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Para exportador, medidas serão insuficientes para conter o real
Posted By Imprensa On 17 março, 2008 @ 3:00 pm In Desenvolvimento,O que deu na Imprensa,Política Econômica | No Comments
Publicado originalmente em: Gazeta Mercantil [1], em 14/03/2008
Por Ana Carolina Saito
Os exportadores brasileiros vêem com bons olhos a iniciativa do governo para conter a desvalorização do dólar. Entretanto, há dúvidas se as medidas anunciadas nesta semana sobre os efeitos no desempenho das exportações e do câmbio. A percepção entre os empresários é de um impacto limitado devido à alta taxa de juros.
Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, as medidas são bem vindas, mas insuficientes. Segundo ele, a cobertura cambial (os exportadores podem deixar 100% da sua receita no exterior) não deve surtir efeitos. “Com os juros altos, todos querem trazer os recursos para o País”, afirma. Na mesma linha, ele considera que a incidência de 1,5% do IOF nas aplicações estrangeiras em investimentos de renda fixa não é suficiente para desestimular a entrada de capital no mercado interno. “Já a isenção da cobrança do IOF de 0,38% sobre as exportações é apenas uma correção. Não terá nenhum impacto”, diz Castro. A medida fazia parte do pacote para compensar o fim da CPMF.
Com a valorização cambial, indústria de calçados de Franca (SP) viu suas exportações caírem de 10,8 milhões de pares em 2004 para 5,55 milhões em 2007. “O fim do IOF ajuda, mas pouco. O setor precisa de mais”, diz o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), Jorge Donadelli. A cobertura cambial também não traz grandes vantagens para o setor. “Precisamos fechar o câmbio aqui para ter capital de giro. Poucas empresas mantêm recursos lá fora”, afirma.
O diretor do departamento de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, avalia que o mais importante foi a atitude do governo. “Não me lembro de outra ocasião em que o governo tenha estudado medidas para interferir no câmbio”, diz. Para ele, o tempo dirá se as medidas terão efeito.
A taxação para investimentos estrangeiros é, na sua avaliação, a medida com maiores chances de segurar a queda do dólar. A tendência é que ela afete o capital com permanência de curto prazo. Para períodos maiores, compensa para o investidor a isenção do imposto de renda. “A questão é se terá efeito, já que o mercado financeiro é muito criativo para pegar atalhos e não pagar o pedágio”, diz.
A isenção de 0,38% do IOF, afirma, é uma “pequena ajuda” aos exportadores, que passaram a ser taxados para compensar o fim da CPMF. Ele avalia ainda que a cobertura cambial terá pequeno impacto, se existir. “As empresas não vão deixar o dinheiro no exterior a não ser que precise. É mais vantajoso deixar aqui.”
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato reforça o coro. “Vejo de forma otimista. Só não sei se vão dar resultados”, diz. “Tenho dúvidas devido à alta taxa de juros.”
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