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Blog do Desemprego Zero

A OBSESSÃO INFLACIONÁRIA TAMBÉM ATINGE O BCE

Escrito por leonunes, postado em 23 dEurope/London abril dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

 

Léo Nunes – Paris - O diário francês Le Monde publica, na sua versão eletrônica (clique aqui para ler mais), uma reportagem em que discute o papel do Banco Central Europeu (BCE). Segundo o diário, o BCE tem exagerado na mão no que concerne à política monetária.

 

Não satisfeitos com a restritiva política monetária, que valoriza o euro e compromete a competitividade das exportações dos países da zona do euro, há economistas que defendem um aperto ainda maior na política de juros com vistas a conter a crise econômica mundial. Como se vê, o surto obsessivo inflacionário não atinge apenas nossa autoridade monetária.

 Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

Clique aqui para ler nosso manifesto.



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Uma Resposta para “A OBSESSÃO INFLACIONÁRIA TAMBÉM ATINGE O BCE”

  1. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Leonardo

    O projeto de arquitetura do sistema econômico-financeiro global de Keynes foi derrotado em Bretton Woods. O livro do Eric Helleiner, ‘States and the reemergence of global finance: from Bretton Woods to the 1990s’ (Cornell University Press, 1994), conta essa história.

    Keynes foi o primeiro a dizer que uma moeda apreciada, quando ela não é o padrão de circulação internacional, revela-se na realidade uma moeda fraca. Ele descreveu com rara elegância as relações entre empregos, juros e moeda. Creio que o clássico ‘Teoria geral do emprego, do juro e da moeda’ (1936) será durante muito tempo objeto de discussão. Em Bretton Woods, Keynes foi além dos problemas econômico-financeiros nacionais.

    Ele foi muito feliz ao mencionar que as disputas comerciais continuariam se um país pudesse arbitrar o valor da moeda de circulação internacional. Keynes propôs o bankor como moeda de circulação internacional e ainda sugeriu funções para o FMI e o BIS. Quanto ao FMI, reconhecido mundo afora como anexo do Tesouro norte-americano, Keynes foi claro: o Fundo deveria apenas financiar déficits em transações correntes. Ele não deveria dar palpites ou se meter diretamente em questões internas dos países-membros.

    Veja como a tarefa de Dominique Strauss-Kahn é difícil. Recuperar a credibilidade do FMI é difícil mesmo para um economista competente e progressista.

    Retornando ao projeto de Keynes, os países não seriam punidos por apresentar déficits em transações correntes. Quem possuísse superávits intermináveis deveria pagar a cota de déficits dos outros parceiros comerciais. Para que então partir para guerras comerciais? Se o problema fosse estimular indústrias nascentes, não haveria problemas porque existiam margens que os Estados poderiam utilizar. Principalmente se estivessem em déficits. Certamente que as tensões entre os países não seriam eliminadas. Talvez atenuadas.

    Claro que a potência hegemônica que surge do pós-guerra não aceitou a proposta de Keynes para o sistema economia-mundo. Afinal, os britânicos já haviam experimentados o seu período de hegemonia. Restava-lhes, naquele momento, uma sociedade minoritária no pacto anglo-saxão.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

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