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DEBATE II, porque o conceito de poupança é subvertido para defender as políticas conservadoras do Banco Central

Posted By Gustavo On 27 março, 2008 @ 3:19 am In Desenvolvimento,Gustavo Santos,Política Brasileira,Política Econômica,Propostas de Mudanças para o Banco Central | 18 Comments

Gustavo Antônio Galvão dos Santos *

Caro Pedro,

Agradeço seus comentários novamente. Sobre o último post que publiquei:

** DEBATE **: O BANCO CENTRAL DO MEIRELLES ESTÁ CERTO OU ESTÁ SABOTANDO O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL [1]

Vou tentar pontuar esses argumentos, assim como os de outros colegas que comentaram.

Desculpe, vou usar um pouco de ironia, primeiro porque quero sublinhar as idiossincrasias de certas teorias, segundo porque estou muito cansado e está difícil ser mais suave, terceiro porque há umas coisas que são melhor compreendidas com um certo humor.

Obrigado,

Meus comentários estão em azul.

Pedro Disse:

Gustavo, não entendi seu argumento sobre poupança e investimento.

Imagine que João possui uma banana e Zeca, uma maçã. Ambos plantam as sementes de cada fruta (capital), trabalham e geram 11 bananas e 11 maçãs, respectivamente. Ou seja, o PIB (fluxo) é 10 bananas e 10 maçãs. Possivelmente (não é necessário), eles realizam trocas e cada um termina com cinco bananas e cinco maçãs para consumir no período em questão.

CASO 1: Se ambos consumirem as cinco bananas e cinco maçãs (ou a sua produção autônoma, caso não tenham ocorrido trocas), não há capital para o período seguinte, e a produção será menor, ou até mesmo zero, caso capital seja um insumo essencial (obviamente, como nesse exemplo e em toda a atividade agrícola). Recessão.

Caro Pedro,

Como eu já disse, não vivemos em um planeta onde só existe 2 pessoas e dois tipos de frutas e no nosso mundo banana não tem semente. Esse mundo imaginário que você criou não é adequado para compreender uma economia complexa como a que vivemos. Aliás, não serve para explicar qualquer economia que já existiu no mundo real, o que você está fazendo é igual a um físico que quer estudar o funcionamento de um helicóptero e diz: “suponhamos que a gravidade não existe. Posso concluir assim que o helicóptero se sustenta no céu, porque a gravidade não existe”.

Ora, Pedro, você fez uma suposição (aliás, várias) equivalente ao físico que jogou a gravidade para debaixo do tapete, leia:

“Se ambos consumirem as cinco bananas e cinco maçãs [ou seja, todo o capital], não há capital para o período seguinte, e a produção será menor, ou até mesmo zero”

O mundo real onde nós vivemos o capital não consumido de um ano para o outro. Todo o maquinário que estava um mês ou um ano atrás continua lá, tirando algumas partes que se desgastaram e foram trocadas. É óbvio que a recessão não é causada porque o capital acabou ou mesmo diminuiu. Se sua teoria do mundo mágico da banana e da maça fossem adequadas para explicar o mundo real dos seres humanos a recessão seria causada pela falta de máquinas e, portanto, na recessão a capacidade ociosa das empresas não aumentaria. Mas no mundo real, quando ocorre recessão as máquinas ficam ociosas e prontas para funcionar caso haja demanda para o que elas produzem.

Como eu disse antes, você ao tentar explicar o que é poupança, confunde fluxo com estoque. Por isso inventa-se que se consumirmos toda as maçãs, acabará todo o capital. Não faz sentido, não é?

CASO 2: Caso consumam, no agregado, apenas 19 bananas e 19 maçãs, estarão na mesma situação inicial no período seguinte, com uma unidade de cada fruta como capital, podendo alcançar o mesmo “pib”. Estagnação.

Repito, o que escrevi acima. Bananas e maçã não são maquinário e esse não pode ser comido porque é feito de aço e chips de silício.

CASO 3: Caso consumam, no agregado, apenas 18 bananas e 18 maçãs, serão capazes de atingir “pib” de vinte maçãs e vinte bananas no período seguinte (se não houver mudança no plantio com aumento da quantidade – talvez um pouco menos ou um pouco mais, se a tecnologia mudar). Ou seja, com diminuição do consumo, houve crescimento econômico.

É óbvio! Se as pessoas não comecem o maquinário das fábricas no café da manhã e plantássemos caminhões no quintal para nascerem pezinhos de ônibus, certamente o PIB cresceria…

Pedro, me desculpe, você é um cara muito legal e está sendo muito leal nessa conversa, mas não pude resistir à ironia.

Não posso deixar de destacar que seu exemplo, não é cabível para explicar o que estamos tratando.

Pedro, o capital não deixa de ter capacidade de produzir de um ano para o outro, capital não e uma semente de maça e muito menos de banana (aliás, essa eu nunca nem vi), o capital é fixo, como dizem os economistas.

Nesse caso simples, as decisões de (fluxo de) consumo afetaram diretamente o (fluxo de) poupança/investimento (que, como você mencionou, no final das contas serão sempre iguais por uma identidade contábil, mas ainda assim são afetados pelas decisões de consumo (ilógico. uma indentidade contábil não pode ser afetada por nada, ela é o que é por definição)). Nesse caso, o crescimento econômico é afetado pela escolha entre consumo e poupança, já que essa última se transforma em investimento.

Pedro,

Já tentei explicar no post anterior, poupança não pode ser transformar em investimento porque ela é um nada. Não existe. Ela é só a contrapartida contábil do investimento. O que faz investimento é trabalho e matérias-primas reais, aço, plástico, circuitos eletrônicos, etc. E ele é financiado com dinheiro e não com “poupança”.

(a história talvez fosse melhor se eu escolhesse frutas em que o consumo necessariamente destrói a semente… sei lá, uvas e acerolas sem tecnologias de “retirada de caroço”… espero que a ilustração tenha ficado clara mesmo assim)

Não é essa a questão.

A idéia é que, ao menos nesse caso, não se aplica o argumento: “OU SEJA, NÃO IMPORTANTO O QUANTO O JOÃO CONSUMA DE SUA RENDA A POUPANÇA TOTAL DA SOCIDEDADE SERÁ SEMPRE IGUAL.”

Claro que esse exemplo simples não captura todos os determinantes de poupança e investimento. Nem é esse o objetivo. Procurei apenas ilustrar minha idéia de que escolhas de consumo são um dos fatores a afetar investimento e crescimento econômico.

Certamente, o consumo afeta o investimento e o crescimento econômico. Mas de forma inversa a que você diz. O aumento do consumo aumenta o crescimento econômico porque aumenta a renda e o emprego. Aumenta também o investimento.

Novamente, agradeço pela atenção dada às questões que coloquei. Acho muito importante a existência de espaços abertos de discussão.

Um abraço,

Pedro

15.      Pedro Disse:

março 26, 2008 às 2:10 pm e

Nota: o comentário anterior ignorou a existência de um sistema de crédito, importante exatamente por permitir investimento além de poupança (ou, por outra, consumo e poupança/investimento além da produção). A questão é que tal sistema permite esse descolamento (que é altamente benéfico para a sociedade) apenas temporariamente – uma hora, o empréstimo tem que ser pago. Ou seja, em algum momento, vou ter que restringir meu consumo para pagar por um investimento, ainda que essa restrição seja feita sobre uma produção muito maior, porque o investimento que o empréstimo permitiu foi benéfico (retorno superior à taxa de juros cobrada pelo banco).

Esse efeito de realocação intertemporal de recursos (perdoem o pedantismo) é capaz de expandir fortemente a produção total. Dessa forma, a restrição enfrentada por João e Zeca seria muito menos relevante. Ainda assim, não desapareceria, pois empréstimos são pagos em algum momento.

MUITO BOM!!!

ESTAMOS FALANDO DE ECONOMIA REAL!!

É ISSO AÍ!

Considerando o crédito estamos falando da economia que conhecemos.

Sua argumentação foi muito boa, você disse que devido ao crédito (há também outras razões) não é necessário deixar de consumir nada para ter que ser fazer um investimento. É verdade!

Mas além do crédito, a existência de ativos financeiros e dinheiro guardados também permite que isso aconteça.

Mas diz que isso acaba de alguma forma não sendo sustentável no longo prazo porque os empréstimos precisam ser pagos. Haveria restrições a essa processo.

Mas, veja bem, o fato dos empréstimos serem pagos, não implica que o empresário deixou de acumular capital. O investimento que os empréstimos financiaram gerou lucro mais do que suficiente para pagar os juros. Nos próximos investimentos, ele tomará empréstimos novamente. E o processo pode seguir indefinidamente. Ou seja, nunca será necessário reduzir o consumo para viabilizar o investimento. A não ser que…

não existam desempregados naquele país. Bem, no Brasil existem desempregados.

17.      zé Disse:

março 26, 2008 às 2:38 pm e

Prezado Gustavo

Sua explicação a respeito de poupança me deixou algumas dúvidas.Escreverei meu ponto de vista. Continuarei com debate que tem sido tão cordial.

Substituirei alguns trechos por … (por uma questão de espaço):

… NA ECONOMIA POUPANÇA É FLUXO…

ok, ninguém duvida

Acho que não, mais abaixo você duvida. Fluxo é uma medida de variação em um período de tempo, não é? Então? Lá embaixo você não quer mais acreditar nisso.

…SENTIDO MACROECONÔMICO POUPANÇA É APENAS A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL DOS GASTOS QUE SÃO CONTABILIZADOS COMO INVESTIMENTO… QUANDO VOCÊ REGISTRA UM GASTO COMO INVESTIMENTO A CONTRAPARTIDA NÃO PODE SER REGISTRADA COMO CONSUMO…. MAS É SÓ UM DÉBITO, DIZER QUE POUPANÇA EXISTE É COMO DIZER QUE O DÉBITOS EXISTEM OU QUE A CHINA ESTÁ SE DESENVOLVIMENTO POR CAUSA DOS DÉBITOS CONTÁBEIS…

acredito que vc se refereiu apenas ao sentido contábil da poupança e não macroeconomico.

Prezado Zé,

São a mesma coisa, obviamente, ou você acha que os dados que conhecemos e trabalhamos da macroeconomia não são calculados pela Contabilidade Nacional do IBGE??

A decisão de poupar ou consumir (no sentido macroeconomico) em um periodo é um problema intertemporal e depende das expectativas dos agentes a respeito do futuro de sua renda, das taxas de juros, etc. A poupança é resultado dessas decisões dos agentes heterogêneos. No sentido contábil, ainda que o investimento seja zero, a poupança doméstica poderá ser positiva havendo contrapartida na conta corrente.

Óbvio, como eu disse no outro post, a poupança privada é contrapartida do investimento, do superávit em conta corrente e do déficit público.

…MICROECONÔMICO POUPANÇA CONTINUA SENDO NADA, MAS É UM NADA UM POUCO DIFERENTE, ELA É A UMA CONTA DE RESÍDUO DA CONTABILIDADE DO FLUXO DE RENDA. É CALCULADA DA SEGUINTE FORMA SUBTRAÍ-SE A RENDA DO CONSUMO E SE OBTÊM A POUPANÇA. ELA É APENAS A RENDA INDIVIDUAL QUE NÃO FOI GASTA NAQUELE PERÍODO EM QUE O FLUXO É MEDIDO…

reitero meu ponto anterior. Ao dizer que a poupança é apenas um reziduo acredito que vc menospreza todos os incentivos que leva um agente a consumir ou poupar. Poupar, não é um reziduo. É uma atitude que viza a suavização intertemporal do consumo e é tomada a partir das preferências intertemporais dos agentes e dos incentivos que a econimia dá

Desculpe-me isso é blábláblá para desviar da questão. Poupança é estritamente e unicamente Renda menos consumo. Mais nada. Você não pode alterar essa definição universal ao seu bel prazer.

MAS UMA COISA É PRECISO ESTAR CLARA, É IMPOSSÍVEL AUMENTAR A POUPANÇA DA SOCIEDADE REDUZINDO O CONSUMO…SE VOCÊ TEM R$ 100 GASTA COMPRANDO UM CAIXA DE BANANA DO JOÃO, O JOÃO TERÁ UM RENDA DE R$ 100 E TAMBÉM UMA POUPANÇA DE R$ 100…

acredito que nesse caso o joaão não tenha uma poupança de 100, e sim tenha tido uma renda de 100.

Você pode acreditar em qualquer coisa, até em Duendes. Mas a definição de poupança é clara. Se alguém ganhou 100 reais e não gastou, ele, por definição, poupou 100 reais, pelo menos até aquele momento. O que ele vai fazer no futuro ninguém sabe. Estamos falando do conceito de poupança e não de astrologia.

A partir disso, é que ele tomará a decisão de consumir ou poupar

SE O JOÃO GASTA R$ 60 COMPRANDO UM INGRESSO PARA UM SHOW DO ZECA PAGODINHO, SUA POUPANÇA PASSARÁ A SER R$ 40…

claro

O ZECA TERÁ UMA RENDA DE R$ 60 E UM POUPANÇA IMEDIATA TAMBÉM DE R$ 60….

o zaca ainda não decidiu poupar ou consumir… ele teve apenas uma renda de 60.. novamente, poupança não é contabilidade é fruto de um processo decisório dos agentes.

A contabilidade serve para se registrar os efeitos econômicos desse processo decisório. Poupança é Renda menos consumo. O registro econômico de um processo decisório. Esse método se chama de contabilidade e existe há mais de 400 anos. Se inventar outra coisa melhor me chame para ser seu sócio.

( talvez o problema seja esse conceito de poupança imediata que desconheço na literatura economica)

Não é um conceito de poupança imediata. É o conceito de poupança. Um fluxo de renda medido no tempo que pode ser um ano, um mês ou um dia. Poupança é a renda obtida em um certo período menos o consumo realizado no mesmo período. Pode ser de uma pessoa, de uma cidade ou de um país.

MAS SE O JOÃO DESISTIR DE IR AO SHOW E GUARDAR OS R$ 60, ZECA NÃO TERÁ RENDA E POUPANÇA,….

zeca não terá tido renda… se ele não teve renda como poderá ter decidido sobre consumir ou poupar de uma renda que ele nem imaginava que existia

EXATAMENTE!

MAS JOÃO CONTINUARÁ COM R$ DE POUPANÇA….

Claro

Claro!

OU SEJA, NÃO IMPORTANTO O QUANTO O JOÃO CONSUMA DE SUA RENDA A POUPANÇA TOTAL DA SOCIDEDADE SERÁ SEMPRE IGUAL….

essa sua conclusão vem do uso equivocado do conceito de poupança nos pontos anteriores ( conforme foi explicado)

eu expliquei: Poupança é igual à renda menos o consumo

 você não explicou.

…JÁ, SE O INVESTIMENTO AUMENTAR, ELA AUMENTA POR TAUTOLOGIA PORQUE ELA É APENAS A CONTA DE DÉBITO CONTÁBIL DO INVESTIMENTO NA CONTABILIDADE NACIONAL…

numa economia aberta, não é necessariamente verdade. (em todo caso, todo uso tem fonte (uai, usos e fontes, agora você está gostando de contabilidade?), não havendo almoço grátis e tudo deverá ser pgao, não necessariamente nomesmo período)

não entendi

A CHINA TEM UMA PRONPENSÃO A CONSUMIR BAIXA…

Ok, acredito em vc (desconheço os dados)

E UM INVESTIMENTO QUE CRESCE MUITO RAPIDAMENTE,

Ok, acredito em vc (desconheço os dados)

POR ISSO É CONTABILIZADO NO FINAL DO ANO COMO TENDO UMA ALTA RELAÇÃO INVESTIMENTO/RENDA

Ok, acredito em vc (desconheço os dados, e uma coisa ter alto crescimento não necessariamente implica que ela já é grande )

E, PORTANTO, POR TAUTOLOGIA POUPANÇA/RENDA (TEM OUTRAS QUESTÕES TAMBÉM, POIS A POUPANÇA É A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL TAMBÉM DO DÉFICIT PÚBLICO E DO SUPERÁVIT EM CONTA CORRENTE, QUE É ALTO NA CHINA)….

O fato de haver superávit em conta corrente diz que a poupança doméstica é maior que o investimento total, inclusive.

Sim.

No entanto, a falha em seu argumento está em a partir de uma tautologia fazer uma inferência de causalidade ( o que está bem implícito na sua argumentação)

De jeito nenhum. Não fiz isso. Você precisa mostrar onde, porque nem consigo imaginar onde eu poderia ter dito algo parecido. O que eu usei acima foi o conceito de multiplicador keynesiano.

Outra coisa, você disse que eu parti de uma tautologia. Qual tautologia? A de que em uma economia aberta e sem governo poupança é igual ao investimento por tautologia.

Você confirma que isso é uma tautologia? Ou acha que não é?

Se acha, você entrou em contradição.

Primeiro você ainda não assumiu que o investimento e a poupança é uma tautologia. Se é uma tautologia, sua confusa explicação de poupança, que diz que ela é uma decisão intertemporal, não seria válida, pois, se poupança e investimento são uma tautologia, só um dos dois conceitos pode ser resultado de uma decisão. Por lógica. Mas não espero que você acredita que não exista a decisão de investir, ela existe, portanto a decisão de poupança não poderia existir, se for uma tautologia. O que de fato é verdade.

Você entrou em contradição, poupança e investimento não podem ser resultados de decisões autônomas e ao mesmo tempo serem tautologia.

SE A CHINA TIVESSE UMA ALTA PROPENSÃO A CONSUMIR E MANTIVESSE O MESMO NÍVEL DE INVESTIMENTO, A TAXA DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA SERIA MAIOR.

Da tautologia, vc fez uma inferência de causalidade ( que pode até ser verdade, mas não é uma conseqüência lógica de nada que vc disse).

Não fiz isso que você diz, apenas usei o conceito de multiplicador

Te diria que, ceteris paribus, um maior consumo torna impossível manter o mesmo nível de investimento.

Por que não?

O INVESTIMENTO NÃO PRECISA DE POUPANÇA. ISSO É COMPLETAMENTE ILÓGICO, COMO VC DEVE TER ENTENDIDO NA EXPLICAÇÃO .. PARA SER VIABILIZADO O INVESTIMENTO PRECISA DE DINHEIRO OU CHEQUE…

De onde vc acha que veio o dinheiro ou cheque?

Do banco, ora. De onde você acha que veio?

SE AS PESSOAS QUE QUEREM COMPRAR MÁQUINAS TEM DINHEIRO OU CRÉDITO NO BANCO ELAS COMPRAM E PONTO.

Isto é, ou poupam ou se endividam

Peguei você! Você disse (aceitou) lá em cima que poupança é fluxo e estamos falando de dinheiro para comprar máquinas. Dinheiro é estoque. Como eu disse, os economistas ortodoxos quando falam de poupança estão pesando em estoque, ou seja, caderneta de poupança.

A “TAXA DE POUPANÇA” (QUE É NA VERDADE A TAXA DE INVESTIMENTO) NÃO TEM NADA COM RELAÇÃO A ISSO. NA CHINA TER DINHEIRO OU CHEQUE PARA COMPRAR AS MÁQUINAS NUNCA FOI UM PROBLEMA PORQUE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS E EMPRESTAM SEM MUITA EXIGÊNCIAS DE GARANTIAS.

É sempre bom lembrar que não existe almoço grátis (vide subprime)

O que esse chavão tem a ver com o que eu estou dizendo?

Nunca ouvi falar de crédito, cheque, essas coisas?

E ENTÃO PORQUE O INVESTIMENTO É TÃO GRANDE NA CHINA E TÃO BAIXO AQUI? SIMPLESMENTE PORQUE LÁ É LUCRATIVO INVESTIR E AQUI NÃO É. SE É LUCRATIVO, HÁ PERSPECTIVAS DE LUCRO, OS EMPRESÁRIOS ACABAM CONSEGUINDO DINHEIRO OU CRÉDITO PARA INVESTIR, PRINCIPALMENTE LÁ, REPITO, ONDE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS. E PORQUE OS INVESTIMENTOS LÁ SÃO TÃO LUCRATIVOS? PORQUE LÁ A DEMANDA CRESCE MUITO RÁPIDO INTERNAMENTE E NO EXTERIOR (EM DECORRÊNCIA DA ALTA COMPETITIVIDADE). NINGUÉM INVESTE PARA FICAR COM AS MÁQUINAS PARADAS. AS PESSOAS INVESTEM PARA ATENDER A DEMANDA PELOS PRODUTOS QUE PRODUZEM E ASSIM GANHAR DINHEIRO QUE VAI SERVIR ATÉ PARA PAGAR O EMPRÉSTIMO QUE PAGOU A MÁQUINA.

Vc passa supercialmente pelo fato realmente importante. Pq lá é mais lucrativo, ou seja, pq lá cresce mais? É a pergunta de um milhão de dólares

Não vale isso tudo. Não é difícil responder. Lembre-se da história recente da China, o crescimento vultuoso começou com um acordo entre China e Kissinger (Estado Unidos), os chineses permitiriam investimentos estrangeiros em manufaturas de exportação. Os salários e outros custos muito baixos faziam com que esses investimentos de exportação fossem muito lucrativos. A partir desses investimentos a economia foi crescendo. Poranto, poderíamos afirmar que cresce mais porque é mais lucrativo, nesse caso Chinês. Mas não podemos desconsiderar o papel do governo em uma economia que era quase 100% estatal.

Mas o início do crescimento inicialmente dos anos 80 foi baseado na exportação. Essa pergunta na verdade restringe a resposta a uma falsa dicotomia, porque não existe apenas um tipo de investimento. Existem por exemplo investimento no mercado interno que são lucrativos porque a economia cresce e investimento em exportação que são lucrativos independentemente do crescimento da economia.

Atenciosamente

Obrigado Zé, pelos comentários.

abraços

18.      Heldo Siqueira Disse:

março 26, 2008 às 2:49 pm e

Pedro e Gustavo,

se entendi o que o Pedro falou, o capital (as sementes) surgiram do nada, o que não acontece na realidade. O capital é uma mercadoria, como as frutas que vai gerar. Nesse caso, a semente dentro da fruta não é nem capital nem poupança. Apenas o trabalho, ou o ato de retirar as sementes da fruta, é que produzem o que o Pedro chama de capital e, permitem a acumulação.

Se seguirmos a lógica inicial do Pedro (mesmo para uma economia de escambo), as rochas e árvores são poupança, pois podem ser organizadas (investidas) de maneira a gerar acumulação. Mas na verdade, o investimento é o ato de empregar mão de obra para tornar a “poupança” mercadoria. Nesse caso, a poupança não serve para nada sem investimento!

Ou seja, vc só pode determinar quando a poupança deixa de ser poupança para se tornar mercadoria depois que há o investimento. Dessa forma, apenas se houver um investimento prévio é que poderemos tornar ativos como petróleo, minério, ou mesmo ouro, em mercadorias. Portanto, não é a poupança que gera o investimento, mas o investimento que gera a poupança!

Heldo, é mais ou menos isso. Na verdade, o investimento “gera” a poupança por tautologia, a poupança é apenas a contrapartida contábil do investimento. Tem que tomar cuidado para não nos confundirmos nessas ilustrações.

Abraços

19.      Pedro Disse:

março 26, 2008 às 3:21 pm e

Entendo que o papel moeda está presente implicitamente no caso apresentado: é apenas um caso particular, um título (empréstimo) que paga taxa de juros nominal igual a zero cuja emissão é de monopólio de um único banco (BC).

A importância desse título específico é que, mesmo não pagando juros, possui credibilidade – seu portador sabe que será aceito em qq ponto do país, o que facilita as trocas ao tornar o escambo desnecessário. No caso de João e Zeca, apenas tornaria mais provável o caso em que há troca de bananas por maçãs.

O importante é que uma maior facilidade na realização de trocas não afeta a relação de restrição entre consumo e poupança/investimento. Ainda que influencie o bem-estar, pois cada indivíduo terá maior facilidade para adquirir bens que não produz.

No exemplo, acho que fica claro que essa restrição não seria afetada. Não importa que uma banana seja trocada por uma moeda, que depois será trocada por uma maçã.

Na minha maneira de ver, a única coisa que muda em relação ao mundo real é que, no exemplo, a presença de moeda não facilitaria significativamente as trocas, enquanto no mundo real esse “papel facilitador” é extremamente importante.

As demais funções da moeda tampouco me parecem relevantes. Como unidade de valor, novamente serve apenas para facilitar negócios. Como reserva de valor, serve para reduzir o custo de manter estoques de riqueza (o que torna a economia mais rica e produtiva, mas não afeta a restrição colocada).

Gostaria de saber sua opinião a respeito do seguinte: através de que canal (que não o de facilitação de trocas, irrelevante para a relação consumo – poupança/investimento) a presença de “dinheiro” pode afetar tal relação, e como isso ocorreria.

A questão é o seguinte. Em uma economia de escambo simplesmente não existe o conceito de poupança. Existe apenas o conceito de investimento e de consumo. Por exemplo, se você está em uma economia imaginária, onde só existe milho, o milho pode ser usado apenas para consumo e para investimento (estoque de semente). Suponha que você plantou e colheu 100 sacas de milho e colocou no armazém no dia 31 de dezembro. Se o IBGE contabilizar essa economia não poderá dizer que essa economia consumiu nada, porque o milho não foi consumido, está guardado. Se no ano seguinte você consumir 80 sacas e guardar no armazém 10 sacas e plantar no solo mais 10 sacas, você terá investido 20 sacas, sendo que 10 em sementes armazenadas e 10 em sementes plantadas.

Você pode querer chamar o que estou chamando de investimento de poupança. Tudo bem. Mas nesse caso o conceito investimento não pode ser usado, porque eles tratam exatamente sobre o mesmo objeto. Ou seja, eles são sinônimos em uma economia de escambo. Sinônimo é um tipo de tautologia.

Em uma economia com dinheiro, só existe renda no processo de venda de mercadorias produzidas ou serviços prestados (incluo trabalho). E o processo de troca sempre terá 2 lados, alguém que vende uma mercadoria (Zeca) e alguém que paga em dinheiro (ou cheque) (João). A contabilidade nacional tem partidas dobradas exatamente porque um lado (o crédito) registra a venda da mercadoria pelo João e o outro lado que registra a compra a mercadoria pelo Zeca (o débito). Por isso que existe os dois métodos de calcular o PIB: somando todas as rendas obtidas ou somando todas as coisas produzidas e vendidas. Em um método se conta os créditos e em outro se conta os débitos. Mas é a mesma coisa, uma tautologia. Quando uma mercadoria que é vendida não é classificada como bem de consumo, mas como bem de investimento. O registro da compra do bem de investimento (débito) se chama na macroeconomia de investimento e o registro (crédito) da venda do bem  de investimento se chama poupança. O engraçado é que na realidade, o registro do crédito que chamamos de poupança é dado pela renda obtida do vendedor da máquina e não do comprador como está na cabeça dos economistas ortodoxos que se confundem achando que poupança é estoque e não fluxo.

21.      Economista 1 Disse:

março 26, 2008 às 6:25 pm e

Gustavo escreveu:

“…JÁ, SE O INVESTIMENTO AUMENTAR, ELA AUMENTA POR TAUTOLOGIA PORQUE ELA É APENAS A CONTA DE DÉBITO CONTÁBIL DO INVESTIMENTO NA CONTABILIDADE NACIONAL…”

Meu deus, se voce fosse meu aluno de graduacao, voce estaria bombado… Nao sabe conhecimentos basicos de macroeconomia.

O investimento eh igual a soma da poupanca interna e a poupanca externa (que tambem atende pelo nome “deficit da conta corrente do balanco de pagamentos”).

Por tautologia, caro economista 1. não estou brigando com as tautologias. Essa tautologia não é contraditória com o que eu disse.

Isso não significa que o aumento do investimento não aumente a poupança. Você está precisando entender o que é poupança e investimento. Você está precisando considerar os microfundamentos. A contabilidade nacional é um agregação de milhões de de ações econômicas individuais.

 Expliquei no texto acima. Sugiro, se for possível, ler alguns pontos.

7.         joao Disse:

março 26, 2008 às 10:46 pm e

Juros reais acima de 10%? Nao e do brasil que vc ta falando.

Claro que é. Estou me referindo à essa política econômica de juros altos do banco central iniciada ainda nas primeiras preparações do plano Real. De lá pra cá, os juros permaneceram muito freqüentemente acima de 10% reais.

Um grande abraços a todos.

Desculpem as brincadeira e ironias, não foi por mal.

Não pude responder mais comentários porque já são mais de 3 horas da manhã.

Abraços,

CONTINUAÇÃO DO DEBATE:

CLIQUE AQUI: “Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”: como subverter o significado do conceito ‘poupança’ para fins conservadores. ** DEBATE III ** [2]

* Gustavo Antônio Galvão dos Santos: Editor.Mineiro de BH. Economista pela UFMG e mestre e doutor pelo Instituto de Economia da UFRJ. Meus artigos [3]


18 Comments (Open | Close)

18 Comments To "DEBATE II, porque o conceito de poupança é subvertido para defender as políticas conservadoras do Banco Central"

#1 Pingback By ** DEBATE **: O BANCO CENTRAL DO MEIRELLES ESTÁ CERTO OU ESTÁ SABOTANDO O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL « Blog do Desemprego Zero On 27 março, 2008 @ 3:24 am

[...] DEBATE II, porque o conceito de poupança é subvertido para defender políticas conservadoras [...]

#2 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 27 março, 2008 @ 1:34 pm

Prezados

Keynes realmente é um mistério para muitos ainda. O debate está ótimo. Creio ser importante ressaltar que investimento e poupança são os dois lados da mesma moeda. Em ‘Teoria geral’ (1936), Keynes demonstrou que, para o curto prazo, não é necessário haver poupança para que investimentos sejam efetivados na economia.

A perspectiva da demanda efetiva é crucial para instigar o tal espírito animal do empresariado. O Estado possui os instrumentos de gestão macroeconômica para tanto.

Poderíamos citar diversos casos exemplares da segunda metade do século XX. A impressionante recuperação da Europa no pós-guerra, no entanto, chama atenção pela rapidez com que o ativismo macroeconômico de Estado colocou as economias social-democratas em pé. Certamente o Plano Marshall contrabalançou a inicial fuga de capitais da Europa e ajudou no processo de reconstrução.

O caso do Leste asiático é interessante. Como escreveu João Paulo de Almeida Magalhães, a perspectiva de crescimento trouxe investimentos estrangeiros, gerou lucros e fez com que parte dos mesmos retornassem constantemente para irrigar novos sistemas produtivos locais. Um círculo virtuoso…

Um abraço,

Rodrigo L. Medeiros

#3 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 27 março, 2008 @ 3:54 pm

A Frase do Keynes era mais ou menos o seguinte:
“Tentar convencer um financista de que o governo deve atuar ativamente para reduzir o desemprego, é tão difícil quanto convencer um padre do século XIX (do Darwinismo) de que o homem vem dos macacos, quanto melhor o seu argumento, mais ofendidos eles se sentem”.

#4 Comment By Bruno On 27 março, 2008 @ 5:40 pm

Nossa,
Excelente frase do Keynes. Ele não é normalmente tão explicito quanto o Kalecki. Onde ele escreveu isso?

#5 Comment By …. On 27 março, 2008 @ 5:48 pm

Gustavo

“poupança é causa necessária para o investimento”
O que isso quer dizer?

abraço

#6 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 27 março, 2008 @ 6:27 pm

Acaba? não vi porque.
se você viu onde acaba, me ajude a encontrar porque.
obrigado.

#7 Comment By Heldo Siqueira On 27 março, 2008 @ 7:23 pm

Peraí gente!!!

Essa história de maçãs, bananas e frutas não está com nada…

Poupança é investimento!!! Isso é uma identidade (no curto, no médio, no longo e em qualquer prazo que se queira estabelecer)!!!

A questão é que poupança não é o ato de se abster do consumo. Só é o ato de se abster do consumo se vc se abstiver e emprestar para alguém que invista (lei de Say).

Se vc se abstiver do consumo para deixar o recurso parado é pq o recurso está ocioso e a economia saiu do pleno emprego… Simples assim!!!

Agora, se os gênios neo-clássicos quiserem saber se a economia está no pleno emprego ou não (se vale a lei de Say) procurem na carteira e analisem se existe qualquer moeda de R$ 0,10 a economia não está no pleno emprego (simples assim!). Pq tem uma parte dos recursos simplesmente que não está sendo utilizado (não acredito que dinheiro na carteira seja investimento, se alguém acreditar, acabou a discussão!)

Agora, se alguém achar que ela vai tender ao equilíbrio, vou logo avisando que gosto de manter dinheiro na carteira, de forma que a não ser que tomem minha grana a força, o motivo pelo qual a economia real nunca estará no pleno emprego (estado estacionário) é pq EU sempre manterei um dinheirinho na carteira (não tem choro nem vela!).

Abraços e vamos discutir olhando a realidade não bananas hipotéticas…

#8 Comment By Rodrigo Medeiros On 27 março, 2008 @ 8:38 pm

Prezados

Cuidado com a cacofonia produzida pelo neoliberalismo e seus adeptos. Gastar tempo para buscar contradizer Keynes, como pretendem alguns, é pura perda de tempo.

Pessoas muito capaciadas intelectualmente, com o foi o caso de Joseph A. Schumpeter, não lograram sucesso no século XX. “Há problemas de longo prazo” resmungavam alguns. Mas lá, dizia Keynes, estaremos todos mortos. Os pós-keynesianos estão aí construindo associações e buscando influenciar de forma consistente os debates macroeconômicos.

Um abraço,

Rodrigo L. Medeiros

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#11 Comment By Heldo Siqueira On 28 março, 2008 @ 10:06 am

E quanto ao que falei sobre o método estatístico, vou dar um exemplo…

Quando vai se medir o PIB, vc soma a quantidade total de mercadorias e serviços prestados na economia. E organiza uma parte como consumo, outra como investimento, outra como gasto público e outra como exportações líquidas. Agora, se vc estimar o consumo, o investimento, o gasto público e as exportações líquidas e somá-los de novo e, de outro lado estimar a renda, é claro que vai ser igual ao PIB.

Se encontrar algum desvio foi erro na medição, não é erro estatístico.

Para problemas menos abrangentes, em que efetivamente existe erro estatístico, não existe problema. Estou falando que o método estatístico não serve para a macroeconomia.

abraços

#12 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 28 março, 2008 @ 6:39 pm

Obrigado Fabiano!
Você foi muito preciso em seu comentário!
e nos enriqueceu com excelentes citações!

Sugestão de leitura para quem que fazer um bom debate, democrático, racional e honesto:
[4]
[5]
abraços

#13 Comment By Fabiano Dalto On 29 março, 2008 @ 9:29 am

Caro Economista1(?),

Acho que agora entendi seu ponto: voce nao sabe e nem quer saber o que Keynes disse em sua Teoria (para voce que nao leu nem sequer sabe onde Keynes se situa no espectro do pensamento economico). Basta uma repeticao simples de modelinhos (como voce diz) com conceitos mal-fundamentados e bola pra frente. Prova disso e sua absoluta falta de criterio ao colocar Hicks e Lucas, por exemplo, no mesmo bloco como se estes nao tivessem desenvolvido teorias bastante diversas.

Neste caso, acho que nosso “debate” nao evoluira de uma questao de opiniao sua e de evidencias minhas. Pois, minha contestacao, estava bem claro, era para a absoluta falta de fundamentacao de seu argumento de que hoje “Todo mundo e Keynesiano”, inclusive voce. Seus argumentos sobre poupanca nao sao consistentes com a Teoria de Keynes. Em seu argumento teria sido melhor voce dizer que Keynes estava errado por isso e por aquilo e que hoje ou nunca sua Teoria pode se aplicar ao mundo em que vivemos (pois a economia internacional ou aberta existiu mesmo antes de Keynes!).

A questao das escrituras so merece um adendo. Estudar os grandes autores da economia e minha obrigacao de pesquisador e professor. A ignorancia deles nao me faria nenhum favor, muito pelo contrario. Outra coisa e achar que os mesmos carregam a verdade absoluta. Seja la como for, so poderia julgar isso lendo-os. Como voce nao o faz nunca sabera. Pior para seus alunos e quem tem que ler o que escreve, que terao de conviver com sua falta de conhecimento dos grandes economistas do pensamento economico.

Abracos,

Fabiano

#14 Comment By Heldo Siqueira On 29 março, 2008 @ 8:46 pm

João,

a teoria keynesiana é perfeitamente pertinente com a economia brasileira.

“O professor von Mises propôs uma teoria peculiar da taxa de
juros, a qual foi adotada pelo professor Hayek e também, creio eu, pelo professor Robbins. Segundo esta teoria, poder-se-iam identificar as variações da taxa de juros com as dos níveis de preços relativos dos bens de consumo e dos bens de capital. O meio de chegar a esta conclusão não ficou claro. Mas o raciocínio parece desenvolver-se da seguinte maneira: através de uma simplificação um tanto drástica, a eficiência marginal do capital é considerada como medida pela relação entre os preços de oferta dos novos bens de consumo e por preços de oferta dos novos bens de produção. Em seguida, esta relação é identificada com a taxa de juros. Chama-se a atenção para o fato de que uma baixa na taxa de juros é favorável ao investimento. Ergo, uma baixa na relação entre os preços dos bens de consumo e os bens de produção é favorável ao investimento.

Por este meio, cria-se um elo entre o incremento da poupança
de um indivíduo e do investimento agregado, pois é sabido que o aumento da poupança individual faz baixar o preço dos bens de consumo e, possivelmente, em proporção bem maior que o dos bens de produção; portanto, isto significa, de acordo com o raciocínio precedente, uma redução da taxa de juros que estimulará o investimento. Torna-se, portanto, evidente que uma diminuição da eficiência marginal de certos bens de capital específicos e, em conseqüência, uma baixa da curva da eficiência marginal do capital em geral produzem um efeito exatamente oposto ao que presume o raciocínio anterior, pois o investimento é estimulado quer por uma alta da curva da eficiência marginal que por uma baixa da taxa de juros.” (KEYNES, teoria geral do emprego do juro e da moeda, Apêndice do capítulo 14, p. 154 e 155, 1982)

Quer dizer, a conclusão do modelo IS-LM, de que se pode aumentar o investimento diminuindo a taxa de juros também não é keynesiana.

Abraços

#15 Comment By Heldo Siqueira On 30 março, 2008 @ 2:26 am

João

Vc não entendeu cara!! A diminuição na taxa de juros provoca uma diminuição nos preços e uma diminuição na receita esperada. Mesmo que diminua o preço dos bens de capital, não se pode garantir que essa diminuição seja maior, igual ou menor que a diminuição da receita esperada. Assim, não se pode saber se a diminuição na taxa de juros estimula ou não o investimento. Por isso ele fala “o investimento é estimulado quer por uma alta da curva da eficiência marginal que por uma baixa da taxa de juros.” Pq na verdade, a verdadeira influência é feita pelas duas coisas.

Vc só leu a parte que falava o que vc queria dizer…

Mas não falei pq o Keynes está certo. Falei pq vc está dizendo que qualquer política macroeconômica tem base keynesiana e a IS-LM, por exemplo, não tem (apesar de usar alguns conceitos keynesianos).

Abraço

#16 Comment By Heldo Siqueira On 30 março, 2008 @ 10:11 am

João,

ele disse que uma diminuição na taxa de juros PODE ou não aumentar o investimento, desde que mantenha-se o diferencial entre a renda esperada e a taxa de juros (renda esperada – taxa de juros = eficácia marginal do capital). Mas no modelo IS-LM, por exemplo, SEMPRE que há diminuição na taxa de juros há um aumento do investimento.

Para mim a discussão está encerrada, mas continuo não percebendo a ligação entre a macroeconomia novo-clássica e novo-keynesiana (modernas) e a abordagem keynesiana original… Não que seja demérito das teorias modernas (elas têm outros problemas) mas Keynes não era dono da verdade.

Heldo

#17 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 30 março, 2008 @ 11:52 am

Prezados

Qualquer debate acadêmico é interminável. Existem diversas entradas e saídas para os mesmos. Raramente há vitoriosos absolutos. Todas as teorias têm limitações e não há verdades inquestionáveis. Qualquer linha escrita por qualquer um pode ser problematizada. Principalmente se destacada de forma descontextualizada.

Agressões e galhofas não são argumentos. Sugerimos que as pessoas coloquem suas teses em forma de artigos, se identifiquem (titulação, profissão, filiação institucional) e apresentem suas idéias de forma organizada. Estamos fazendo isso neste blog há meses de maneira respeitosa. Quando ocorrem divergências buscamos debatê-las com calma. Sem ofensas e com respeito.

O fato de haver discordâncias não implica que alguém esteja certo e o outro errado. Um sujeito pode acreditar de fato que o Chile é um caso de sucesso, apesar de 49,5% dos seus trabalhadores estarem na informalidade ou no desemprego (Cf. dados do sistema ONU). Não se precisa ficar nervoso, histérico e sair ofendendo a todos. A ciência econômica não se constrói sobre dogmas e verdades absolutas. Até o Milton Friedman reviu posições no final de sua vida.

Vamos buscar dominar as paixões e colocar o debate em um nível de civilidade que ele pode ter. Será melhor para todos nós. Já trabalhei com neoclássicos, heterodoxos e ortodoxos, e não tive problema algum. O contraditório é enriquecedor.

Atenciosamente,

Rodrigo L. Medeiros

#18 Comment By Rodrigo Medeiros On 30 março, 2008 @ 1:52 pm

João

Agradeço pelos seus comentários. Dificilmente essa taxa de precarização das relações de trabalho, 49,5% da PEA, seria aceita como marca de sucesso em qualquer país sério e desenvolvido do mundo.

Também não defendo o governo do Salvador Allende. Houve muita cacofonia ideológica e ele acabou refém dos radicais de esquerda. Até a estatização de fábricas de sorvete pediram. Uma loucura! E o Fidel Castro jogou lenha na fogueira.

Não podemos olvidar que Henry Kissinger avisou que os EUA não aceitariam mais mudanças de campos na América Latina após a revolução em Cuba (1959). Pois bem, eles honraram a palavra empenhada… O governo autoritário do general Pinochet cumpriu um papel racionalizador da economia. Claro que com elevados custos sociais. A partir da redemocratização, a ‘Concertação’ ficou refém da racionalização promovida. Precisou investir em gestão pública para fazer a multiplicação dos pães sem tocar nos grandes interesses estruturados ao longo do regime autoritário do general. Houve sucesso em parte.

Estarei fora da internet por alguns dias por motivos profissionais. Reitero a importância de que você escreva suas teses na forma de um artigo e que nos permita debater suas idéias de forma calma e madura.

As coisas são mesmo complicadas na América Latina. Desde Bolívar. Quando derrotado na Conferência do Panamá (1826), ele disse que seria mais fácil arar no mar do que se construir alguma coisa séria por estas bandas. Pois bem, ele também foi derrotado pelas oligarquias. O interesse pelo desenvolvimento econômico democrático e equitativo não é compartilhado por todas as partes na América Latina.

Cordialmente,

Rodrigo L. Medeiros


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[3] Meus artigos: http://desempregozero.org/category/todos-nossos-autores/gustavo-santos/

[4] : http://desempregozero.org/recomendados/logica-falacias/

[5] : http://desempregozero.org/recomendados/guia-de-falacias-logicas-do-stephen/

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