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Blog do Desemprego Zero

Argentina, entre “piquetes da abundância” e os camponeses pobres

Escrito por Imprensa, postado em 5 dEurope/London abril dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Publicado em: Agência Brasil de Fato

Por Paula Sacchetta

Produtores rurais desencadeiam crise no país com protestos contra aumento de impostos na exportação definido pela presidente Cristina; “Crise ignora situação dos sem-terra”, avalia o Mocase, principal movimento camponês argentino

A Argentina está mergulhada há 15 dias em uma greve do setor agropecuário, com piquetes e bloqueios nas estradas de todo o país, que dificultam o abastecimento das grandes cidades. Já faltam ovos, laticínios e carne na capital Buenos Aires. O motivo do protesto é a decisão da presidente Cristina Kirchner em aumentar em até 45% os tributos cobrados pelas exportações de grãos – soja e girassol -, uma das principais fontes de dólares do país.

A reação dos latifundiários polarizou o país. O ministro da Economia, Martín Lousteau, afirmou que os protestos “foram montados por dirigentes que não estão ideologicamente de acordo com o governo”. O protesto agrário mobilizou sobretudo a classe média de Buenos Aires. Na terça-feira (25), moradores de bairros nobres da capital, como a Recoleta, participaram de um panelaço que foi o maior protesto contra um governo desde a crise econômica de 2001. Ao contrário do que diz a mídia argentina – e também a brasileira -, a manifestação não foi espontânea, mas sim convocada pelos produtores agropecuários e por meios de comunicação contrários à Cristina.

A oposição tenta pegar carona na crise para desgastar a imagem da presidente eleita em outubro, com 45,2% dos votos. Cristina, por sua vez, disse que “o país passou dos piquetes da miséria e da tragédia aos piquetes da abundância” e que “os prejudicados com a greve são os próprios argentinos”. O governo promete não negociar com os produtores enquanto não colocarem um fim à greve. Já as quatro principais entidades agrícolas do país também disseram que não vão ceder “na falta de uma resposta positiva do governo”, ou seja, a menos que o governo retire aumento do tributo.

Organizações populares

A crise tem dividido também os movimentos sociais argentinos. Os mais afinados com o governo anterior de Néstor Kircher, sucedido por sua esposa Cristina, saíram em defesa da presidente. Piqueteiros fizeram protestos em apoio ao aumento de impostos e tomaram a praça de Maio – tradicional palco das manifestações populares.

A Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) – principal organização sindical do país – e outras organizações divulgaram notas favoráveis ao aumento dos impostos como uma política de redistribuição de renda. No entanto, ressaltaram apoio aos pequenos e médios produtores – que pagarão os mesmos tributos que os mais ricos, independentemente de sua renda.

 No domingo (23), o sindicato dos caminhoneiros – uma das principais bases de apoio do governo – passou a exigir que as estradas, especialmente as de rotas para o Mercosul, fossem liberadas. Houve confronto com os produtores agrícolas.

Já outro setor dos movimentos sociais do campo e da cidade afirmam que, em meio à crise entre produtores rurais e governo, a questão agrária segue sendo ignorada. “No fundo, essa greve representa apenas, mais uma vez, a histórica defesa do monopólio absoluto de renda agrária por seu domínio total sobre as terras existentes na nação”, avaliam documentos divulgados pela Frente Popular Dario Santillan – articulação de organizações populares, entre piqueteiros e sindicatos – e o Movimiento Campesino de Santiago del Estero (Mocase). Segundo eles, produtores agrícolas, o governo e os meios de comunicação falam de “campo”, mas ignoram a situação dos camponeses pobres e dos sem-terra que, na verdade, estão fora dessa disputa (com agências internacionais).

 



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4 Respostas para “Argentina, entre “piquetes da abundância” e os camponeses pobres”

  1. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados(as)

    A situação na Argentina é muito complicada. Desde a crise de dezembro de 2001, quando o governo não mais conseguiu manter a paridade “um para um” do peso em relação ao dólar, o país enfrenta grandes dilemas.

    Segundo dados da CEPAL (2007), a Argentina cresceu acima dos 8% ao ano desde 2003. No entanto, em 2002, o PIB foi deprimido em 10,9%. O ciclo econômico global ajudou. Justiça se faça, desde 1999 o PIB estava em queda naquele país. A formação bruta de capital fixo, também conhecida como investimento na economia real, encontra-se em 20,5% do PIB. Abaixo, portanto, do piso dos 25% estimado por economistas sérios, como é o caso de Albert Fishlow, como necessário para o crescimento sustentado dos países emergentes.

    A taxa de precarização das relações de trabalho (desemprego mais informalidade) atingiu a marca dos 45,6%. Nada que a afaste do lastimável quadro socioeconômico latino-americano. O governo do presidente Kirchner não teve instrumentos para ir além do básico em termos de política econômica. A YPF, por exemplo, foi privatizada, assim como outras empresas.

    O Banco Central da Argentina vem sendo bem conduzido por Martín Redrado, um economista que estudou em Harvard e que tem equilibrado pressões. Redrado opera no sentido de manter o peso na relação de três para um dólar. Não há segredo nessa equação, trata-se somente de buscar manter uma relação cambial próxima ao desnível de produtividade do país em relação aos seus principais parceiros comerciais. Algo que o professor Ha-Joon Chang, de Cambridge, recomenda em ‘Chutando a escada’ (UNESP, 2004). Em termos de fomento da produção, o Banco de Investimento e Comércio Exterior (BICE) é um primo pobre do BNDES brasileiro. E quando se analisa a relação entre sistema financeiro e os tomadores de crédito, percebe-se que a oferta monetária (M3) é de apenas 22,9% do PIB. Relativamnte inferior ao que se passa no Brasil…

    Muitos analistas imputam a ausência de estruturas organizacionais argentinas como conseqüência do personalismo hispano-americano. Quando se lê os livros do historiador Túlio Halperín Donghi percebe-se que tal argumentação é procedente.

    Atenciosamente,

    Rodrigo L. Medeiros

  2. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Rodrigo,
    você está certíssimo! o Banco Central Argentino está tendo uma política muito inteligente em manter o peso cotado em torno de um terço do dólar. Ele sabe que a indústria argentina é pouco competitiva e, portanto, só assim pode manter os empregos crescendo mais de de 7% ao ano e os salários reais crescendo também aceleradamente.
    É um banco central que trabalha para o povo, os trabalhadores e a indústria argentinas.
    abraços

  3. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Caro Gustavo

    Conheço bem a história econômica da Argentina. Simon Kusnetz dizia na década de 1950 que só havia quatro tipos de países no mundo: (1) os desenvolvidos; (2) os subdesenvolvidos; (3) o Japão; e (4) a Argentina.

    Explicar porque um país é desenvolvido ou subdesenvolvido não é uma tarefa de Sísifo. Facilita muito a leitura da obra de Celso Furtado. Recomendo a republicação de ‘A economia latino-americana’ (Companhia das Letras, 2007). Já explicar como um país que possui apenas cerca de 3% de área agricultável, o Japão, se tornou uma potência econômica é mais complicado. Principalmente para quem fica preso ao paradigma das vantagens comparativas estáticas. O dilema manteiga versus canhões…

    No caso da Argentina, só analisando sua história e compreendendo como desde antes da presidência progressista de Domingo Faustino Sarmiento, na segunda metade do século XIX, se fez uma opção pela inserção conservadora no sistema economia-mundo.

    Essa opção funcionou relativamente bem até 1914, quando a Argentina poderia ser considerada um dominium do Império Britânico. De lá para cá uma sucessão de fatos e eventos, como foi o caso da crise de 1929, provocaram muita confusão naquele país. Após a crise de 1929, a ascensão da “pátria-mãe do protecionismo” (Cf. BAIROCH, P. ‘Economics and world history: myths and paradoxes’. The University of Chicago Press, 1993), os EUA, intensificou tensões que estavam imersas na sociedade argentina.

    Tenho amigos no governo da Cristina F. de Kirchner e na oposição. Recomendei aos amigos da oposição uma postura madura e que trabalhassem em prol da construção de instituições que alijassem o personalismo hispano-americano da política argentina. Complicado…

    No mais, penso que o Brasil deveria ter concedido uma maior atenção ao relacionamento com a Argentina desde o início do governo do presidente Lula. Refiro-me a acordos de parcerias entre pequenas e médias empresas, joint ventures, e a coordenação de políticas macroeconômicas. Isso seria bom para ambas as partes.

    Escrevi projetos nessa linha e que foram encaminhados ao BNDES e ao Itamaraty, além do BICE argentino. Isso ocorreu entre 2003 e 2004. Nada caminhou porque me parece que o personalismo não se restringe aos nossos hermanos.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  4. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Rodrigo,
    gostei muito da piada-classificação do Simon Kusnetz!
    Como você nos informou, ele disse que anos anos 50 havia quatro tipo de países: “(1) os desenvolvidos; (2) os subdesenvolvidos; (3) o Japão; e (4) a Argentina.”
    Eu diria que hoje há também 4 tipos de países:
    “(1) desenvolvidos; (2) subdesenvolvidos; (3) potências emergentes e (4) a China.
    abraços

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