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Bê-á-bá do nacionalismo

Posted By NOSSOS AUTORES On 27 março, 2008 @ 4:30 pm In Crônicas,Desenvolvimento,O que deu na Imprensa,Paulo Metri | 1 Comment

Publicado originalmente em: Monitor Mercantil Digital [1], em 26/03/08

Por Paulo Metri*

Um cidadão de 35 anos de idade me perguntou: “Por que ser nacionalista?” O grave problema é que ele tem educação de nível superior. Pensei, à primeira vista, tratar-se de uma brincadeira, mas, para meu espanto, verifiquei que ele realmente tinha essa dúvida. Posteriormente, lembrei-me que, em 1990, quando começou a implantação no Brasil dos princípios neoliberais e da globalização prejudicial aos países emergentes, ele só tinha 17 anos. Além disso, esses princípios já vinham sendo doutrinados para a sociedade desde a década anterior e os meios de comunicação de massa, com exceções, só difundiam esse pensamento único. Em respeito às gerações que só obtiveram informações deturpadas para processar, ofereço outra visão, buscando responder à citada pergunta.

A sociedade de um país tem o direito de usufruir todos os recursos naturais existentes nele. Se o país é uma colônia escravizada pela força, os habitantes são usurpados desse direito pelo colonizador. As pessoas ficam confusas pelo fato da colonização atual não se dar através das armas, com exceções como a do Iraque, e os novos colonizados desconhecem, em muitos casos, sua condição de dominados. Nesse novo processo, que ocorre basicamente nos países subdesenvolvidos, o dominador e seus asseclas locais têm o controle da comunicação de massas, especialmente as televisões e as rádios, que são os grandes formadores de opinião nesses países, graças, também, ao número catastrófico de analfabetos funcionais. Concede-se um maior grau de liberdade à mídia impressa, até porque poucos são os leitores de jornais e revistas.

As supostas eleições democráticas nesses países são dominadas pelo capital, inclusive o internacional, de forma que os políticos e os membros dos executivos eleitos, com honrosas exceções, estão comprometidos com o poder econômico, pouco se importando se riquezas da sociedade do seu país vão ser entregues ao exterior por benefícios irrisórios. Uma parcela do capital nacional se compõe com os interesses externos, usufruindo algumas vantagens. Nesse estratagema, o país subdesenvolvido será exportador de grãos e minérios, restando no país salários, na maioria de pessoal de baixa renda, alguns impostos, em geral muito baixos, as compensações pagas aos asseclas e alguma parte do lucro para o empresário nacional.

Além dos recursos naturais, o mercado local, pertencente à sociedade do país, é também roubado. A proteção dos mercados dos desenvolvidos, visando o consumo só de produtos locais, é praticada para vários setores desses países, haja vista muitos produtos agrícolas brasileiros não conseguirem entrar nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, nós aceitamos a diminuição de barreiras alfandegárias que possibilitou a invasão de produtos estrangeiros.

Outras ações do conjunto neoliberal fazem parte do processo de usurpação da riqueza das sociedades dos países dominados, como dificultar a exportação de produtos com conteúdo tecnológico desses países, através de acordos de comercio, difundir produtos culturais que permitem a continuidade da dominação, alem de outras. Todas as ações nacionalistas visam a preservar maiores benefícios diretos para a população do país e maiores lucros para os agentes econômicos nacionais, para que parte desses ganhos seja repassada para a sociedade.

Morreu, há poucos dias, o engenheiro Heitor Manoel Pereira, um grande brasileiro, que lutou a vida toda por causas nacionalistas de interesse da nossa sociedade. Nos últimos anos, dedicou-se, em especial, a lutar contra a usurpação do petróleo nacional através das rodadas de leilões da ANP, que segue a lei brasileira 9.478, imposta por interesses estrangeiros. O cidadão de 35 anos deveria estudar nossa História, especificamente, o período do desenvolvimentismo, quando o nacionalismo esteve muito presente e houve grande expansão econômica, com forte geração de emprego, e se mirar no exemplo do Heitor Pereira.

* Paulo Metri: Engenheiro mecânico, mestre em engenharia industrial, há mais de trinta anos trabalha na área de energia, conselheiro do Clube de Engenharia e da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros, um dos autores de ‘Brasil à luz do apagão’ e de ‘Nem todo o petróleo é nosso’, diretor-geral do Instituto Solidariedade Brasil.”

Meus Artigos [2]


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1 Comment To "Bê-á-bá do nacionalismo"

#1 Comment By severino ramos barbosa pereira On 27 março, 2008 @ 8:00 pm

Muito bom o artigo. Interessante é que eu sempre fui a favor das privatizações e nunca tinha visto essa questão por este ângulo. Concordo plenamente e vou rever meus conceitos.


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[1] Monitor Mercantil Digital: http://www.monitormercantil.com.br/mostra_noticia.asp?id2=49481

[2] Meus Artigos: http://desempregozero.org/category/todos-nossos-autores/paulo-metri/

[3] O PRAZER DE CONVIVER: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/o-prazer-de-conviver/

[4] A origem da ARROB@: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/arroba/

[5] ASSIM FALHOU ZARATUSTRA: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/03/assim-falhou-zaratustra/

[6] Salve, Napô! Napoleão muda história do Brasil, não é Dom João VI ?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/03/salve-napo/

[7] O Direito à Preguiça: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/03/o-direito-a-preguica/

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