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Blog do Desemprego Zero

“Crescer 5% é o mínimo necessário”

Escrito por Imprensa, postado em 24 dEurope/London março dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

  Publicado originalmente no JB Online, em 23/03/2008Por Ludmilla Totinick

Entrevista

Marcio Pochmann

Uma das maiores vilãs do crescimento brasileiro atende pelo nome de financeirização, acredita Marcio Pochmann. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alerta para a necessidade de as aplicações em títulos e no mercado de capitais que somam 40% do PIB se tornarem investimentos produtivos. Por causa disso, queixa-se, o Brasil ainda precisa de tudo. Apesar de estar melhor preparado, o país deverá ser afetado pela crise americana, avisa.

O senhor acredita que o Brasil está se comportando bem diante da crise?

Por se encontrar menos vulnerável ao exterior, o Brasil tem tido uma postura bastante favorável ao evitar uma contaminação mais significativa pela crise tanto no âmbito financeiro quanto na economia real. No entanto, ainda não temos uma avaliação completa da capacidade âmbito do governo americano debelar a crise.

Se essa crise atingir proporções ainda maiores, há um plano B para o Brasil?

Certamente o governo brasileiro está acompanhando o desenlance da situação atual e vem considerando justamente para cada situação que ocorre, medidas apropriadas. Não tivemos a necessidade de uma atuação mais efetiva porque o Brasil até esse momento não foi impactado. Mas, certamente, está se considerando essa situação. Em momentos de grave crise como aquela que ocorreu em 1929, soubemos nos posicionar relativamente bem. À época, o Brasil abandonou uma situação de uma economia exportadora para se constituir numa nação mais voltada para o mercado interno. Na década de 70, desencadeamos um segundo plano nacional de desenvolvimento, importante para completar parte da industrialização e permitir que o Brasil reagisse relativamente bem num quadro internacional desfavorável. Hoje, temos condições de tomar as medidas adequadas que permitam ao Brasil se voltar para o mercado interno e evitar situação extremamente grave no país. Crise é uma chance de tomar decisões que levem à mudança.

Há a questão do câmbio.

Podemos ter fuga de capital no nosso país e em um conjunto de países dada a incerteza do momento. Portanto, nossa capacidade de gerir o câmbio será fundamental. Temos uma reserva bastante importante, o que já nos permite ter certa tranqüilidade. Como o Brasil mantém há mais de 40 meses um crescimento nos investimentos acima da produção, a divulgação do PIB do ano passado nos permitiu observar que o aumento dos investimentos está num ritmo duas vezes e meia maior que o da produção. Com o investimento em alta, teremos mais empregos, melhores salários e uma economia mais moderna.

E um mercado interno ainda mais forte.

Como o mercado interno é hoje o principal motor da economia nacional e as exportações representam um peso relativamente pequeno, isso faz com que essa fatia continue bastante expressiva e os empreendedores tenham uma visão positiva da economia nacional.

O senhor acha que o medo do tamanho da crise poderá trazer um conservadorismo maior à condução da economia no governo Lula?

Naqueles dois exemplos que citei, a Crise de 29 e início dos anos 70, o Brasil assumiu uma postura de acelerar a economia e não pisou no freio. Esse tema está na pauta do governo já desde o ano passado. De um lado do governo Lula existe a expectativa de se continuar o crescimento sustentado a partir do investimento, com apostas no crédito. Estamos na iminência de lançar uma política industrial que favorece muito o setor produtivo. Temos programas de transferência de renda, para que segmentos mais pobres participem também da expansão da atividade econômica, temos o plano de aceleração do crescimento que é em geral voltado para a estrutura e planos de desenvolvimento setoriais. Há uma perspectiva muito favorável para a continuidade neste governo de um crescimento ao ano de 5%. Mas evidentemente que há uma contrapartida: a temática da inflação e dos juros altos usados para conter o aumento de preços.

Qual sua opinião?

Percebemos que a opção pelo crescimento tem sido muito positiva, em primeiro lugar para permitir que se faça o ajuste fiscal, a participação da dívida no PIB vem caindo de forma continuada. Se se mantiver esse ritmo ano que vem, possivelmente o Brasil terá déficit nominal zero. A inflação se mantém hoje na meta estabelecida. Estamos vivendo um momento de transição, em que aquela convergência que se deu nos 90 em torno do combate à inflação deu lugar ao tema desenvolvimento.

Há diferenças entre as crises mundiais de 1998 e esta?

Aparentemente a crise atual não é apenas uma bolha identificada em 98. Sinaliza para um grau mais sistêmico, que pode estar em vários bancos, atingindo os grandes. Justamente por decorrência da forma como opera o modelo de financiamento nos EUA, que é uma pirâmide na qual um empresta para o outro. É difícil saber se o que acontece com um banco não pode influir no outro

O Brasil está imune às turbulências

Não acredito. Mas, apesar de a suscetibilidade ter nos contaminado, nos encontramos num momento relativamente muito positivo. Temos elementos que nos colocam numa posição mais vantajosa do que aquela que o Brasil esteve por exemplo em 1998. Se a nossa posição fosse mais frágil, sem reservas, uma economia em desaceleração, certamente a vulnerabilidade seria muito maior. Mas afetados, nós seremos. A questão é saber em que medida.

A crise começou a afetar o preço das commodities. Esse seria o calcanhar-de-aquiles do Brasil

Não. O peso do comércio exterior na economia brasileira é relativamente pequeno. Na economia asiática talvez a situação seja mais abrangente. Mas, aqui, teria impacto menor que uma contaminação no âmbito cambial ou uma fuga de capital.

O Copom indicou que deve subir a taxa de juros. Como o senhor vê isso

Essa medida teria um sentido distinto daquilo que estamos observando. A taxa de juros nominal vinha caindo, acompanhando o êxito da expansão da atividade econômica, sobretudo dos investimentos. Aumentar a taxa de juros nesse momento pode ser um freio na perspectiva de continuidade dos investimentos. Como o Brasil tem uma trajetória de mais de 25 anos nos quais não houve desenvolvimento sustentável, me parece uma solução que apontaria para uma medida do passado.

De que o Brasil precisa para ter crescimento comparável ao dos países asiáticos

Crescer 5% é o mínimo que a gente pode. O país tem mais de oito milhões de desempregados. A cada ano mais de dois milhões de pessoas ingressam no mercado de trabalho. O esforço não é tão intenso como na China que cada ano tem 10 milhões pessoas que ingressam no mercado de trabalho.

Quais os grandes projetos indispensáveis para o crescimento do Brasil

Temos de fazer a transição dessa massa de recursos que representa mais de 40% do PIB e está aplicados no circuito da financeirização, títulos públicos, títulos privados e para os investimentos produtivos. Essa situação explica como foi possível o país conviver quase um quatro de século com uma economia estagnada, uma valorização sem base real. Uma trajetória de profunda concentração patrimonial. Foi possível se tornar rico sem ter suado a camisa. O Brasil é um país em construção, falta praticamente tudo, desde estrutura urbanística a sérios problemas de locomoção da população, sistema de transporte aéreo, carência em educação, saúde. Precisamos transformar essa financeirização em investimentos produtivos.



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Uma Resposta para ““Crescer 5% é o mínimo necessário””

  1. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados

    Certamente Marcio Pochmann é uma das figuras mais lúcidas do desarticulado governo Lula. Infelizmente ele não consegue ser um contrapeso à influência do Meirelles. Quem mandou o comitê de campanha do Lula aceitar dinheiro da banca na campanha presidencial de 2002? Devem ser os mesmos que respondem a processos na Justiça.

    Aproveito esse espaço para marcar a seguinte frase da entrevista: “Temos de fazer a transição dessa massa de recursos que representa mais de 40% do PIB e está aplicada no circuito da financeirização, títulos públicos, títulos privados e para os investimentos produtivos. Essa situação explica como foi possível o país conviver quase um quatro de século com uma economia estagnada, uma valorização sem base real. Uma trajetória de profunda concentração patrimonial. Foi possível se tornar rico sem ter suado a camisa”.

    Lula não pode, portanto, dizer novamente que não sabia de nada e que não vem sendo constantemente alertado sobre os desdobramentos da crise nos EUA e a má gestão da política monetária brasileira. Não adianta mais culpar o sociólogo que o antecedeu, o regime militar ou mesmo Pedro Álvares Cabral.

    A conjuntura internacional emergente é muito favorável à inflexão para políticas macroeconômicas de corte social-democrata. O discurso keynesiano do diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, traduz o novo sinal dos tempos. Tempos interessantes.

    Por aqui, o relatório de mercado do BC, o Boletim Focus, vem buscando realizar profecias auto-realizáveis.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

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