China perde competitividade na indústria, diz pesquisa
Escrito por Imprensa, postado em 6 dEurope/London março dEurope/London 2008
* Marina Wentzel BBC Brasil
A China está perdendo competitividade no setor industrial, sugere uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Câmera de Comércio Americana (AmCham) de Xangai. O levantamento China Manufacturing Competitiveness sondou 66 empresas internacionais com operações na China e foi realizado no final de 2007.
Os dados indicam que 54% dos entrevistados avaliam que a China está perdendo competitividade para outras economias emergentes e 70% dizem acreditar que essa desvantagem se deve à valorização da moeda chinesa, o iuan.
De acordo com o estudo, uma das causas para a queda da competitividade chinesa no setor é o crescente aumento nos custos de produção, que estão levando as empresas a mudar suas fábricas para países como o Vietnã e a Índia.
A inflação e o aumento dos salários também foram apontados como outras causas do enfraquecimento da competitividade chinesa.
Os operários das empresas pesquisadas tiveram um aumento salarial médio de 10,3% por ano, enquanto os funcionários de nível administrativo tiveram aumento de 9,1%.
Outra preocupação que os entrevistados revelaram é o crescente custo das matérias-primas, que ficaram em média 7% mais caras.
Alternativas na Ásia
Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados afirmaram ter investido inicialmente na China por causa dos baixos custos de produção, mas avaliam que atualmente a mão-de-obra barata e os incentivos fiscais de outros paises da Ásia são mais atrativos.
Desses 88%, a maioria (63%) apontou o Vietnã como primeiro destino no caso de uma mudança. A Índia ficou em segundo lugar, com 37% da preferência.
Quase uma em cada cinco (17%) das empresas que participaram da pesquisa disse que já tem planos concretos para se mudar a outros países da Ásia.
Apesar de outras economias aparentarem ser mais atrativas que a chinesa, 83% afirmaram que ainda pretendem continuar operando no país.
A maioria avalia que a razão que justifica manter operações menos competitivas na China é desfrutar do atrativo e vasto mercado doméstico, que ainda está se desenvolvendo.
“O fenomenal crescimento econômico da China e a história de reforma de mercado, junto com o ambiente empresarial dinâmico e desafiador, vão continuar a colocar pressão nas companhias industriais”, concluiu Brenda Foster, presidente da AmCham de Xangai em um comunicado à imprensa.











5 dEurope/London março, 2008 as 3:23 pm
Nesse caso, competitividade = mão-de-obra em condições piores que escravidão, com salários absurdamente ridículos e carga horária de 14 horas ou mais por dia, além do uso de mão-de-obra infantil. Na China a coisa está ficando “ruim” porque demorou mas a escassez começa a regular as condições de trabalho, provocando um mínimo de exigências. A Índia e o Vietnam são 2 países com grande população e muita gente na miséria capaz de se submeter às condições encontradas na China de 15 anos atrás.
Seria aliás interessante fazer um grande levantamento de quais são essas empresas que pretendem migrar, pois são merecedoras de boicote, por explorarem ao extremo a pobreza desses países.
Esse tipo de “competitividade” é a que os tucanos querem quando falam do “custo-Brasil”. Será que o Brasil precisa servir para esse perfil de empresa?
5 dEurope/London março, 2008 as 6:36 pm
Caro Sergio Telles,
É uma honra ter um comentário seu!
Nosso blog é bem recente e há tempos tenho acompanhado seus comentários em vários blogs e são sempre excelentes! Eu até peguei um deles uma vez para virar post aqui:
http://desempregozero.org/2008/02/27/comentario-do-sergio-telles-no-conversa-afiada-a-estrategia-lula/
ter um comentário seu é sinal que a gente está conseguindo alcançar alguma maturidade.
Essa questão de desenvolvimento da China é bem complexa o Bruno Galvão é especialista nisso e eu conheço razoavelmente bem. Gostaria de comentar essa questão com você, mas estou sem tempo agora. Não acho que a questão principal da competitividade chinesa se baseia na exploração do trabalho. Principalmente nos últimos 5 anos. Mas é verdade que muitas empresas rodam o mundo procurando onde encontrar trabalho disciplinado mais barato e com menos direitos.
Quando tiver um tempinho, voltou ao assunto.
Abraços,
Gustavo