DÓLAR FRACO AMEAÇA ECONOMIA NORTE-AMERICANA
Escrito por leonunes, postado em 28 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes – Paris – O diário francês Le Monde destaca uma reportagem que trata do enfraquecimento da moeda reserva de valor do sistema capitalista: o dólar (clique aqui para ler a reportagem). A moeda norte-americana atingiu o seu nível mais baixo, em relação a outras divisas, nos últimos 35 anos. O jornal parisiense destaca a opinião de muitos economistas segundo os quais não se poderá restabelecer a plena confiança na moeda ianque.
Como diria o velho filósofo alemão, a História se repete como farsa. Esta não é a primeira vez que a moeda reserva de valor é questionada pelo mercado financeiro. Na década de 1970, com a crise do petróleo, o colapso do regime de Bretton Woods e a criação dos euromercados, muitos apostavam na derrocada do dólar.
Entretanto, o então presidente do Federal Reserve Bank (o Banco Central dos EUA), Paul Volcker, aumentou repentinamente a taxa básica de juros norte-americana. O dólar valorizou-se rapidamente, os fluxos de capitais fluíram em direção aos títulos de dívida do Tesouro americano e os países periféricos, já endividados, ficaram a ver navios, sem fluxos de dólar e sem liquidez internacional. O resultado foi a quebradeira geral da década de 1980, com moratória e superinflação.
Portanto, não há porque crer que o FED vá abrir mão da diplomacia do dólar forte, se necessário. O mundo de hoje é certamente diferente de outrora. Os mercados financeiros estão liberalizados, os regimes cambiais são flutuantes, a formidável expansão do mercado de derivativos e de sofisticados produtos financeiros torna mais difícil a supervisão da atividade financeira e o grau de alavancagem das operações aumentou significativamente, o que resultou numa correlação de forças entre Estado e mercado que pende mais para o segundo lado.
Não obstante, o governo norte-americano sabe o que representa ser o emissor da moeda reserva de valor do sistema. Mais do que importante economicamente, tal trunfo representa uma arma política. Se, por um lado, é sabido que as condições de intervenção são mais difíceis nos dias de hoje, por outro lado, não se pode subestimar a capacidade de autodefesa da maior potência global. Afinal, dinheiro é poder e poder é dinheiro.
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Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos











28 dEurope/London março, 2008 as 2:37 pm
Qdo uma moeda centralizadora das relações de capital, investimentos, referencial para débitos e créditos, ou transações transnacionais impacta uma tendência de desvalorização internacional, diminuindo a força do Estado em contrapartida do mercado internacional, certamente ocorrerá a coalizão de forças dominantes no Mercado para fortalecerem seu interesses finaceiros e de poder. Sob esta ótica, tal coalizão administrada por brilhantes economistas a serviço de determinados poíses interessados em enfraquecer a economia com eventos focalizados, tipo, apoio internacional para fortalecimento do Euro., acordo de produtores para efetiva negociação de reservas internacionais e comercio de petroleo ou derivados energéticos em euro, entre outras estratégias, juntamente com um conjunto de eventos negativos decorrentes da deficiente administração Jorge W. Bush, seria, fortes sinais para o previsto e esperado evento de queda do império americano e sua supermacia mundial? Este conjuntos de eventos merece uma avaliação de tendências de cenários econômicos e políticos possíveis de ocorrência no Século XXI. Gostaria de contar com sua opinião.
Atenciosamente.
Eng. Robson Silva, M. Eng.
Florianópolis, SC.
28/03/2008
2 dEurope/London abril, 2008 as 6:22 am
Caro João,
Não acho que seja tão simples por dois motivos: (i) um aumento das taxas de juros dos EUA podem ter efeitos nefastos na eocnomia mundial. Além disso, estamos em ano eleitoralpor lá… ; (ii) muitos economistas questionam hoje a capacidade de intervenção da autoridade monetária. Não estamos mais em 1979. A capacidade de ação do BC frente ao giro do mercado é menor. Os instrumentos de derivativos criam mais complicações ainda, etc.
2 dEurope/London abril, 2008 as 11:25 am
João,
o aumento repentino das taxas de juros foi exatamente o que provocou a crise de 29. O que o Friedman chamou de uma violenta contração monetária.
Com certeza eu duvido que os EUA queiram um repeteco.
Abraço