Quem vai pagar a conta?
Escrito por Rodrigo Medeiros, postado em 15 dEurope/London março dEurope/London 2008
Nouriel Roubini
O professor da New York University, economista-chefe do site RGE Monitor e colunista de CartaCapital Nouriel Roubini calcula os custos de um processo de saneamento do sistema financeiro dos Estados Unidos. Analisa ainda a incoerência entre o discurso de laissez-faire do mercado, quando os ventos estão a favor, e os pedidos recorrentes dos bancos para que o governo alivie as perdas originadas no estouro da bolha imobiliária americana. “Definitivamente, estamos diante do paradoxo de privatizar os ganhos e socializar as perdas”, afirma o colunista.
CartaCapital: O senhor tem discutido teses de uma intervenção maior do Estado no mercado, para sanar a crise financeira americana.
Nouriel Roubini: Os problemas do crédito subprime se espalharam por toda a cadeia econômica. Chegaram aos financiamentos de boa qualidade, há um efeito forte sobre o segmento de cartões de crédito, de bônus emitidos pelas corporações e uma retração de consumo dos cidadãos. Milhões de mutuários vêem os preços de suas casas caírem, mas a dívida permanece alta. Eles simplesmente estão abandonando os imóveis, o que potencialmente pode causar um prejuízo de 1 trilhão de dólares. E não há soluções fáceis para o problema. O governo poderia comprar as hipotecas por valor superior ao de mercado, para evitar a quebra de muitos bancos. Outra opção seria simplesmente estatizar os bancos por um tempo. Mas isso terá um custo alto, em torno de 2,7 trilhões de dólares para o país. Em ambos os casos, seria uma situação muito delicada para o sistema financeiro.
Leia mais em: Entrevista CartaCapital.










