CRISE NORTE-AMERICANA FAZ UNIÃO EUROPÉIA QUESTIONAR O LAISSER FAIRE
Escrito por leonunes, postado em 21 dEurope/London março dEurope/London 2008
Léo Nunes * – Paris
O diário francês Le Monde destaca esta semana (Clique Aqui para ler) uma reportagem que discute a controvérsia sobre os possíveis remédios para solucionar a crise financeira que se iniciou no mercado de crédito imobiliário norte-americano e que se alastra pelo mundo. Parece que mesmo os diários mais conservadores estão revendo suas posições liberais.
Além disso, muitos economistas têm feito coro ao dizer que a crise não pode se resolver por si mesma. Até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) avalizou a intervenção do Estado com vistas a evitar um colapso da economia mundial. Se por um lado os europeus, especialmente os alemães, têm ojeriza à inflação, por outro, os mesmos não esquecem os nefastos efeitos da quebra do seu sistema bancário no fim da década de 1920.
Portanto, a história se repete como farsa. Na época de bonança, os arautos do liberalismo e da ausência de Estado vociferam as possíveis benesses da não-intervenção. Já quando o cerco fecha, o Estado e a autoridade monetária são chamados ao jogo, como interventores e emprestadores de última instância, para salvar a quebradeira financeira.
Clique aqui para ler nosso manifesto.
* Leonardo Nunes: Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos











24 dEurope/London março, 2008 as 11:13 am
Prezado Leonardo
O diretor-geral do FMI é francês. Dominique Strauss-Kahn tem ligações históricas com o Partido Socialista, a social-democracia na França, e suas declarações recentes são de coloração keynesiana. Um sopro de esperança para a democracia política.
Veja bem, o Sarkozy acabou com sua agenda de governo esvaziada. Como pode ele propor reformas de corte liberal em uma conjuntura que, provavelmente, ingressa num ciclo keynesiano? O jeito foi arrumar uma artista para casar e fazer desse evento uma questão de Estado. Por aqui, o presidente Lula busca lançar programas semestrais para tentar ofuscar o fiasco que é a administração da política monetária do doutor Meirelles.
Segundo Ortega y Gasset: “A chamada missão do ‘intelectual’ é, de certo modo, oposta à do político. A obra do intelectual aspira, frequentemente em vão, a esclarecer um pouco as coisas, enquanto a do político, ao contrário, geralmente consiste em confundi-las mais do que já estavam” (‘A rebelião das massas’. Martins Fontes, 2002, p.25-6).
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros