Assessor de Lula manda Maia “cuidar de seus mosquitos”
Escrito por Imprensa, postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado Originalmente na Folha Online
Por RENATA GIRALDI
O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, criticou hoje o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), que insinuou que fotos dele estariam no computador do porta-voz das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, morto no mês passado por militares da Colômbia em território equatoriano. Em mensagem enviada por e-mail, Maia diz que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teria afirmado que uma foto de Garcia num acampamento das Farc estaria no computador de Reyes.
“Cesar Maia que cuide dos mosquitos dele. E não me obrigue a falar dele como meu aluno na faculdade de economia no Chile”, disse Garcia numa referência à epidemia de dengue.
Questionado se a declaração de Maia era irresponsável, Garcia respondeu: “Ele é irresponsável em tudo”. “O que ele tem de fazer é governar o Rio.”
Garcia negou que tenha estado num acampamento das Farc. “Não estive em acampamento nem em escritório das Farc. Se estivesse, não teria problema em dizer por que estaria em missão especial. Eu não tenho missões extra-oficias. Não tenho vida clandestina.”
Epidemia
Sindicato reclama que agentes comunitários estão contraindo dengue porque não estão recebendo repelente
Luisa Valle – O Globo Online e Mariana Costa – CBN
RIO – A crise da dengue na cidade não poupa nem mesmo agentes de combate aos focos do mosquito. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Combate as Endemias no Estado do Rio de Janeiro (Sint-Saúde), até a terça-feira pelo menos 37 casos de dengue já haviam sido registrados entre os agentes comunitários, os chamados mata-mosquitos, que trabalham no Rio. O principal motivo para o problema, de acordo com o sindicato, é que os agentes não estariam recebendo itens de proteção individual, como o repelente.
(Sociedade de Pediatria diz que estado tem sete mil pediatras e problema não é quantitativo).
- Nós estamos na mão do mosquito da dengue. Além do repelente, a gente também não recebe da Prefeitura do Rio filtro solar, já que a gente trabalha praticamente oito horas por dia na rua, no sol – afirmou Marcos Almeida, diretor do sindicato, que ressaltou que essa é uma reivindicação que vem sendo feita há mais de cinco anos.
De acordo com reportagem da Rádio CBN, o prefeito Cesar Maia teria admitido por e-mail que os agentes não recebem filtro solar. O prefeito, no entanto, disse que os repelentes são distribuídos dependendo das condições do local. Segundo Cesar Maia, nos locais em que há água com larvas, o repelente pode não ser necessário. Ainda por email, o prefeito afirmou ainda que o sindicato que fez a denúncia não teria legitimidade para representar a categoria.
“Não sei de onde surgiu esse sindicato. Nunca ouvi falar nem recebi um pedido ou sugestão deles. Deve ser um desses sindicatos eleições 2008″, afirmou por email.
Na semana passada, os mata-mosquitos, que são subordinados à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), fizeramuma passeata no Centro do Rio para protestar contra a política da prefeitura de combate à dengue. De acordo com o secretário-geral do Sint-Saúde, Sandro Cezar, o Rio teria direito a contar com 3.200 profissionais filiados ao sindicato trabalhando atualmente na cidade. Isso só não aconteceu, segundo ele, porque a prefeitura não quis a colaboração dos mata-mosquitos no combate à dengue.
- Os agentes foram oferecidos pelo governo federal ao prefeito sem custo nenhum. O prefeito, no entanto, não quis aceitar ajuda por uma simples diversão política. E o resultado é o que hoje não temos essa epidemia de dengue – apontou Marcos Almeida.
Ainda por email, o prefeito afirmou que a Prefeitura usa funcionários concursados para fazer o trabalho como agentes comunitários. Cesar, no entanto, negou que tenha recusado a ajuda do governo federal.
Prefeitura anuncia nova medida de combate aos focos de dengue
Nesta quarta-feira, a prefeitura publicou no Diário Oficial um decreto que determina que comércios que foram flagrados com situações que facilitem a proliferação de focos da dengue serão notificados pela Defesa Civil e, se não resolverem o problema, poderão ter seus alvarás cassados.
De acordo com o decreto publicado pela prefeitura, aA Defesa Civil Municipal comunicará à Coordenação de Licenciamento e Fiscalização (CLF) os endereços dos estabelecimentos onde, por descuido ou negligência, existam condições favoráveis à criação do mosquito. Após a notificação pela CLF, os donos dos estabelecimentos terão 24 horas para tomar as providências. Se a notificação não for atendida no prazo, terá início automaticamente o processo de cassação do alvará.
A epidemia de dengue levou a rede pública de saúde no Rio entrar em colapso na terça-feira. Todas as 607 vagas de hospitais federais, estaduais e municipais reservadas para a vítimas do mosquito da dengue na Central de Regulação de Leitos estavam ocupadas. Também não havia mais lugar nos nove hospitais particulares contratados, inclusive fora do município, pelo governo do estado.
Na segunda-feira, a Secretaria municipal de Saúde confirmou mais 13 mortes por dengue no Rio, sendo cinco de crianças. Com isso, chega a pelo menos 67 o número de vítimas da dengue no estado desde janeiro, sendo 40 crianças. Só na capital, a dengue matou 44 pessoas. Relatório do Ministério da Saúde divulgado nesta segunda informa que a incidência de dengue no Brasil caiu 27% em 2008. Em números absolutos, o Rio de Janeiro ficou com 36% do total de 120.570 casos do país.










