AFBNDES: Uma declaração extemporânea do Ministro Miguel Jorge
Escrito por Imprensa, postado em 7 dEurope/London março dEurope/London 2008
A crise do subprime, que se inicia, em linhas gerais, em virtude de um excesso exuberante de liquidez do sistema bancário privado americano – financiando temerariamente imóveis para compradores locais de risco elevado, e transformando esses contratos “podres” em títulos “securitizados” espalhados irresponsavelmente pelo mundo globalizado -, provocou, no último trimestre de 2007, a ameaça de uma grande crise sistêmica.
A pronta atuação dos grandes bancos centrais e dos grandes governos centrais – disponibilizando créditos a rodo, adquirindo títulos “podres”, reduzindo rapidamente as taxas de juros e prometendo recursos para a rolagem dos financiamentos duvidosos e políticas fiscais de redução de impostos – serviu para isolar a crise no seu nascedouro. Agora, medidas complementares estão sendo implementadas para apagar os focos residuais, na tentativa de preservar a banca privada global.
Esse grande solavanco serviu, mais uma vez, para expor a fragilidade do sistema bancário privado globalizado e suas instituições: de regulação, de rating e de seguros de crédito. Nesse momento, tudo balança e a “mão visível” dos governos vem salvar o mercado.
Parece que mais uma crise é solucionada preparando caminho para a próxima, num padrão que vem se tornando cada vez mais previsível e mais freqüente, desde o “setembro negro” de 1987, quando uma forte crise das bolsas mundiais foi debelada pela pronta e vultosa emissão dos grandes bancos centrais.
Entretanto, o sistema financeiro privado brasileiro – forte e “oligopolizado” – se mostra “blindado” e “descolado” da crise externa. De fato, nosso forte sis-tema bancário foi saneado em 1995 pelos recursos governamentais do PROER, quando a parte boa dos “tamboretes” foi distribuída entre os grandes bancos privados nacionais restantes.
A forte banca privada brasileira – cujo total de instituições não deve alcançar os cinco dedos de uma mão – tem sido superalimentada pela intermediação dos títulos governamentais, com seus juros exuberantes, pela expansão de crédito consignado, com desconto em folha, e pelas elevadas taxas de serviços bancários. Os resultados crescentes de vários anos têm mostrado o acerto de tal estratégia.
Essa banca nacional tem preservado seu espaço vital, se mantendo sempre alerta e usando seu poder político para manter afastada a concorrência externa, principalmente após o Santander furar o cerco e capturar o Banespa privatizado.
É por isso que, para nós da AFBNDES, soa completamente fora de contexto a declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – ao qual o BNDES está subordinado -, defendendo a privatização da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, subordinados à pasta da Fazenda.
Frente a declarações desta natureza – de personalidade institucionalmente tão próxima ao BNDES -, nos colocamos novamente em alerta diante de ações que possam enfraquecer os alicerces de nossa casa, vitoriosa na história do desenvolvimento do país, e de instituições congêneres como a CEF e o BB, igualmente importantes para o progresso nacional.
A Diretoria da AFBNDES










