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Opinião – Quem tem medo do Território da Cidadania?
Posted By blogdojefferson On 8 março, 2008 @ 4:38 pm In ELEIÇÕES, projetos e estratégias: 2008 e 2010,Jefferson Milton Marinho,Política Brasileira,Política Social | 16 Comments
Jefferson Milton Marinho do Blog do Jefferson [1]
Um bom artigo publicado pelo José Dirceu no Jornal do Brasil.
José Dirceu
Durante o governo Lula, mais de 20 milhões de brasileiros migraram das classes D e E para a classe C? O que explica essa mobilidade social, com a redução da pobreza, é a geração de 6 milhões de novos empregos formais, o aumento do salário mínimo de 42,8% no período, reajustes salariais acima da inflação na grande maioria das negociações sindicais e o desenvolvimento de políticas compensatórias – como o programa Bolsa Família, que já beneficia 11 milhões de famílias.
Se os indicadores são positivos, revelando que o crescimento da economia vem sendo acompanhado da distribuição da renda, o Brasil ainda tem sérios problemas, como os bolsões de pobreza. Daí a relevância do programa Territórios da Cidadania, lançado pelo governo federal em fevereiro, com o objetivo de enfrentar, articulado com Estados e municípios, os redutos de miséria – os territórios com os mais baixos índices de IDH e escassa atividade econômica.
Considerado inovador por especialistas em distribuição da renda, o programa vai olhar cada um dos 180 territórios, a serem atendidos nos próximos dois anos, como um todo, integrando ações de 19 ministérios e envolvendo os poderes locais, para promover o desenvolvimento regional sustentável e a garantia dos direitos sociais. Seu público-alvo são agricultores, assentados da reforma agrária, populações indígenas, quilombolas. Ou seja, brasileiros que demandam a ação planejada do poder público para conquistar o que lhes é devido como cidadãos: acesso à dignidade.
Diante de um programa dessa dimensão, que cobre todo o país – haverá pelo menos um território por Estado da federação – o que faz a oposição? Recorre ao Supremo Tribunal Federal, acusando o programa de eleitoreiro e ilegal, sob o desgastado argumento de que os investimentos poderão privilegiar os partidos que dão suporte ao governo. Mais incrível ainda: ministros da maior corte do país fazem coro à oposição, antecipando sua posição antes de haver recurso, e de ele ser julgado, numa inconcebível politização do papel de magistrado, que só deve julgar com base nos autos.
O esperneio é balela. Esse filme, já vimos nas eleições de 2006, quando campanha semelhante teve como alvo o Bolsa Família. PSDB e DEM (então PFL) alardearam que a expansão do programa estava a serviço da reeleição de Lula. Desqualificaram o Bolsa Família e buscaram com lupa desvios e fraudes. O povo, que sabe o alcance do programa e sua importância para a população mais pobre, não embarcou na lorota. Mas parece que a oposição não aprendeu.
Os resultados da auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União no Bolsa Família, de 2004 a 2006, em função de denúncias da oposição, mostram que eram infundadas. Não houve, de acordo com o TCU, nenhum privilégio ao PT e aos partidos da base aliada, nem discriminação ao PSDB e ao DEM. O atendimento das metas foi alcançado em todos os municípios, independentemente da filiação partidária do prefeito, e pequenas variações encontradas descartam o uso eleitoral do programa, segundo a auditoria.
Assim, é inaceitável a tentativa da oposição de impedir programas sociais destinados a tirar da pobreza absoluta milhões de brasileiros. Só neste ano, serão beneficiadas 11 milhões de pessoas, em quase mil municípios, de 60 territórios. Vão ser investidos R$ 11,3 bilhões no desenvolvimento regional dessas cidades, onde todos os partidos estão no governo e vão disputar as eleições, sendo igualmente beneficiados por melhorias da infra-estrutura e das condições de saúde e educação, e pelo apoio a arranjos produtivos locais. Isso é o quanto o governo Lula anunciou estar disposto a fazer. Resta perguntar o quanto a oposição está disposta a comprometer do desenvolvimento nacional, para tentar, na base do “quanto pior, melhor”, alguma vantagem eleitoral. A oposição tem medo das eleições, ou tem medo dos milhões de brasileiros que, nesses Territórios de Cidadania, poderão escapar dos currais eleitorais mantidos à base de miséria contínua?
Comentários do Blog do Jefferson [1]: Excelente artigo do José Dirceu. O governo dá uma denominação nova para um programa que integra políticas públicas em andamento – Bolsa Família, Pronaf, Luz Para Todos e outros programas espalhados nos ministérios -, focando os municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ou seja, os “bolsões de pobreza”. Em outras palavras, é uma inovação gerencial importante, apenas isso. Vem a oposição política querendo usar o Judiciário na tentativa de impedir que o governo seja melhor e justamente nas políticas públicas direcionadas aos pobres. Por que não tentam impedir que o governo também não funcione naquelas políticas que tem os ricos como beneficiários? Aparece um membro da Suprema Corte, sem ler o programa do governo, e apenas com “clichês” dos jornalões, joga para a platéia sua contrariedade com o governo. É um direito dele não gostar do governo. Só que o melhor lugar para fazer política é nos partidos políticos. Utilizar o cargo na magistratura para fazer política pequena, de baixo nível, não fica bem a um magistrado. Mas tudo é permitido nos trópicos.
Jefferson Milton Marinho: Economista formado pela UFMG e Mestrado na mesma instituição. MBA em Finanças pelo IBMEC-BH. Meus Artigos [2]
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[1] Blog do Jefferson: http://blogjefferson.blogspot.com
[2] Meus Artigos: http://desempregozero.org/category/todos-nossos-autores/jefferson-milton-marinho/
[3] ELEIÇÕES 2010, projetos e estratégias: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/1999/01/eleicoes-2010-projetos-e-estrategias/
[4] Duelo entre tucanos: a batalha de Kassab e Alckmin pela prefeitura paulistana expõe divisão no tucanato: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/duelo-entre-tucanos-a-batalha-de-kassab-e-alckmin-pela-prefeitura-paulistana-expoe-divisao-no-tucanato/
[5] 2010: O sonho da oposição: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/2010-o-sonho-da-oposicao/
[6] Eleições americanas: Obama vence Hillary e obtém o apoio de filha de John Kennedy: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/eleicoes-americanas-obama-vence-hillary-e-obtem-o-apoio-de-filha-de-john-kennedy/
[7] Eleições americanas 2008: Os kennedy apóiam Obama e voltam a influenciar a política americana: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/01/eleicoes-americanas-2008-os-kennedys-apoiam-obama-e-voltam-a-influenciar-a-politica-americana/
[8] : http://www.unafisco.org.br/estudos_tecnicos/2006/tributos_e_divida2.pdf
[9] : http://www.globalinvest.com.br
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16 Comments To "Opinião – Quem tem medo do Território da Cidadania?"
#1 Comment By Rodrigo Medeiros On 8 março, 2008 @ 10:33 pm
Prezado Jefferson
Houve certamente uma atenção maior com os mais necessitados no governo Lula. Nada que chegue perto aos aspectos estruturais que defendemos neste blog. Refiro-me às políticas de pleno emprego. Somos favoráveis ao programa bolsa família e a políticas de construção de marcados de massas.
No entanto, não podemos deixar de notar que, em 2007, para cada real direcionado ao bolsa família, o governo Lula alocou R$16 para quem vive de juros altos e amortizações da dívida pública brasileira. Está tudo no SIAFI. Os dados são públicos. O número de beneficiados pelo bolsa família quando comparado com os agraciados com a taxa básica de juros alta é bem assimétrico.
Risco baixo e retorno elevadíssimo. Um paradoxo do capitalismo notou o senhor Warren Buffett: “Que ações o que, o negócio do século é títulos públicos brasileiros!” Uma boa síntese para explicar as taxas de juros praticadas no Brasil, da Selic ao elevado spread bancário de dois dígitos.
Se o bolsa família merece elogios, não podemos negar que a turma dos juros altos vem ganhando de goleada desde os tempos do sociólogo. Nesse quesito tem razão o Francisco de Oliveira: PT e PSDB ficaram muito parecidos.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#2 Comment By blogdojefferson On 9 março, 2008 @ 12:35 am
Prezado Rodrigo,
Também concordo com a política monetária, mas é puro simplismo avaliar o governo apenas por ela. Há um estoque de dívida que deve ser pago, inclusive seus encargos. Como ninguém está pensando em calato na dívida pública interna, o problema que está falando está no tamanho da taxa de juros. Os juros são elevados mesmo. Mas qual seria sua taxa de juros? Qual seria o impacto disso nas despesas com juros? A política monetária é conservadora mesmo, mas politicamente só não faz sentido na cabeça dos economistas. A economia é mais complexa que a “política monetária”, que digo, também tenho profundas discordâncias com ela.
Um estudo da Unafisco mostra uma trajetória decrescente na participação dos encargos da dívida desde 2003:
[8]
A tendência de elevação da participação nos gastos com dívida permaneceu até 2003, quando finalmente foi revertida. O seja, o governo é bonzinho com os ricos, mas tinha gente mais “boazinha” ainda. Se gasta menor participação com encargos da dívida, acaba gastando-se mais com outras despesas.
Agora, sobre mensalão é outra coisa. Primeiro, que nem existiu de fato. Isso não significa que não houve erros, financiamento ilegal. Mas falar em mensalão é verdadeira piada. A tese é ruim em todos os sentidos, não tem pé nem cabeça. Por qualquer ângulo que se analise, a tese não fecha. Para a tese não furar, o próprio procurador teve de deixar de fora da denúncia um réu confesso, o ex-deputado Roberto Brant, afinal como justificar o recebimento de dinheiro para votar contra o governo.
Sobre o Silvinho, não há qualquer indício de cometeu algum crime. Erros políticos, é óbvio que ele teve. Afinal, recebeu algo de alguém que presta serviços para uma empresa pública. Porém, não há nenhuma associação da Land Rover com qualquer benefício que a empresa obteve com a atuação dele. Ou seja, não há qualquer indício nos autos de que intermediou alguma coisa.
Você coloca a questão do acordo como confissão de culpa, acho o contrário. Se a promotoria acreditasse que tinha alguma chance de enquadrá-lo em algum crime, não faria acordo nenhum. Até mesmo porque ela não teve nada em troca, apenas serviços comunitários. Isto é nada, confissão de trapalhada dela mesma que precisa de acordos para justificar a denúncia anterior.
A Procuradoria denuncia 40, mas não tem prova nenhuma sobre alguns deles, e aí começam a propor esse tipo de acordo. Do ponto de vista do Silvinho, faz todo sentido aceitar o acordo. Ele pode tocar a vida dele para frente, já que não parece ter mesmo pretensões políticas.
O texto já ficou grande e essa discussão não tem nada a ver com o Território da Cidadania. Pode continuar não gostando do governo, mas isso não deve ser motivo para ser contra determinadas políticas.
Um abraço,
Jefferson
#3 Comment By blogdojefferson On 9 março, 2008 @ 12:51 am
Errata 1: Também não concordo com a política monetária
Errata 2: calote da dívida pública interna
#4 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 9 março, 2008 @ 12:51 pm
Prezado Jefferson
Ninguém aqui defendeu calote da dívida. Onde você leu isso neste blog e quem escreveu?
Se você quer um número exato para a taxa básica de juros, a Selic, dificilmente haverá acordos entre economistas. Dessa forma, pode-se usar a exigência do “número exato” para manter a análise simplória de que o governo Lula é muito diferente do que foi o período do PSDB. Em síntese, posso te afirmar com a maior tranqüilidade que poderíamos estar praticando uma taxa básica de juros que acompanhasse o que se passa nos demais países do mundo.
Há uma listagem de taxas básicas de juros no site [9]. A consulta é gratuita. E isso sem controle dos fluxos de capitais no curto prazo.
Não sou adepto de radicalizações ideológicas. Creio que o debate que estamos buscando construir neste blog é suprapartidário e defende políticas de pleno emprego factíveis. A cartilha de pleno emprego encontra-se exposta no blog. Consulte-a.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#5 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 9 março, 2008 @ 5:37 pm
Prezados
As estatísticas da CEPAL revelam que a taxa de ocupação da força de trabalho no Brasil é de 51%, ou seja, 49% dos brasileiros em idade ativa estão no desemprego ou na informalidade. A formação bruta de capital fixo, o chamado investimento na economia real, não ultrapassou a casa dos 19% do PIB nos últimos dez anos. (Na América Latina, o Brasil apresenta um respectivo desempenho econômico aquém da média.) E a relação crédito privado/PIB brasileira, algo que gira em torno dos 30%, é uma das mais baixas do planeta.
Em um país desenvolvido tal quadro seria encarado como catástrofe social. Como defensores das políticas de pleno emprego, nós, deste blog, encaramos esse assunto com muita seriedade. Não se pode dizer que esse fenômeno foi fabricado pelo governo Lula. Suas raízes são mais profundas. Recomendo o livro ‘Cidadania no Brasil’ (Civilização Brasileira, 2007), de José Murilo de Carvalho.
De 2000 para cá, ainda segundo a CEPAL, houve inclusive perdas reais médias nas remunerações no Brasil, -11,14%. Se algumas camadas ganharam, na média o resultado é motivo de maiores reflexões. Os programas bolsa escola e bolsa família certamente auxiliaram aos mais necessitados. No entanto, a política monetária brasileira se mostra um ponto de debate necessário.
Seu manejo se revela o eixo estruturante das políticas públicas. Recursos aparecerão nos orçamentos públicos brasileiros caso a política monetária seja conduzida de forma adequada. Sem radicalizações ideológicas. A taxa básica de juros brasileira poderia muito bem estar acompanhando o ciclo econômico global, ou seja, ela poderia estar na casa de um dígito há algum tempo para viabilizar um maior nível de investimento na economia real. (Empregos e renda…) Taxa básica nominal e real na casa de um dígito. E isso sem a necessidade de controles do fluxo de capitais. Não no curto prazo.
Reinaldo Gonçalves tem idéias interessantes sobre a constituição de uma agência reguladora do capital estrangeiro (Cf. ‘Economia política internacional’. Elsevier, 2005). Creio que o debate atual não pode ficar restrito à polarização PSDB x PT. Essa discussão não se mostra produtiva.
Existem bons quadros em ambos os partidos, assim como em outros, que podem ser aproveitados por um projeto suprapartidário como o proposto neste blog.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#6 Comment By Bruno On 9 março, 2008 @ 9:50 pm
Rodrigo,
Concordo plenamente com vc. Quando se analisa o governo como um todo, vê-se que esse governo é medíocre. O que se investe em social é muito pouco. A questão é que a oposição é tão elitisa e sada, a imprensa tão anipuladora que a gente acaba apoiando o governo. Mas, se formos abstrair DEM, PSDB, FH, Veja e Folha de S. Paulo, vamos ver que é um governo medíocre e irresponsável. Não acho que a política monetária é apenas um detalhe. O Brasil paga R$ 150 bilhões de juros anualmente e no ano passado o BC teve um prejuízo de R$ 48,5 bilhões. Uma montanha de dinhero não pode ser detalhe. Taxa de juros NOMINAIS do Marrocos: 3,3%, Peru, 4% e pouco, Malásia, 3,5%, Tailândia, 4%. Finalizando, quem pos a diretoria do BC lá foi o Lula e quem não tira eles de lá é o Lula. Se ele tem medo de marola, é problema dele, que não tivesse candidatado a presidente. O que não dá é o Brasil ficar pagando tanto juros. Essa polarização entre PT e PSDB é foda.
#7 Comment By Bruno On 9 março, 2008 @ 9:53 pm
Talvez fui meu agressivo, mas foi um desabafo. O investimento social do governo Lula é muito pequeno e poderia ser muito maior.
#8 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 10 março, 2008 @ 10:04 am
Caro Bruno
Concordo contigo. Me fez pensar novamente na famosa frase cunhada por James Carville, da primeira campanha de Clinton (1992): “É a economia, estúpido”.
Ficar debatendo a polatização PT x PSDB, como se ambos fossem de fato tão diferentes assim, é ineficaz do ponto de vista das políticas de pleno emprego que defendemos neste blog.
Lembro ao amigo que após o pleito de 2002 o presidente eleito viajou para os EUA e fez dois anúncios: o superávit primário seria elevado de 3,75% para 4,25% do PIB e Antonio Palocci assumiria a Fazenda. Ao optar pelo aumento do superávit primário, Lula retirou deliberadamente expressivos recursos das políticas sociais (saúde, educação, saneamento básico, etc.).
Alguns disseram na época que ele não sabia exatamente o que estava fazendo, não tinha a real dimensão do problema. Tomara uma decisão importante nas alturas enquanto viajava de avião para os EUA. Bem, aí o problema é mais grave. E depois ficou correndo para estender a CPMF.
Parece cômico se não fosse trágico. Resolveu com o IOF? Quem realmente é o maior prejudicado? Em termos de renda, proporcionalmente é o povão que precisa pagar prestações para adquirir bens de consumo. Tributação regressiva.
“Lula tem boas intenções”, dizem alguns. “Ele não é insensível como o FHC”, dizem outros. Pois bem, assim fica difícil.
Em seus oito anos de mandato FHC executou apenas 6% do PPA (plano plurianual de ações). Lula, por sua vez, conseguiu realizar menos de 10% do PAC programado para 2007. Quem sabe ele não irá convergir para o desempenho do sociólogo até 2010? Em termos macroeconômicos ambos são muito parecidos.
Segundo o relatório de mercado do BC brasileiro, o Boleim Focus, os efeitos multiplicadores do PAC são questionáveis. As previsões de crescimento da economia brasileira apontam para 2008 e 2009 resuntados inferiores ao de 2007, 5,3%. Além disso, o Focus aponta na direção de déficits em transações correntes.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#9 Comment By Gustavo On 10 março, 2008 @ 11:13 am
Concordo com vocês. Principalmente no primeiro mandado Lula, quando o Palocci era o homem mais poderoso do país.
#10 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 10 março, 2008 @ 11:54 am
Mas discordo em dizer que o Lula é igual FHC. Não é igual não. Há diferenças importantes. mesmo no primeiro mandato em várias áreas do governo (ainda que na econômica não) que foram melhores. No segundo mandato, mesmo na área econômica, há algumas mudanças. Ainda muito tímidas.
#11 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 10 março, 2008 @ 12:24 pm
Caro Gustavo
Igual não, parecido. No que diz respeito às políticas de pleno emprego que defendemos neste blog, essas diferenças são mínimas. Marginais. Há boas intenções no governo Lua, assim como nos tempos do sociólogo: veja os casos do bolsa escola e do bolsa família, por exemplo.
Eu e o Bruno colocamos dados sobre o desempenho da nossa economia e as perspectivas de crescimento. Incluindo os tais efeitos das obras do PAC. Está na imprensa de hoje que o crescimento na era Lula terá sido 3,8% a.a. Venceu o sociólogo por pouco nesse quesito. Não podemos olvidar que o sociólogo pode puxar a desculpa de que enfrentou diversas crises internacionais e, portanto, foi “forçado” a tomar medidas macroeconômicas amargas. Tudo em nome da responsabilidade fiscal (…)
Conversa fiada. O BC do sociólogo liberalizou a conta de capitais através de um panfleto que ficou cunhado pelo próprio mercado de capitais como “cartilha da sacanagem cambial”. Eram tempos do Gustavo Franco.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#12 Comment By Roberto Araujo On 10 março, 2008 @ 1:56 pm
Quem sou eu para opinar sobre política econômica. Sou apenas um leitor e aprendiz do textos desse site. Mas, no caso do setor elétrico, o governo Lula, além de agir em desacordo ao que escreveu em 2002, é bastante neoliberal. Coisas incríveis estão ocorrendo no mercado livre e logo logo receberemos a conta.
Fico intrigado com o Brasil. Nossos neoliberais no poder foram formados na dureza da luta armada. Inacreditável!
#13 Comment By blogdojefferson On 10 março, 2008 @ 4:19 pm
Prezados,
Bom debate.
Tenho divergências significativas com relação ao governo na condução da política econômica e na política de alianças. Só que classificar o governo como medíocre em determinadas áreas, como o Bruno, merece qualificação. Na política, a avaliação do governo é sempre comparativa, não há outra forma. E comparar com o ideal é tarefa inglória. É preciso avaliar as opções ao governo.
Na parte econômica, o governo é conservador, embora haja avanços no segundo mandato. Na parte política, o governo é confuso. E nesse quesito, precisava de alguma inovação nos métodos de negociação política. Mas não houve.
Sobre a política de pleno emprego, o problema é que parcelas importantes dos governos foi terceirizada faz tempo. As agências reguladoras independentes buscam isso. A tecnocracia prevalecendo sobre o político. Não gosto disso, o resultado final não é bom.
A política do governo brasileiro para o Banco Central representa a máxima dessa terceirização política. PT, PSDB e a maioria dos partidos políticos brasileiros seguem a cartilha (inclusive não duvido que o PC do B também siga). Talvez os resistentes sejam só o PSOL e PCO, mas não quer dizer que seja bom. Isso porque não acredito que tenha a consciência sobre a importância da política de pleno emprego como as pessoas deste site. E, sinceramente, também tenho dúvidas de que na hora “h”, esses partidos não caputulariam.
Talvez seja o momento de acabar com essa terceirização, responsabilizando o governo por sua política monetária. É isso.
Abraços,
Jefferson
#14 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 10 março, 2008 @ 4:50 pm
Caro Roberto,
concordo plenamente com suas posições com relação ao setor elétrico Brasileiro. O Governo Lula está fazendo uma gestão temerária do setor, está apenas ligeiramente melhor do que do governo anterior.
Mas é importante deixar claro que os maiores problemas do setor elétrico não decorrem de “aparelhamento”, mas pela manutenção de um sistema mercantil e pelas restrições impostas contra o investimento das estatais. é importante frisar isso, caso contrário, as pessoas vão achar que a solução seja privatizar a eletrobrás (e a solução é quase o contrário, não é?).
agora, uma dúvida minha, sobre “aparelhamento” das estatais elétricas, são principalmente petistas as pessoas sem preparo indicadas para esses cargos?
#15 Comment By Bruno On 10 março, 2008 @ 4:57 pm
Prezado Jefferson,
Também acho um bom debate. Mas, não acho que política monetária no Brasil é um detalhe. R$ 150 bilhões não são detalhes. Outra coisa essa mesma política fez o BC ter um prejuízo de R$ 48,5 bilhões. É muito mais do que o investimento social. Concordo todos os partidos relevantes são a favor do que denomino de política macroeconômica medíocre. O governo Lula é melhor do que o do FH. Mas, isso não significa que seja bom. Se compararmos com a Argentina, o Vietnã, a Índia, a Turquia vemos que o governo Lula é medíocre. Se compararmos com os feitos do JK e Vargas é medíocre. Se compararmos com os feitos de Cárdenas no México é medíocre. Em termos de realização, o que esse governo fez para melhorar a vida da população mais humilde? Em grande parte do mundo emergente, crescimento de 5% é sinônimo de crise. O desemprego ainda é algo muito grave no Brasil. Basta olharmos para as ruas. Crescer igual todos os paises pobres estão crescendo significa bem mais emprego. A saúde pública continua uma lastima. E achar que não tem como melhorar é mediocridade. Se tivessemos uma taxa de juros, como o Marrocos, ou o Peru, ou as Filipinas, ou da Indonesia, ou da Tailândia, ou da Índia, ou do Panamá, ou do México, ou da Colômbia, ou da China, ou do Uruguai, pouparíamos dinheiro para melhorar bastante a saúde pública. A maioria da populãção acha que a saúde pública piorou. Resumindo, as ações boas do governo (como programas sociais e o PAC) são muito tímidas. O governo está preso no governo FH. O Brasil pode muito mais. No passado, o governo brasileiro fez muito mais. E, atualmente, vários governos de países pobres fazem muito mais.
#16 Comment By blogdojefferson On 10 março, 2008 @ 5:20 pm
Prezados,
Gustavo, concordo contigo em relação aos principais problemas do setor elétrico. Teve um texto de sua autoria com mais algumas pessoas que li. Não entendo muito da área, mas achei pertinentes as conclusões daquele artigo.
Especificamente no setor elétrico, acredito que o governo errou a mão no aparelhamento. Mas o problema talvez seja por que o governo sempre diz que acontecerá mas nunca toma a decisão de colocar as estatais investindo pesadamente no setor. E se continua praticamente o mesmo na questão do investimento público na área, faz sentido manter a tal barganha política. Posso não gostar, mas é a vida. O governo só vai mexer nisso se decidir destravar o investimento das estatais.
Bruno, o governo é horrível na saúde. Precisa investir mais e melhor. E na educação, deveria estar investindo mais como proporção do PIB. Se o governo achava que não era possível no primeiro momento (duvido), deveria pelo menos traçar claramente uma política de crescimento do investimento nesta áreas (inclusive com instrumentos legais).
Mas não consigo achar que os exemplos que citou de governas são ou foram tão bons assim. Na minha visão, está super-avaliando esses governos.
Grande abraço,
Jefferson