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ASSIM FALHOU ZARATUSTRA

Posted By NOSSOS AUTORES On 9 março, 2008 @ 12:05 pm In Crônicas,Política Brasileira | 2 Comments

Yuri Armstrong *

( Pequena paródia das vaidades e virtudes da República Tupiniquim )

Tenho que concordar com Zaratustra, quando ele diz que tudo que é para muitos ou para todos resulta em coisa de pouco valor.

De fato aos melhores perfumes, estão reservados os menores frascos e.. os narizes mais refinados.

Em se querendo respirar ar puro, deve-se fugir da multidão… e até mesmo da igreja.

Em verdade, se todo conhecimento fosse acessível a todos, segundo ele, seria o fim do “pensar” .

Tudo que é sublime, supremo. É para poucos.

Vide a arte, mãe de todo pensamento livre. E é preciso ter o espírito livre para se apreciar a arte.

Veja que não significa ser rico para ser um espírito livre. Simplificando bastante seria mais uma questão de ” virtudes “.

Mas quem de vós, falando como Zaratustra, tem virtudes ?

O que é bom é para poucos?

Este pensamento provou ser equivocado quando se trata de eleger um “representante” do povo. Sim, e na verdade, política é uma arte da qual pouco entendo. Mas hoje se fala muito em “políticas sociais ” o que quer dizer a grosso modo: Inclusão social. Mais gente consumindo, tendo acesso a bens e serviços antes nem sonhados. E isso é bom? Não. É mais que bom. É Necessário. É mais inteligente construirmos Pontes ao invés de Muros. Afinal um dia temos que abrir o portão do castelo.

Muito há de verdade e de mentira em muita verdade dita certa e tida como certa.

Mas é certo que os poucos e abastados estiveram no comando durante séculos.

De certa forma ainda estão.

Continuam confortavelmente assentados sobre o sistema montado em seu favor. Apesar de terem concedido à massa certas “liberdades democráticas”.

Zarastustra não conhecia nossa terras.

Essa mistura, esse calor, essa comida, essas mulheres, esse “Povo Brasileiro ” não pertence a nenhuma classe, nenhum lugar que não seja exatamente o seu “próprio lugar” sua experiência é única e inimitável.

Assim falhou Zaratustra.

Falhou e falha ao sub-estimar a força da multidão.

Embora deteste o seu cheiro, é ela que hoje governa nossos passos. E é para ela que devemos lançar nosso olhar de desconfiança e carinho.

Olhar com carinho !

Olhar com desconfiança !

Quase como o velho “pão e circo”

A multidão pode ser um desastre ecológico. Mas os “poucos” ja o são há muito tempo.

Na verdade nada me causa mais pavor do que imaginar cada Chinês ou cada Indiano ou cada alma miserável deste mundo com um carro movido a gasolina. Mas é justo privá-los de algo tão comum a tanto tempo para nós ?

Assim continuo achando interessante esta invasão da senzala na sala da frente..

Senzala que se desfez a bem pouco tempo. Sabe-se bem.

Então não se trata mais de ser “esquerda” ou “direita”

ou de sermos conservadores ou progressistas..

Por aqui o “Muitos” ganhou, ou tem ganhado a batalha sobre o “poucos”. Há sinais destes tempos por toda America Latina.

Dessa forma o sapo barbudo desponta como principal representante desse ” povo ” com todos os seus erros, alegrias, tristezas, defeitos e até mesmo virtudes… entra pela porta da frente e ocupa a sala de estar.

Ocupa o salão principal embalado pela multidão..

O sapo invade a côrte e esquece de transformar-se em príncipe.

Deixa enrubecidas as faces da “burguesia branca” que esperava vê-lo transformado após o primeiro beijo. Nem mesmo o segundo beijo causou efeito.. Nem mesmo tendo se lambuzado no melado como quem não tem costume causou efeito..

Talvez um abraço de urso fosse o mais indicado para o caso.

Mas também o urso ficou amigo do sapo.

Por isso é tão difícil para muitos engolí-lo.

Seu gosto é por demais indigesto para estômagos tão refinados.

Sua estratégia é chula e mau explicada.

Sua linguagem é de boteco. Mas ele entra em qualquer boteco do mundo. E é bem quisto no mundo. Vejam só.

O maior erro de Zaratustra:

Um nordestino do povo.

Ocupou por duas vezes o mais alto cargo da República.

Será lembrado como verdadeiro líder de um povo em transição.

Será descrito como o morro que desceu e invadiu a praia. E alegrou a praia com seus badulaques de bom brasileiro. Cerveja, futebol, mulher e feijoada. Deu certo. E vai dar muito mais certo.

Mas e a Canalha ?

Esta assiste a tudo perplexa. Mas comporta-se amiúde com surpreendente paciência.

Seus golpes, as vezes, abaixo da linha da cintura, são bem mais amenos do que em outros tempos nem tão distantes.

Entretanto está bem viva e bem alimentada.

Muito em breve estará de volta ao poder.

Se sois espíritos livres, podeis escolher entre balir em bando como ovelhas, ou uivar como o lobo solitário no cume das montanhas.

O balido das ovelhas, sua falação intermitente. Repete o que se ouve, vê e lê nos jornais diários e semanários.

Repete e repete que tudo está de cabeça para baixo. Que tudo isso vai passar e a conta será alta.

Querem o povo no seu devido lugar.

E não é na sala.

Escolhei pois o cume das montanhas ó espíritos livres !

Saltando de cume em cume é que deve andar o Super-Homem !

E nisto está mais que certo Zaratustra.

Conservai sua própria opinião acima do que aparentam as leituras e interpretações rasteiras.

Pois no fim tudo é ocaso.

* Yuri Capixaba de Montanha, seu criado.

***

* Inspirado na obra prima de Niechzsche: Assim falou Zaratustra, um livro para todos e para ninguém.

Um sincero abraço.


2 Comments (Open | Close)

2 Comments To "ASSIM FALHOU ZARATUSTRA"

#1 Comment By Cris On 9 junho, 2009 @ 3:11 pm

adorei o Blog !!

falar de política e cultura é sempre um prazer !!!

#2 Comment By Cris On 9 junho, 2009 @ 3:14 pm

Tive o prazer de assistir o filme Quando Niechzsche Chorou ,amei e recomendo, é ótimo para ser discutido em grupos de estudos,ou simplesmente por grupos de pessoas que gostam de ler.


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[3] Salve, Napô! Napoleão muda história do Brasil, não é Dom João VI ?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/03/salve-napo/

[4] O Direito à Preguiça: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/03/o-direito-a-preguica/

[5] Lei Maria da Penha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/03/lei-maria-da-penha/

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