Magalhães, deixou o cargo porque não aceitou parar de publicar sua &quot;crítica interna&quot; diária na internet. Pelo que pude entender, o jornal deveria estar pretendendo que o jornalista só se manifestasse na coluna do ombudsman na edição impressa de domingo.

Venho acompanhando o trabalho dos ombudsmans da Folha desde 1998. Li, creio, uns 80% das críticas diárias dos quatro últimos ombudsmans da Folha, Renata Lo Prete, Bernardo Ajzemberg, Marcelo Beraba e Mário Magalhães. Com exceção de Lo Prete, que hoje assina a coluna Painel, nenhum dos outros ombudsmans, com a óbvia exceção de Magalhães, escreveram mais na Folha.

Isso se explica porque Ajzemberg, Beraba e Magalhães, à diferença de Lo Prete, que se &quot;comportou bem&quot; e foi mantida, os outros três foram críticos duros do jornal. E um dos pontos em que todos eles bateram reiteradamente, durante seus mandatos, foi na diferença com que a Folha sempre tratou petistas e tucanos. Estando o PT na oposição ou no governo ou o PSDB na oposição ou no governo, ambos recebiam o mesmo tratamento diametralmente diferente do jornal em relação a cada um, no dizer desses três jornalistas: mão pesada contra petistas e mão leve (com trocadilho) para os tucanos.

Quero testemunhar, no entanto, que nunca, jamais algum dos ombudsmans da Folha, além de Magalhães, teve a coragem que ele teve de escrever aquela coluna que publiquei aqui no dia 31 de março e que ainda pode ser encontrada nesta página, intitulada &quot;Um dossiê e muitas incertezas&quot;. Aquela Foi a gota d&#039;água de um trabalho íntegro, irremediavelmente independente, cirurgicamente preciso, impassivelmente sereno e equilibrado desse jornalista com jota maiúsculo que desponta nesta época de tanta escassez desse tipo de jornalista.

Magalhães escreveu, por exemplo, um dos mais importantes textos jornalísticos que juntei à representação do Movimento dos Sem Mídia entregue ao Ministério Público Federal em 17 de março passado, que pede que meios de comunicação, dentre eles a Folha, sejam responsabilizados por promoverem alarma social na questão da febre amarela.

No texto do agora ex-ombudsman da Folha, para que se tenha uma idéia ele chega a comentar, depois de cobrar a conduta alarmista da redação do jornal, que não lhe foi explicado por ela a diferença entre a cobertura serena que o veículo produziu em 2000, quando José Serra era ministro da Saúde e morreram 85 pessoas de febre amarela, e a cobertura histérica deste ano, quando o número de mortes está sendo muito menor.

Magalhães ousou demais. Fez o que nunca outro ombudsman da Folha fez. E o jornal, ao fazer o que fez com ele, desmoralizou o cargo de ombudsman do qual sempre se gabou de ter criado, comunicando aos seus leitores que aquele cargo não é para valer. &quot;Excesso&quot; de transparência e de independência nas críticas, não. Muito democrático. É a cara do PIG. Opaco, autocrático, truculento. E covarde.

*

Leiam, abaixo, a última crítica interna do ombudsman, publicada no dia 3 de abril, no dia seguinte à já antológica coluna &quot;Um dossiê e muitas incertezas&quot;. Considerem essa minha homenagem a esse grande jornalista que acaba de despontar no cenário nacional e que alentou minha fé nesse tão nobre ofício que é o jornalismo, que eu só abraçaria se fosse para exercê-lo como faz Mário Magalhães.


03/04/2008
&quot;Risco de cair&quot;
MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Título da Folha na sexta feira passada (alto da pág. A7, edição São Paulo): &quot;Para governo, caso é grave e exige resposta rápida da ministra&quot;.

Abertura: &quot;A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair. Segundo apurou a Folha, essa resposta seria a demissão dos servidores da Casa Civil que elaboraram um dossiê sobre gastos secretos do governo Fernando Henrique Cardoso&quot;. Mais: &quot;Um ministro de Lula classificou a informação [sobre o &#039;documento vazado para a imprensa&#039;] de gravíssima&quot;.

Ou a ministra é forte demais e dá de ombros à &quot;cúpula do governo&quot;, ou a história, integralmente baseada em fontes não nomeadas, parece não estar bem amarrada. Mais que isso, sugere que adversários de Dilma no governo aproveitaram o anonimato para alvejá-la.

Manchete do &quot;Estado&quot; no domingo: &quot;Planalto vai tirar Dilma da vitrine eleitoral&quot;.

É outra informação que, pelo menos até agora, não se confirmou, pelo contrário.

Os dois episódios exemplificam os riscos da cobertura das crises e intrigas brasilienses.

Hoje a Folha cometeu, creio, um erro ao omitir na primeira página o confronto de ontem no Congresso. O senador Álvaro Dias admitiu ter visto o dossiê antes de sua divulgação. Dar destaque ao fato não implica tomar partido no noticiário, mas reconhecer a importância da declaração.

O &quot;Estado&quot; titulou na parte superior da capa: &quot;Governistas acusam tucano de vazar dossiê dos cartões&quot;.

O senador afirmou ontem: &quot;Na segunda, logo após a circulação da revista &#039;Veja&#039; no domingo, desta tribuna afirmei ter visto o dossiê&quot;.

Hoje o título (de sentido dúbio) da Folha é &quot;Aliados pressionam tucano que admitiu ter visto dossiê&quot; (alto da pág. A6).

Se Dias conta a verdade, por que a Folha --e o conjunto ou parcela significativa do jornalismo-- não publicou a declaração do senador assim que ele a fez? Por que só agora?

O senador tem razão: ele está protegido por garantia constitucional de não revelar a fonte que lhe permitiu acesso ao dossiê. Essa prerrogativa deve ser defendida pela democracia. Ela assegurou revelações importantes, oriundas de parlamentares, que os cidadãos conheceram por meio do jornalismo.

Dúvida: Dias avisou FHC sobre o dossiê? Se não avisou, como houve chantagem? Quem foi chantageado?

Seis dias atrás, a Folha manchetou: &quot;Braço direito de Dilma montou dossiê&quot;.

O relato continua a carecer de comprovação, e o jornal o flexibiliza. Hoje diz que a assessora &quot;deu ordem para a compilação de dados&quot;. Ou que ela &quot;assumiu a ordem para a confecção de um &#039;banco de dados&#039;&quot;. O &quot;furo&quot; da sexta virou, também, a &quot;ordem para elaborar o banco de dados&quot;.

O banco de dados não é o dossiê. O dossiê de 13 páginas foi elaborado a partir de informações do banco de dados. Pelo menos é o que eu entendi da cobertura.

O quadro &quot;Perguntas e respostas&quot; (pág. A6) confunde, em uma passagem: &quot;A Folha chama o arquivo de dossiê&quot;. Até aqui, a rigor, o jornal chamou o relatório de 13 páginas de &quot;dossiê&quot;, e não o &quot;arquivo paralelo ao sistema oficial de controle de gastos&quot;.

O jornal já afirmou que a Casa Civil assumira a autoria do dossiê (considero como dossiê o relatório de 13 páginas). Na edição de sábado, entretanto, Dilma disse o contrário: sua pasta reconhecia a produção da &quot;base de dados&quot;, da qual foram retiradas as informações que constam do dossiê.

Quem contradiz a ministra, hoje, é o seu chefe. Lula afirmou que alguém &quot;roubou peças de um documento de um banco de dados&quot;. Ou: &quot;Nunca saberemos quem foi que pegou o documento de um banco de dados e vendeu como se fosse dossiê&quot;.

Segundo Lula, as 13 páginas são um documento do &quot;banco de dados&quot;. A ministra dissera que as 13 páginas não foram elaboradas por sua equipe, mas confeccionadas por alguém de identidade ignorada a partir de informações classificadas na Casa Civil.

Na sexta, a Folha informou que teve acesso ao dossiê e publicou trecho dele em fac-símile. Por que não permitiu que os leitores conhecessem, pelo menos na internet, a íntegra do documento, para tirarem suas próprias conclusões? O blog do Noblat faz isso agora. Ainda é tempo de o jornal fazer.

O noticiário de hoje reforça a impressão de que governo e oposição se empenham no desgaste mútuo, mas nenhum está, realmente, disposto a investigar os gastos palacianos das gestões atual e passada. Se Álvaro Dias conheceu e repassou? um documento que considerava manipulação de informações sigilosas por funcionário público para fim de divulgação e chantagem, por que não denunciou o fato à Polícia Federal e pediu abertura de inquérito?

O mesmo vale para o governo, que qualificou como criminoso o vazamento de informações da Casa Civil protegidas por sigilo. Por que o Planalto não pediu inquérito à PF? Em vez disso, o Ministério da Justiça se moveu em sentido contrário, para abafar o caso.

Mantêm-se muitas dúvidas. Sobre quem, a partir da dita &quot;base de dados&quot;, montou o relatório de 13 páginas. Quem vazou o dossiê para fora do Planalto. E quem fez uso dele --embora essa resposta tenha começado a ser delineada ontem.

Outra incerteza permanece: o dossiê é incapaz de causar dano a FHC; como instrumento de chantagem, é inexpressivo (a não ser, repito, que sinalize o conhecimento sobre outras despesas, cabeludas); ele faz mal, mais que ao governo, a Dilma Rousseff; por que a ministra o patrocinaria?

É bom que o jornal, mesmo com o silêncio da primeira página, tenha recuado na cobertura de tom unilateral.

Como se vê nas páginas da Folha, há mais perguntas que respostas no caso do dossiê.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A gota d&#8217;água</p>
<p>Escrevo no momento em que acabo de ser surpreendido pela notícia indigesta, divulgada no blog de Luis Nassif, de que o ombudsman da Folha de São Paulo, Mario Magalhães, deixou o cargo porque não aceitou parar de publicar sua &#8220;crítica interna&#8221; diária na internet. Pelo que pude entender, o jornal deveria estar pretendendo que o jornalista só se manifestasse na coluna do ombudsman na edição impressa de domingo.</p>
<p>Venho acompanhando o trabalho dos ombudsmans da Folha desde 1998. Li, creio, uns 80% das críticas diárias dos quatro últimos ombudsmans da Folha, Renata Lo Prete, Bernardo Ajzemberg, Marcelo Beraba e Mário Magalhães. Com exceção de Lo Prete, que hoje assina a coluna Painel, nenhum dos outros ombudsmans, com a óbvia exceção de Magalhães, escreveram mais na Folha.</p>
<p>Isso se explica porque Ajzemberg, Beraba e Magalhães, à diferença de Lo Prete, que se &#8220;comportou bem&#8221; e foi mantida, os outros três foram críticos duros do jornal. E um dos pontos em que todos eles bateram reiteradamente, durante seus mandatos, foi na diferença com que a Folha sempre tratou petistas e tucanos. Estando o PT na oposição ou no governo ou o PSDB na oposição ou no governo, ambos recebiam o mesmo tratamento diametralmente diferente do jornal em relação a cada um, no dizer desses três jornalistas: mão pesada contra petistas e mão leve (com trocadilho) para os tucanos.</p>
<p>Quero testemunhar, no entanto, que nunca, jamais algum dos ombudsmans da Folha, além de Magalhães, teve a coragem que ele teve de escrever aquela coluna que publiquei aqui no dia 31 de março e que ainda pode ser encontrada nesta página, intitulada &#8220;Um dossiê e muitas incertezas&#8221;. Aquela Foi a gota d&#8217;água de um trabalho íntegro, irremediavelmente independente, cirurgicamente preciso, impassivelmente sereno e equilibrado desse jornalista com jota maiúsculo que desponta nesta época de tanta escassez desse tipo de jornalista.</p>
<p>Magalhães escreveu, por exemplo, um dos mais importantes textos jornalísticos que juntei à representação do Movimento dos Sem Mídia entregue ao Ministério Público Federal em 17 de março passado, que pede que meios de comunicação, dentre eles a Folha, sejam responsabilizados por promoverem alarma social na questão da febre amarela.</p>
<p>No texto do agora ex-ombudsman da Folha, para que se tenha uma idéia ele chega a comentar, depois de cobrar a conduta alarmista da redação do jornal, que não lhe foi explicado por ela a diferença entre a cobertura serena que o veículo produziu em 2000, quando José Serra era ministro da Saúde e morreram 85 pessoas de febre amarela, e a cobertura histérica deste ano, quando o número de mortes está sendo muito menor.</p>
<p>Magalhães ousou demais. Fez o que nunca outro ombudsman da Folha fez. E o jornal, ao fazer o que fez com ele, desmoralizou o cargo de ombudsman do qual sempre se gabou de ter criado, comunicando aos seus leitores que aquele cargo não é para valer. &#8220;Excesso&#8221; de transparência e de independência nas críticas, não. Muito democrático. É a cara do PIG. Opaco, autocrático, truculento. E covarde.</p>
<p>*</p>
<p>Leiam, abaixo, a última crítica interna do ombudsman, publicada no dia 3 de abril, no dia seguinte à já antológica coluna &#8220;Um dossiê e muitas incertezas&#8221;. Considerem essa minha homenagem a esse grande jornalista que acaba de despontar no cenário nacional e que alentou minha fé nesse tão nobre ofício que é o jornalismo, que eu só abraçaria se fosse para exercê-lo como faz Mário Magalhães.</p>
<p>03/04/2008<br />
&#8220;Risco de cair&#8221;<br />
MÁRIO MAGALHÃES<br />
<a href="mailto:ombudsman@uol.com.br">ombudsman@uol.com.br</a></p>
<p>Título da Folha na sexta feira passada (alto da pág. A7, edição São Paulo): &#8220;Para governo, caso é grave e exige resposta rápida da ministra&#8221;.</p>
<p>Abertura: &#8220;A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair. Segundo apurou a Folha, essa resposta seria a demissão dos servidores da Casa Civil que elaboraram um dossiê sobre gastos secretos do governo Fernando Henrique Cardoso&#8221;. Mais: &#8220;Um ministro de Lula classificou a informação [sobre o 'documento vazado para a imprensa'] de gravíssima&#8221;.</p>
<p>Ou a ministra é forte demais e dá de ombros à &#8220;cúpula do governo&#8221;, ou a história, integralmente baseada em fontes não nomeadas, parece não estar bem amarrada. Mais que isso, sugere que adversários de Dilma no governo aproveitaram o anonimato para alvejá-la.</p>
<p>Manchete do &#8220;Estado&#8221; no domingo: &#8220;Planalto vai tirar Dilma da vitrine eleitoral&#8221;.</p>
<p>É outra informação que, pelo menos até agora, não se confirmou, pelo contrário.</p>
<p>Os dois episódios exemplificam os riscos da cobertura das crises e intrigas brasilienses.</p>
<p>Hoje a Folha cometeu, creio, um erro ao omitir na primeira página o confronto de ontem no Congresso. O senador Álvaro Dias admitiu ter visto o dossiê antes de sua divulgação. Dar destaque ao fato não implica tomar partido no noticiário, mas reconhecer a importância da declaração.</p>
<p>O &#8220;Estado&#8221; titulou na parte superior da capa: &#8220;Governistas acusam tucano de vazar dossiê dos cartões&#8221;.</p>
<p>O senador afirmou ontem: &#8220;Na segunda, logo após a circulação da revista &#8216;Veja&#8217; no domingo, desta tribuna afirmei ter visto o dossiê&#8221;.</p>
<p>Hoje o título (de sentido dúbio) da Folha é &#8220;Aliados pressionam tucano que admitiu ter visto dossiê&#8221; (alto da pág. A6).</p>
<p>Se Dias conta a verdade, por que a Folha &#8211;e o conjunto ou parcela significativa do jornalismo&#8211; não publicou a declaração do senador assim que ele a fez? Por que só agora?</p>
<p>O senador tem razão: ele está protegido por garantia constitucional de não revelar a fonte que lhe permitiu acesso ao dossiê. Essa prerrogativa deve ser defendida pela democracia. Ela assegurou revelações importantes, oriundas de parlamentares, que os cidadãos conheceram por meio do jornalismo.</p>
<p>Dúvida: Dias avisou FHC sobre o dossiê? Se não avisou, como houve chantagem? Quem foi chantageado?</p>
<p>Seis dias atrás, a Folha manchetou: &#8220;Braço direito de Dilma montou dossiê&#8221;.</p>
<p>O relato continua a carecer de comprovação, e o jornal o flexibiliza. Hoje diz que a assessora &#8220;deu ordem para a compilação de dados&#8221;. Ou que ela &#8220;assumiu a ordem para a confecção de um &#8216;banco de dados&#8217;&#8221;. O &#8220;furo&#8221; da sexta virou, também, a &#8220;ordem para elaborar o banco de dados&#8221;.</p>
<p>O banco de dados não é o dossiê. O dossiê de 13 páginas foi elaborado a partir de informações do banco de dados. Pelo menos é o que eu entendi da cobertura.</p>
<p>O quadro &#8220;Perguntas e respostas&#8221; (pág. A6) confunde, em uma passagem: &#8220;A Folha chama o arquivo de dossiê&#8221;. Até aqui, a rigor, o jornal chamou o relatório de 13 páginas de &#8220;dossiê&#8221;, e não o &#8220;arquivo paralelo ao sistema oficial de controle de gastos&#8221;.</p>
<p>O jornal já afirmou que a Casa Civil assumira a autoria do dossiê (considero como dossiê o relatório de 13 páginas). Na edição de sábado, entretanto, Dilma disse o contrário: sua pasta reconhecia a produção da &#8220;base de dados&#8221;, da qual foram retiradas as informações que constam do dossiê.</p>
<p>Quem contradiz a ministra, hoje, é o seu chefe. Lula afirmou que alguém &#8220;roubou peças de um documento de um banco de dados&#8221;. Ou: &#8220;Nunca saberemos quem foi que pegou o documento de um banco de dados e vendeu como se fosse dossiê&#8221;.</p>
<p>Segundo Lula, as 13 páginas são um documento do &#8220;banco de dados&#8221;. A ministra dissera que as 13 páginas não foram elaboradas por sua equipe, mas confeccionadas por alguém de identidade ignorada a partir de informações classificadas na Casa Civil.</p>
<p>Na sexta, a Folha informou que teve acesso ao dossiê e publicou trecho dele em fac-símile. Por que não permitiu que os leitores conhecessem, pelo menos na internet, a íntegra do documento, para tirarem suas próprias conclusões? O blog do Noblat faz isso agora. Ainda é tempo de o jornal fazer.</p>
<p>O noticiário de hoje reforça a impressão de que governo e oposição se empenham no desgaste mútuo, mas nenhum está, realmente, disposto a investigar os gastos palacianos das gestões atual e passada. Se Álvaro Dias conheceu e repassou? um documento que considerava manipulação de informações sigilosas por funcionário público para fim de divulgação e chantagem, por que não denunciou o fato à Polícia Federal e pediu abertura de inquérito?</p>
<p>O mesmo vale para o governo, que qualificou como criminoso o vazamento de informações da Casa Civil protegidas por sigilo. Por que o Planalto não pediu inquérito à PF? Em vez disso, o Ministério da Justiça se moveu em sentido contrário, para abafar o caso.</p>
<p>Mantêm-se muitas dúvidas. Sobre quem, a partir da dita &#8220;base de dados&#8221;, montou o relatório de 13 páginas. Quem vazou o dossiê para fora do Planalto. E quem fez uso dele &#8211;embora essa resposta tenha começado a ser delineada ontem.</p>
<p>Outra incerteza permanece: o dossiê é incapaz de causar dano a FHC; como instrumento de chantagem, é inexpressivo (a não ser, repito, que sinalize o conhecimento sobre outras despesas, cabeludas); ele faz mal, mais que ao governo, a Dilma Rousseff; por que a ministra o patrocinaria?</p>
<p>É bom que o jornal, mesmo com o silêncio da primeira página, tenha recuado na cobertura de tom unilateral.</p>
<p>Como se vê nas páginas da Folha, há mais perguntas que respostas no caso do dossiê.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
</rss>
