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Blog do Desemprego Zero

Pochmann propõe nova agenda civilizatória

Escrito por Rogério Lessa, postado em 17 dEurope/London março dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Em breve, apenas 500 grandes empresas controlarão toda a produção mundial e delas apenas cinco delas são brasileiras, mesmo assim ligadas à produção de commodities.

A advertência foi feita pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em palestra na UFRJ. “A China quer controlar 150 dessas empresas. E nós?”, indagou, frisando que o Brasil vive um momento de construir uma nova agenda civilizatória, visando à inserção competitiva na globalização e “não pode ficar preocupado apenas com o curto prazo e com o controle da inflação”.

O presidente do Ipea salientou que a financeirização da economia mundial empurra o planeta para uma crise de governança: “Hoje há deslocamento entre a riqueza real e a virtual. Enquanto o produto interno bruto (PIB) mundial é de US$ 48 trilhões, o total de ativos financeiros (capital fictício) já supera os US$ 150 trilhões”, contabiliza Pochmann.

“Diante da fraqueza dos governos e das instituições multilaterais criadas no pós-Guerra, como FMI, ONU, etc. quem vai governar o mundo?”, indagou, acrescentando que “pensar o desenvolvimento” significa refletir sobre o fato que o país possui apenas cinco empresas entre as maiores do mundo, nenhuma ligada à economia do conhecimento. “O Ipea tem a responsabilidade ímpar de pensar o país. Sua atividade é aplicada ao processo decisório do governo e desde sua fundação, em 1964, tem o compromisso de subsidiar as políticas públicas de médio e longo prazo”, afirmou, lembrando que o planejamento, na época, contava com menos recursos que hoje, pois praticamente não havia pós-graduação no país.“Hoje, estamos longe da democracia participativa, mas ao menos temos uma democracia representativa há 23 anos”, comentou. O presidente do Ipea destacou a importância da gestão pública do conhecimento em prol das estratégias do desenvolvimento, sobretudo num mundo globalizado e com a riqueza cada vez mais concentrada: “O país precisa de uma agenda para o desenvolvimento e construí-la não é tarefa apenas para economistas”, disse.

Limites

Pochmann avalia que não há recursos naturais para estender o padrão de desenvolvimento dos países ricos para o restante do planeta: “No fordismo, a distribuição de renda viabilizou um consumo igual à capacidade produtiva, viabilizando a expansão da indústria. Em 1929, a queda no consumo levou a economia global a uma crise sem precedentes e a disputa por mercados conduziu o mundo à guerra.”

O modelo dos ricos teria aprofundado o subdesenvolvimento dos países da periferia: “Para ser um país capitalista central, é preciso ter uma moeda aceita internacionalmente, alcançar o desenvolvimento tecnológico e possuir uma base militar capaz de defender o país. Mas nós optamos por copiar o modelo dos ricos de uma maneira subdesenvolvida: apostamos na entrada de empresas multinacionais e, para criar um mercado consumidor, foi necessário um processo de concentração da renda a fim de qualificar uma parcela da população”, comparou.

Hoje, lembrou que o país precisaria de mais 100 milhões de automóveis (cuja produção está contribuindo fortemente para o desempenho da indústria) para se igualar ao padrão norte-americano: “Porém, apostar na produção de bens de alto valor unitário, em detrimento do coletivo, exigirá a construção de mais pontes, viadutos, etc. Esse dinheiro vai sair do Orçamento. Já houve tempo em que os recursos da Previdência eram usados para isso”, lembrou, questionando as fontes de recursos para o planejamento social.

“Em vez de planejar o social, o país está empenhado em reproduzir um padrão individualizado de consumo, quando um país democrático deveria priorizar o interesse coletivo.”

Nova agenda civilizatória

“Para Washington Luiz, a questão social era caso de polícia, mas o mundo do trabalho evoluiu para oito horas diárias: os estudiosos provaram que era melhor trabalharmos menos, com mais produtividade. As crianças foram excluídas do trabalho.”

Tudo isso, segundo Pochmann, levou ao surgimento de novo fenômeno: o Estado nacional como agente do desenvolvimento e regulador das relações sociais: “Os ricos passaram a pagar impostos para viabilizar fundos públicos para a construção de escolas, hospitais etc. A escola vai antecipar o trabalho, difundido valores já existentes. Uma escola utilitarista, com uma educação para o trabalho. Viver já não é apenas trabalhar e, antes da morte, podia-se desfrutar de dez ou 15 anos de aposentadoria.”

Na transição para a sociedade do conhecimento, ou pós-industrial, ele defende o compartilhamento dos ganhos de produtividade: “Hoje, trabalha-se e produz-se mais, inclusive fora do local de trabalho. O trabalhador é quase sócio da empresa. A produtividade imaterial não está sendo contabilizada nem distribuída. Apenas 12 horas por semana já são equivalentes às 8 horas diárias da era industrial. Não existe razão técnica para trabalharmos até 90 horas por semana.

Pochmann frisou que, se a geração industrial é produto das decisões da Revolução de 30 (antiliberal, segundo ele), estamos diante do momento histórico de construir as bases para o período pós-industrial: “Hoje vivemos um momento de transição semelhante e precisamos de uma nova convergência em torno dos valores dessa agenda civilizatória.”

Essa agenda, para ele, tem como questão-chave a construção de uma convergência política “e não ficar apenas controlando os preços”.

Educação para longevidade

Para o presidente do Ipea, também não há razão para começar a trabalhar antes dos 25 anos: “Mas só os filhos dos ricos podem fazer isso. Eles ficarão com os empregos mais qualificados, reproduzindo a desigualdade. Como construir a sociabilidade diante da deterioração da família tradicional? Através da educação permanente. Talvez ela seja capaz de reconstruir a sociabilidade não só para o trabalho. E para estudar a vida toda, o grosso da sociedade dependerá do Estado. Precisamos de uma escola transformadora.”

Ele salientou o impacto de todo esse processo na Previdência: “No Brasil, a rotatividade do trabalho na terceirização é de 80% ao ano. Isso leva 7 milhões de brasileiros a contribuírem apenas seis meses por ano com a Previdência. Ou seja, levariam 70 anos para se aposentar, já que hoje é exigido tempo de contribuição, não apenas de trabalho, como antigamente. Significa que 7 milhões estão contribuindo para a Previdência e nunca terão retorno.”

Publicado no Monitor Mercantil, em 15-03-08



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5 Respostas para “Pochmann propõe nova agenda civilizatória”

  1. Rodrigo Medeiros falou:

    Prezado Rogério

    O debate proposto pelo Marcio Pochmann é oportuno. Ele converge para a nossa preocupação quanto à condução da política monetária, o nó górdio que precisamos desatar para a efetivação de um processo de desenvolvimento econômico democrático e eqüitativo.

    Meirelles conseguiu convencer Lula e Mantega de que é necessário manter “a prudência” na condução da política monetária. As condições para reduzir gradualmente a Selic estão presentes. E isso sem a necessidade de controles do fluxo de capitais no curto prazo.

    Deveríamos encarar as quedas da taxa básica de juros nos EUA como reais oportunidades para reduzirmos gradualmente a Selic, administrando a expansão da oferta monetária (M3) a partir do compulsório e do IOF. O Banco Central do Brasil possui os instrumentos gerenciais para pilotar o volante keynesiano da economia. Basta uma gestão mais progressista e comprometida com o desenvolvimento das forças produtivas nacionais.

    Irão certamente aparecer os recursos nos orçamentos públicos para investimentos em infra-estrutura e políticas sociais. Até mesmo o problema atual do real apreciado irá desaparecer, pois o câmbio encontrará outros pontos de equilíbrio, como os dos diferenciais de produtividade em relação aos principais parceiros comerciais. Quanto à inflação doméstica, não há motivos para pânico. A competitividade sistêmica da economia brasileira precisa de medidas dessa natureza.

    Lula até pode ser bem-intencionado, muitos acreditam nisso, porém sua gestão macroeconômica é muito parecida com a do sociólogo que o antecedeu. Por enquanto Lula ganha na taxa de crescimento, mas se o Meirelles continuar dando as cartas na política monetária há um leve risco de convergência com a era FHC. Um leve risco…

    Algo já ficou claro para mim. Para administrar mal a macroeconomia brasileira qualquer um serve. Pode inclusive não entender nada do assunto. Basta seguir a cartilha da ortodoxia de galinheiro do neoliberalismo e não ousar fazer o País crescer sustentadamente.

    Parabéns pelo texto.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  2. Heldo Siqueira falou:

    Rodrigo,

    até me lembro que quando o Palocci entregou o cargo falei com uma amigo que o Lula tinha tirado a sorte grande. Pq entrou um desenvolvimentista no lugar de um cara-de-palista (ou ortodoxo de galinheiro como vc costuma falar) sem precisar se indispor com “o mercado”.

    Bem que o caseiro do Palocci podia dar uma mãozinha pro Meirelles né?!

    Abraços

  3. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Caro Heldo

    Concordo contigo. Lula não é de briga. Prefere contemporizar. Quem acaba pagando a conta somos nós que vivemos de trabalho. Precisamos de perspectivas que ultrapassem as compensações do bolsa família, um importante programa social. Vamos aos números.

    Segundo dados da CEPAL, a taxa de ocupação da força de trabalho no Brasil é de 51%, ou seja, 49% dos trabalhadores estão desempregados ou na informalidade. Isso seria um escândalo em qualquer país sério do mundo.

    Além disso, a formação bruta de capital fixo, o nível de investimento real na economia, encontra-se abaixo de 18% do PIB, inferior ao famoso piso dos 25% do PIB necessário para que o Brasil ingresse efetivamente num ciclo de crescimento sustentado. O resultado tem sido o tal vôo de galinha e as desculpas de sempre. De FHC a Lula… Lembro que a oferta monetária (M3) brasileira tem sido uma das mais baixas do mundo, em torno de 28% do PIB.

    Existem certamente bons quadros no governo do presidente Lula. Marcio Pochmann é um deles. A diretoria do BNDES também é muito boa e a condução das relações exteriores é de boa qualidade.

    Luciano Coutinho e João C. Ferraz, por exemplo, coordenaram o ‘Estudo de Competitividade da Indústria Brasileira’ (1994). Nem devemos buscar comparar com a pobreza de idéias vigente no que diz respeito ao tema política industrial. Miguel Jorge deveria voltar para o Santander.

    Creio que esse núcleo de excelência do governo Lula estaria rendendo mais se o nó górdio da política monetária fosse desatado. Não há nenhuma necessidade de radicalizar. Pode-se muito bem aproveitar as margens de manobra da conjuntura presente no campo monetário para fazer o Brasil crescer com inflação módica.

    Talvez Lula não saiba ao certo o “Custo Meirelles”, mas a oposição raivosa e a grande mídia não escondem a satisfação com o freio do crescimento econômico ativado constantemente pelo BC.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  4. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    http://desempregozero.org/2008/03/19/lula-e-meirelles-janus-da-parceria-insossa/

  5. Rogério Lessa, Editor-Chefe falou:

    Caros,
    o Marcio Pochmann sempre enfatiza que esta é uma questão predominantemente política. Creio que o rentismo encontra campo fértil no Brasil por causa de nossas raízes (Casa Grande e Senzala). Ontem, após um debate no Corecon-RJ, uma (sábia) pessoa da platéia, mesmo admitindo “não entender nada de economia” propôs que organizássemos no Rio um “jurômetro” – placar de juros – para se contrapor ao “impostômetro” instalado em São Paulo. O cidadão tem a noção clara de que são os juros, e não as despesas com tapioca, que pressionam a carga tributária. O vice-presidente do Corecon (e colaborador do nosso blog), Paulo Passarinho, quer bancar a excelente idéia.
    Abraços,
    Rogério

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