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	<title>Comentários sobre: A armadilha do juro alto</title>
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		<title>Por: Rodrigo Loureiro Medeiros</title>
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		<dc:creator>Rodrigo Loureiro Medeiros</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 11:52:52 +0000</pubDate>
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		<description>Será que a ortodoxia econômica brasileira desconhece finanças funcionais e o livro ‘Trabalho e moeda hoje’ (UFRJ/Contraponto, 2003), do Randall Wray? Trata-se de uma perspectiva teórica muito conhecida no exterior. Será que nossos colegas acreditam que é possível justificar juros altos e o poder de mercado dos bancos no Brasil a partir da soma de bananas, abacaxis e maçãs?

No livro do Alan Greenspan, ‘A era da turbulência’ (Elsevier, 2008), é mencionado como a teoria das finanças funcionais pode ser utilizada para políticas anticíclicas. Um livro escrito por um confesso conservar político, ex-presidente do FED e defensor da ortodoxia econômica.

E a ortodoxia de galinheiro tupiniquim, que importa conteúdos teóricos ao sabor de suas conveniências, nem quer saber de finanças funcionais.

Isso me lembra um problema descrito em um interessante livro do José Ingenieros, ‘O homem medíocre’ (Quartier Latin, 2004), cuja primeira edição data de 1913. Ingenieros analisa como duas forças se chocam nas sociedades e definem os rumos da sua evolução. Idealismo e mediocridade são essas forças.

Os idealistas podem ser divididos em dois grupos: românticos (paixão) e estóicos (virtude). A maturidade e o acúmulo de experiências são caminhos que levam os românticos ao estágio dos estóicos. Já os medíocres são pessoas sem ideais. Possuem idéias que se baseiam no senso comum. São pragmáticos e rejeitam o bom senso.

José Ingenieros argumenta ao longo do seu clássico texto que a mediocracia é perigosa para as sociedades, pois ela representa uma força que trava o progresso sociocultural, econômico, institucional e tecnológico. Vejamos um exemplo do projeto mediocrático da ortodoxia econômica brasileira: “Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”.

As restrições orçamentárias certamente existem para as famílias de qualquer país. No entanto, quando se amplia a perspectiva analítica para um sistema econômico, ainda que em desenvolvimento, se reconhece que as restrições são de outra ordem. No que diz respeito ao manejo da macroeconomia, caso o tripé de políticas fiscal, monetária e tributária esteja ajustado de forma coerente, os limites do dilema “manteiga versus canhões” podem ser alargados e ultrapassados gradualmente.

O problema aparece quando uma economia endivida-se em moeda estrangeira, como foi o que ocorreu no governo FHC, principado da ortodoxia econômica tupiniquim.

Para quem se esqueceu, não faz mal recordar a análise de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia: “O que torna a especulação lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo FMI. Quando o Fundo e o governo brasileiro, por exemplo, gastaram aproximadamente 50 bilhões de dólares para manter a taxa cambial em um nível supervalorizado no fim de 1998, para onde foi o dinheiro? Ele não desaparece no ar, acaba indo para o bolso de alguém – grande parte desse dinheiro foi para o bolso de especuladores” (‘A globalização e seus malefícios’. Futura, 2002. p.245). As pessoas podem discordar e buscar não enxergar, mas desqualificar a análise de um prêmio Nobel de Economia é muito difícil.

A mediocracia é pragmática. Busca amealhar bens materiais e travar os avanços que os idealistas – românticos ou estóicos – buscam construir. Que ninguém duvide, são os idealistas que constroem e conformam o futuro, não os medíocres. O progresso das sociedades depende da audácia dos idealistas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Será que a ortodoxia econômica brasileira desconhece finanças funcionais e o livro ‘Trabalho e moeda hoje’ (UFRJ/Contraponto, 2003), do Randall Wray? Trata-se de uma perspectiva teórica muito conhecida no exterior. Será que nossos colegas acreditam que é possível justificar juros altos e o poder de mercado dos bancos no Brasil a partir da soma de bananas, abacaxis e maçãs?</p>
<p>No livro do Alan Greenspan, ‘A era da turbulência’ (Elsevier, 2008), é mencionado como a teoria das finanças funcionais pode ser utilizada para políticas anticíclicas. Um livro escrito por um confesso conservar político, ex-presidente do FED e defensor da ortodoxia econômica.</p>
<p>E a ortodoxia de galinheiro tupiniquim, que importa conteúdos teóricos ao sabor de suas conveniências, nem quer saber de finanças funcionais.</p>
<p>Isso me lembra um problema descrito em um interessante livro do José Ingenieros, ‘O homem medíocre’ (Quartier Latin, 2004), cuja primeira edição data de 1913. Ingenieros analisa como duas forças se chocam nas sociedades e definem os rumos da sua evolução. Idealismo e mediocridade são essas forças.</p>
<p>Os idealistas podem ser divididos em dois grupos: românticos (paixão) e estóicos (virtude). A maturidade e o acúmulo de experiências são caminhos que levam os românticos ao estágio dos estóicos. Já os medíocres são pessoas sem ideais. Possuem idéias que se baseiam no senso comum. São pragmáticos e rejeitam o bom senso.</p>
<p>José Ingenieros argumenta ao longo do seu clássico texto que a mediocracia é perigosa para as sociedades, pois ela representa uma força que trava o progresso sociocultural, econômico, institucional e tecnológico. Vejamos um exemplo do projeto mediocrático da ortodoxia econômica brasileira: “Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”.</p>
<p>As restrições orçamentárias certamente existem para as famílias de qualquer país. No entanto, quando se amplia a perspectiva analítica para um sistema econômico, ainda que em desenvolvimento, se reconhece que as restrições são de outra ordem. No que diz respeito ao manejo da macroeconomia, caso o tripé de políticas fiscal, monetária e tributária esteja ajustado de forma coerente, os limites do dilema “manteiga versus canhões” podem ser alargados e ultrapassados gradualmente.</p>
<p>O problema aparece quando uma economia endivida-se em moeda estrangeira, como foi o que ocorreu no governo FHC, principado da ortodoxia econômica tupiniquim.</p>
<p>Para quem se esqueceu, não faz mal recordar a análise de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia: “O que torna a especulação lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo FMI. Quando o Fundo e o governo brasileiro, por exemplo, gastaram aproximadamente 50 bilhões de dólares para manter a taxa cambial em um nível supervalorizado no fim de 1998, para onde foi o dinheiro? Ele não desaparece no ar, acaba indo para o bolso de alguém – grande parte desse dinheiro foi para o bolso de especuladores” (‘A globalização e seus malefícios’. Futura, 2002. p.245). As pessoas podem discordar e buscar não enxergar, mas desqualificar a análise de um prêmio Nobel de Economia é muito difícil.</p>
<p>A mediocracia é pragmática. Busca amealhar bens materiais e travar os avanços que os idealistas – românticos ou estóicos – buscam construir. Que ninguém duvide, são os idealistas que constroem e conformam o futuro, não os medíocres. O progresso das sociedades depende da audácia dos idealistas.</p>
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