Investimento no 1º bimestre cresce 46% e chega aos R$ 90 bilhões
Escrito por Imprensa, postado em 11 dEurope/London março dEurope/London 2008
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (restrito a assinantes), 09/03/2008
Economista do Bradesco também destaca o aumento no número de empresas que decidiu investir: 155
Por Marcelo Rehder
As empresas aceleraram o anúncio de novos investimentos, de olho na manutenção do crescimento da economia. No primeiro bimestre deste ano, os investimentos anunciados em todo o País totalizam R$ 89,8 bilhões. O valor é 46% superior aos R$ 61,4 bilhões de igual período de 2007.
Os números fazem parte da pesquisa Informe Semanal de Investimentos Anunciados, realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, e contabilizam o total dos anúncios feitos por empresas de origem nacional e estrangeira, além de estatais. Ao longo de 2007, os investimentos noticiados somaram R$ 720,8 bilhões, o que representou aumento de 14% em relação aos R$ 631 bilhões de 2006.
“O resultado mais expressivo da nossa sondagem é o forte incremento no número de empresas que têm anunciado investimentos produtivos”, afirma Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco.
Só no primeiro bimestre deste ano, foram 155 empresas, ante 82 no mesmo período de 2007, o que representou um salto de 89%. O valor médio dos empreendimentos, contudo, caiu de R$ 748,8 milhões para R$ 579,3 milhões na mesma comparação.
“As empresas que operam no Brasil têm se sentido mais à vontade para anunciar investimentos”, diz o economista. “Esse movimento, que não está concentrado em poucos setores, não estaria ocorrendo se as perspectivas para a economia brasileira não fossem positivas.”
Para acompanhar o ritmo de expansão da demanda, estimado em 15% ao ano, a General Motors, terceira maior montadora do País, anunciou investimento de R$ 350 milhões numa nova fábrica de motores, que deverá ser construída em Araguari ou Joinville, no interior de Santa Catarina. O projeto prevê produção inicial de 120 mil motores e 50 mil cabeçotes por ano, a partir de 2010, quando a fábrica deverá entrar em operação, com criação de 500 empregos diretos e 1,5 mil indiretos.
“A fabricação de motores é um gargalo em nossa produção”, diz José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM no Brasil.Segundo ele, no ano passado a montadora atingiu produção recorde de 500 mil veículos e faltou produção de motores. “Por isso, temos pressa.”
Os investimentos produtivos deverão continuar a crescer em ritmo bastante forte ao longo dos próximos trimestres, o que “é uma excelente notícia no atual cenário de elevada utilização da capacidade instalada, à medida que maturarem”, observa o economista.
Pilares
Segundo ele, são muito favoráveis as perspectivas para os dois componentes da formação bruta de capital fixo – o consumo aparente de máquinas e equipamentos e a construção civil. São vários os pilares que sustentam essa avaliação. “Em primeiro lugar, o clima de maior confiança empresarial deverá ser mantido, calcado na melhora de fundamentos e na conseqüente redução da volatilidade do crescimento.”
A despeito das preocupações recentes com o cenário global, especialmente com a economia americana, Barros ressalta que o cenário, principalmente para a demanda doméstica, “mantém-se benigno, calcado na expansão do crédito, da massa salarial e do emprego, principalmente o com carteira assinada”. Esses fatores, segundo ele, atuam positivamente nos dois componentes dos investimentos.
A Videolar, que atua na petroquímica e na fabricação de CDs e DVDs, planeja investir cerca de R$ 67 milhões na construção de uma fábrica de filmes de polipropileno biorientado (BOPP) em Manaus. O filme é usado para embalar produtos das indústrias alimentícias e de cosméticos, entre outras. A unidade deverá ter capacidade para produzir 2,5 mil toneladas por mês.
O diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco lembra ainda que há espaço também para elevação de investimentos voltados para as exportações, principalmente os que resultarem em agregação de valor aos bens vendidos em mercados cada vez mais concorridos. “Temos a contribuição do câmbio mais valorizado para modernizar o parque industrial do País.”
Para ele, o aumento vertiginoso das compras externas de bens de capital não está destruindo a produção doméstica desses bens, o que pode ser observado pelos dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, que apontou expansão de 19,5% da produção nacional em 2007.
“O detalhe relevante é que a difusão dessa produção doméstica tem sido cada vez maior”, diz o economista. “Vale destacar que a construção civil deverá ser adicionalmente favorecida pela expansão das obras no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).”
Segundo a pesquisa do Bradesco, no setor de petróleo e derivados, os investimentos anunciados em 2007 somam R$ 265 bilhões , quase 40% do total.
Mineração e siderurgia ocupou a segunda colocação, com R$ 86 bilhões. Em terceiro e quarto lugar ficaram, respectivamente, os setores de açúcar e álcool (R$ 41,7 bilhões) e de energia elétrica (R$ 30,2 bilhões).
Atual ciclo de expansão abrange todos os setores
O Brasil vive hoje o maior ciclo de expansão de investimentos depois da época do chamado “milagre econômico”, no fim dos anos 60 e início dos 70, quando o País estava sob o regime militar. Para o diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octavio de Barros, a atual onda de investimentos não pode ser comparada com a do milagre brasileiro.
O economista lembra que na época do milagre a opção foi investir em setores pesados, com investimentos liderados por empresas estatais, em um processo de substituição de importações.
“Agora, estamos vivendo um ciclo no qual praticamente todos os setores estão sendo contemplados, com elevada participação do setor privado e uma busca insaciável por maior produtividade, necessária em um ambiente cada vez mais competitivo e aberto à concorrência estrangeira”, afirma Barros.
“Acredito que essa mudança tem fortalecido as empresas, que estão cada vez mais eficientes”, acrescenta.
Para o economista, a tendência continua a ser de forte expansão dos investimentos para os próximos meses. “Deveremos ter um pouco de tudo”, diz ele, referindo-se ao perfil dos investimentos que devem ser priorizados pelas empresas este ano.
“Não creio que há um foco específico”, afirma. “Entre outros, os focos são a ampliação de capacidade, geração de maior valor agregado e redução de custos.”
O economista do Bradesco ressalta que há muito que se fazer para estimular ainda mais os investimentos em termos de avanços de infra-estrutura e qualificação da mão-de-obra, entre outros.
“Entretanto, o caminho está certo, o que tem sido possibilitado essencialmente pela redução das vulnerabilidades macroeconômicas nos últimos anos e a maior abertura comercial do País.”










