Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Escrito por Imprensa, postado em 15 dEurope/London março dEurope/London 2008
Extraído do Clipping do Ministério do Planejamento
Publicado originalmente em: Jornal do Brasil, 14/03/2008
Por Antonio Carlos Lemgruber
A China fez a maior besteira do mundo. Aceitou apreciar a moeda para agradar aos americanos. Como a taxa de juros lá é mais ou menos parecida com a dos EUA, está havendo uma onda de hot money – o famoso carry-trade, sobretudo para quem toma dinheiro em ienes ou francos suíços.
A taxa de câmbio estava fixa. Ia tudo bem.
No Brasil, fala-se muito em controle de capitais para segurar o câmbio. Nada disso. Basta uma penada. A velha taxa fixa de câmbio. Parece até que o sistema acabou, mas basta olhar dentro do sistema do euro para ver que as taxas européias são fixas.
A melhor maneira de arrumar a casa – com essa montanha de reservas – é fixar o câmbio (claro que com uma pequena desvalorização de pelo menos 15%) e, a partir daí, defender a moeda e ponto final.
Como fixar o câmbio? O mais lógico é uma média ponderada (50/50, 30/70, 70/30, não interessa) entre o euro e o dólar. Portanto, não é de fato fixa – é indexada a essa média natural das duas principais moedas do mundo. Além disso, por coerência, é preciso trazer a taxa de juros para a média EUA-Europa mais um spread qualquer para qualificar o risco Brasil.
É isso que tem de ser feito.
Antigamente se dizia que a taxa de cambio fixa era one-way speculation. Agora é o contrário: a taxa flexível de câmbio num país de juros altos e boa economia (como Brasil e China) virou one-way speculation.
Mas não precisamos de controle de capitais.
O país cresceu em cima do comércio exterior, das exportações (1968-1973) e da substituição de importações (1955-1961 e depois na década de 90 em escala menor).
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
A doença holandesa está destruindo a indústria do país. Isto tem de parar. Chega de hot money.
O economista John Rutledge, especialista em China, em artigo brilhante, afirmou que está apavorado com o que está ocorrendo na China em matéria de hot money.










