Biagi: Sucesso do Etanol Provoca Gritaria
Escrito por Imprensa, postado em 24 dEurope/London abril dEurope/London 2008
“Brasil consegue substituir 50% do consumo de gasolina com 1% das terras agricultáveis.”
*Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Conversa Afiada
Por: Paulo Henrique Amorim
Acabei de conversar com Maurílio Biagi, presidente do Conselho da Usina Moema e do Conselho da Única, entidade que reúne os produtores de cana e álcool sobre a acusação de que o etanol brasileiro é responsável pelo aumento do preço dos alimentos no resto do mundo:
Disse Biagi: Essa gritaria é a consagração do modelo brasileiro. Eles não engolem o Brasil conseguir substituir 50% do consumo de gasolina com 1% das terras agriculturáveis.
Então, de quem é a culpa pelo aumento do preço dos alimentos ?
Disse Biagi: O maior responsável é o subsídio à agricultura dos países ricos.
O etanol americano, que usa o milho, também não tem culpa ?
Disse Biagi: Também, mas, há dois anos visitei uma usina na França que produzia etanol a partir de trigo. Trigo ! O engraçado é que eles queimam milho e trigo para fazer etanol e não taxam o petróleo.
Mas é verdade que vocês vão destruir a Amazônia para produzir etanol ?
Disse Biagi: Eu bem que tentei. Nos anos 70, o Governo brasileiro tentou consolidar a ocupação da Amazônia. E eu fui convidado para instalar a usina Abraham Lincoln, no quilômetro 46 da Transamazônica. A usina está lá abandonada, porque a Amazônia não presta para produzir cana. Na Amazônia, chove e faz calor, mas não tem o friozinho que dá a sacarose. Outro dia, na Holanda, me perguntaram a mesma coisa e eu respondi o seguinte: vocês saíram daqui duas vezes para conquistar o Brasil e produzir cana. A distância da Amazônia para São Paulo é menor que a distância da Holanda ao Brasil. Você acha que se desse para produzir cana na Amazônia nós já não teríamos feito isso?
Leia o que disse o ex-Ministro da Indústria e Comércio, João Camilo Penna, disse sobre o etanol:
João Camilo Penna – O álcool hoje está abaixo de ataque serrado, mas aqui no Brasil e no Paraguai ele nunca competirá com alimentos. Tem terra de sobra, não há nenhuma competição do álcool com alimentos.
Paulo Henrique Amorim – O senhor participou dos primeiros passos do Pró-Álcool e o senhor sabe disso melhor do que ninguém…
João Camilo Penna – É, modéstia a parte, eu fui um grande participante, um grande ator, digamos. E o Pró-Álcool emplacou violentamente. Eu fui um ator muito participante no assunto.
Paulo Henrique Amorim – É verdade. O Pró-Álcool deve muito ao senhor.
João Camilo Penna – Estou convencido de que é um grande programa e que esse ataque que está havendo agora fortemente ao etanol e ao álcool é nos Estados Unidos, porque lá eles produzem o álcool do milho e aí sim compete com os alimentos. E é um álcool que custa muito mais caro que o álcool de cana. Tem todos os inconvenientes em relação ao álcool de cana. O que os Estados Unidos faria dentro desse ataque agora, ao meu ver, era reduzir a tarifa de importação de álcool brasileiro. Chegaria lá muito mais barato do que o que eles produzem, o álcool de milho.
Paulo Henrique Amorim – O Brasil não deixou de plantar um pé de couve por causa de etanol.
João Camilo Penna – Exatamente. Não deixou de plantar um pé de couve. E ele está crescendo agora em pastagens degradadas, que são liberadas pelo confinamento de gado. Então não está prejudicando em nada a produção de alimentos e é muito mais barato que o álcool de milho. Se os Estados Unidos fossem inteligentes, eles importariam álcool do Brasil e financiaria a produção de álcool na África, para comprar da África.
Clique aqui para ler a íntegra da entrevista com João Camilo Penna.










