IMPRESSIONANTE!! Janeiro com déficit em conta corrente recorde da história do Brasil. O Banco Central está realmente se esforçando para nos levar para o BURACO
Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 12 dEurope/London março dEurope/London 2008
*Bruno Galvão
Os preços dos principais bens exportados pelo Brasil, como soja, minério de ferro, estão no maior nível. Mas, isso não foi suficiente para impedir que em Janeiro de 2008 tenha sido registrado o maior déficit em conta corrente para o primeiro mês do ano. Isso se deve a um déficit recorde na balança de serviços (US$ 1,3 bilhões) e na balança de rendas (US$ 4,3 bilhões). Imaginem quando o Brasil começa a ter déficit comercial.
Gráfico – Déficit em conta corrente no primeiro mês do ano
Fonte: Banco Central do Brasil

Clique no gráfico par aumentá-lo
Para quem não sabe o Brasil quebrou em 1999, por causa do elevado déficit em conta corrente. O Brasil não pode contar com a oposição e a imprensa, que continuam a blindar o Meirelles e centrar fogo em políticas “assistencialistas”.
O que eu temo é quando ficar claro que o déficit em conta corrente é insustentável o Meirelles use isso para justificar que o Brasil mantenha os mais altos juros reais do mundo e que não pode crescer a mais do que 4% ao ano. O problema é que foi exatamente esses juros altos que atraíram tanto capitais.
É triste que quando o Mantega diz que a forte valorização cambial que o Brasil teve (muitas vezes maior do que a média dos outros países emergentes) é resultado dos excelentes fundamentos do Brasil, ele esquece que esses excelentes fundamentos deveriam servir para que o Brasil tivesse uma taxa de juros real pelo menos parecida com a da média dos países emergentes. Temos a maior taxa de juros real do mundo. A taxa de juros na maior parte dos países emergentes é inferior a 2% ao ano.
*Economista pela UFMG, mestre em economia pelo Instituto de economia da UFRJ. Doutorando pela mesma instituição. Meus artigos











12 dEurope/London março, 2008 as 12:28 pm
Bruno,
parace que o trio Mercadante, Beluzzo e Delfim está tentando alertar o presidente Lula para a deterioração rápida das contas externas. É uma boa oportunidade para o presidente mostrar de que lado está. Comenta-se que o governo estuda voltar a taxar o capital especulativo, o que seria um bom primeiro passo, não acha?
12 dEurope/London março, 2008 as 1:29 pm
Prezados
O debate proposto é muito importante. Recomendo o post sobre a entrevista recente do polêmico Paulo Nogueira Batista Jr., representante brasileiro no FMI:
http://desempregozero.org/2008/03/11/forte-pero-no-mucho-entrevista-com-paulo-nogueira-batista-jr/
Trata-se de um debate mais construtivo do que persistir na discussão de que debater que o PT é diferente do PSDB. Alguns colegas já se transformaram, sem notar, em simplórios analistas de boas intenções do governo Lula.
Vamos tratar das reais opções de política econômica. Margens atuais de manobra existem no campo monetário. Para o curto prazo não há praticamente nenhuma necessidade de controle dos fluxos de capitais para que se abaixe gradualmente a taxa básica de juros brasileira, a Selic.
Curioso é que o BC brasileiro busca o tempo todo motivos para não fazê-lo. “Os preços dos alimentos subiram muito, há riscos de descontrole inflacionário (…)” Pois bem, segundo dados da FAO, os preços dos alimentos, ‘commodities’, subiram 37% no mundo em 2007. Fora, portanto, de controle do BC do doutor Meirelles.
Além disso, a média mundial das taxas básicas de juros nominais dos países se encontra na casa de um dígito. Descontada a inflação, muitos países estão na prática com taxas básicas de juros reais negativas.
Por aqui, o doutor Meirelles, plenamente amparado por Lula, pela oposição e pela grande imprensa, mantém a ortodoxia de galinheiro herdada dos tempos do sociólogo. Alguns podem até dizer que Lula não sabe ao certo o que está fazendo. Tudo bem, aí o debate é outro.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
12 dEurope/London março, 2008 as 3:31 pm
Prezados,
Também li que o Lula assistiu uma exposição do Beluzzo, Delfim e Mercadante sobre a questão do câmbio. O cenário que os três passaram para o presidente parece ser de deterioração muito rápida da conta de capitais. O governo novamente anuncia aquelas medidas que não resolvem o problema. Na verdade, a Fazenda deve estar perdida, sem saber o que fazer, já que não interfere na política do BACEN (essa só o Lula pode mexer).
Do ponto de vista político, acredito que o Lula pode mexer mais para frente, num cenário de contas externas ainda mais deteriado, porque não quer perder a simbologia de que é o presidente que acabou com a “vulnerabilidade externa”. E também quer o tal de “investment grade”. Qualquer ameaça nesse sentido, pode haver alterações mais drásticas na política cambial. É isso.
Abraços,
Jefferson