A dependência dos insumos
Escrito por Imprensa, postado em 16 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Na coluna Economia de hoje, Nassif discorre sobre as medidas que o Brasil deveria adotar se pretende alcançar a meta de ser a maior potência agrícola mundial, além de apresentar um painel sobre os números do país no setor no que se refere ao comércio internacional. Para alcançar tal meta, o país precisaria libertar-se da dependência dos insumos produzidos pelo cartel, melhor dizendo, pelo Canadá, Rússia e Alemanha…
*Por Elizabeth Cardoso
Publicado originalmente no Blog do Nassif, na aba Economia
Por Luiz Nassif
Se quiser, de fato, se transformar na maior potência agrícola, o Brasil terá que reverter a posição de refém da cadeia de comércio de insumos de fertilizantes.
Hoje são 3 nutrientes básicos que se utiliza na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio. São 3 países produtores de potássio Canadá, Rússia e Alemanha, que são os principais produtores, e acabam “combinando” os preços.
Na avaliação de André Debastiane, consultor da Agroconsult, o país não tem potencial de produção suficiente dos nutrientes para atender toda sua demanda. E continuará a comprar insumos do Canadá, Rússia e Alemanha.
No caso do potássio, a única jazida existente está na Amazônia, e sua exploração sofre de profundas restrições ambientais. No caso de fósforo, o Brasil produz 49% do total consumido, mas a capacidade de produção está praticamente no limite. No caso do nitrogênio, o potencial é maior, porque depende da exploração de petróleo.
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No ano passado, o país importou US$ 4,528 bilhões em adubos e fertilizantes, praticamente o dobro dos US$ 2,355 bilhões registrados no ano anterior. Até março deste ano, segundo dados da Secretaria do Comércio Exterior (Secex), o volume importado é de US$ 1,258 bilhão.
O líder da lista dos insumos fertilizantes importados é o fertilizante com nitrogênio, fósforo e potássio, com volume de US$ 49,203 milhões nos três primeiros meses deste ano. O resultado já supera os US$ 31,353 milhões registrados em 2007.
Em 2007, o país importou US$ 16,760 bilhões em adubos ou fertilizantes com nitrogênio, fósforo e potássio da Rússia. Até março deste ano, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume importado já é de US$ 36,879 bilhões.
Da Alemanha, o Brasil importou US$ 1,135 bilhão no ano passado e US$ 522,4 milhões no três primeiros meses de 2008. O Canadá, por sua vez, foi responsável pela importação de US$ 471,8 milhões no ano passado e de US$ 38,8 milhões até março de 2008.
No ano passado, o líder das importações foi o fertilizante com nitrato e fosfato, com US$ 62,716 milhões. Contudo, nos três primeiros meses deste ano, o volume ficou em US$ 11,912 milhões, sendo superado por nitrogênio, fósforo e potássio.
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Uma das alternativas são as pesquisas da Embrapa, em que se investe em novas tecnologias de nutrição de planta, extraindo nitrogênio da atmosfera e reduzindo a demanda por fertilizantes.
Outra é um investimento mais pesado da Petrobrás na produção de nitrogênio.
Uma terceira frente é o país pensar em compras estratégicas, uma ação articulada de governo, iniciativa privada, Petrobrás, visando a aquisição de grandes fabricantes de matéria prima em outros países.
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Por enquanto a China não tem expressão nesse mercado. Mas, com problemas ambientais e de terras, sua estratégia tem sido a de ampliar a capacidade de esmagamento de grãos e prospectar a produção de insumos no mundo.
No fundo, para se transformar na maior potência agrícola do planeta, o Brasil terá que dominar o circuito de formação de preços das principais commodities agrícolas.
Com Klinger Portella










