A imprensa Conservadora já se posicionou: “Conflito armado na América do Sul : quem são os (ir)responsáveis?”
Escrito por Imprensa, postado em 7 dEurope/London março dEurope/London 2008
Segue abaixo: Três análises de três influentes jornalistas brasileiros:
NÃO SE BRINCA COM FOGO, Luiz Carlos Azedo
UM SILÊNCIO NADA INOCENTE, Clóvis Rossi
ESCALADA BÉLICA NÃO INTERESSA AO BRASIL, Lucia Hippolito
Deu no Correio Braziliense (Colunas – Nas Entrelinhas, restrito a assinantes)
* Luiz Carlos Azedo
NÃO SE BRINCA COM FOGO
O Brasil foi arrastado para a teia armada por Chávez desde o frustrado resgate do menino Emanoel, que não estava em poder da guerrilha
A diplomacia brasileira – tanto a oficial do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como a oficiosa, do assessor especial Marco Aurélio Garcia – brinca com fogo. No sentido estrito da guerra irregular, a praga das fronteiras quentes do mundo globalizado. É fácil ser contaminado por ela, que não respeita os marcos territoriais. O difícil é conseguir cair fora da confusão depois que começa. Por isso, o governo deve evitar que a selva brasileira também vire um refúgio para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). É preciso manter distância do conflito e guarnecer a Amazônia, ao invés de tomar partido de um dos lados, em razão da mal disfarçada simpatia pela guerrilha colombiana.
A linha cubana
De onde vem essa simpatia do Palácio do Planalto por guerrilheiros das Farc. Vem da I Conferência da Organização de Solidariedade aos Povos da América Latina, realizada em Havana, em 1967, por sugestão do então deputado Salvador Allende a Fidel Castro. Participaram delegados da Colômbia, Guatemala, Guiana, México, Peru, Uruguai e Venezuela e três brasileiros: o sindicalista Aluisio Palhano Pedreira Ferreira, que mais tarde seria militante da Vanguarda Popular Revolucionária; o ex-dirigente do PCB Carlos Marighela, que mais tarde fundou a Aliança Libertadora Nacional; e o líder da Ação Popular, Herbert José de Souza, o “Betinho”.
Os setores de esquerda que dela participaram resolveram pegar em armas contra os regimes militares do Continente, no contexto da guerra fria. Com apoio de Cuba, adotou-se uma estratégia de “luta revolucionária antiimperialista”, face à “intervenção político-militar e à penetração econômica e ideológica” dos Estados Unidos na América Latina. No Brasil, foram formadas várias organizações guerrilheiras. Não tinham nenhuma possibilidade de êxito militar. O resultado de suas ações foi o endurecimento do regime militar e a violenta repressão à oposição.
A política cubana em relação à luta armada no Brasil somente se modificou após a independência de Angola, quando as posições do presidente Ernesto Geisel e de Fidel Castro convergiram em relação àquele país. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer o governo de Agostinho Neto. As tropas cubanas desembarcaram em Luanda e expulsaram o exército sul-africano que havia invadido o território angolano. As relações diplomáticas entre o Brasil e Cuba, porém, só foram restabelecidas no governo Sarney, em 1986.
Guerra irregular
O Foro de São Paulo, fundado em 1990 pelo Partido dos Trabalhadores, reuniu todas as organizações remanescentes da Olas e seus velhos militantes, num contexto muito diferente. Com a dèbâcle do leste europeu a guerra fria acabou. Em seu lugar, globalização e neoliberalismo. Os guerrilheiros da Nicarágua, El Salvador e Guatemala abandonaram as armas. Ex-motoneros e ex-tupamaros se integraram à luta democrática na Argentina e no Uruguai. Restou apenas a guerrilha da Colômbia, cuja fonte de financiamento passou a ser o narcotráfico e os seqüestros. A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, mostrou que era possível “uma saída democrática para a esquerda na América Latina”.
Esse “aggiornamento” da esquerda latino-americana, porém, esbarrou na resistência de Fidel Castro e nas ambições bolivarianas do presidente venezuelano Hugo Chávez, que subordinou o avanço democrático do continente ao resgate das velhas bandeiras nacional-libertadoras. Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador, ambos também fundadores do Fórum de São Paulo, enveredaram pelo mesmo caminho.
Quem primeiro deu o alerta de que o Brasil precisava ficar mais atento aos riscos da política bolivariana de Chávez foi o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), aliado de primeira hora de Lula, que conhece os ossos do ofício. O veterano senador denunciou as intenções belicosas do presidente venezuelano no final do ano passado. Na segunda-feira, voltou à tribuna para afirmar que nosso vizinho já não esconde a intenção de ir à guerra contra a Colômbia e mobilizar o apoio do Equador e da Bolívia. Chávez quer depor o governo de Álvaro Uribe e, em seu lugar, pôr os líderes da Farc. Seu problema é que a maioria dos colombianos apóia Uribe, bem com os Estados Unidos.
O Brasil foi arrastado para a teia armada por Chávez desde o frustrado resgate do menino Emanoel, que não estava em poder da guerrilha, mas num pensionato de crianças de Caracas. Protagonizado pelo assessor especial Marco Aurélio Garcia, o episódio revelou a simpatia do governo brasileiro pelas FARC e uma certa ingenuidade em relação ao conflito colombiano. A Venezuela e o Equador apóiam uma guerra irregular na selva amazônica. Uma guerra irregular, por exemplo, é a que ocorre no Líbano, com apoio da Síria. Ou na Caxemira da Índia, com apoio do Paquistão.
Deu na Folha de São Paulo (restrito a assinantes)
* Clóvis Rossi
UM SILÊNCIO NADA INOCENTE
MADRI – Dizem que o presidente equatoriano, Rafael Correa, exige desculpas muito claras da Colômbia para voltar atrás em sua decisão de romper relações com o vizinho. É justo.
Mas também é justo que Correa peça desculpas aos colombianos -mais que ao governo da Colômbia- por ter permitido o “passeio” de reféns das Farc pelo Equador, conforme depoimento de um dos seqüestrados recentemente libertado. Ou, posto de outra forma: o Exército colombiano invadir território do Equador é condenável, mas as Farc adotarem o mesmo comportamento é aceitável?
Nesse conflito sul-americano que tem facetas bem macondianas, até pelos personagens envolvidos, um fato precisa ficar bem nítido e claro: luta armada contra um governo legítimo é intolerável. Apoiá-la é apoiar igualmente todas as violações aos direitos humanos praticados pelos delinqüentes das Farc, violações que ganharam a atenção da mídia a partir da libertação recente de alguns reféns, mas que são cometidas – eventualmente até piores – há muitíssimos anos contra muitíssimos reféns.
O que chama especialmente a atenção nesses episódios é o silêncio, denso, das mulheres que se dizem de esquerda. Tiveram papel relevante, no Brasil, na luta pelo respeito aos direitos humanos. Como é que silenciam agora, quando há tantas barbaridades praticadas por um grupo que se diz de esquerda, mas é apenas criminoso?
Tratamento desumano a prisioneiros, quando praticado por ditaduras de direita, é inaceitável, óbvio. Mas vale quando praticados por “companheiros de rota”? Ou essas mulheres, como o presidente Hugo Chávez, respeitam o “projeto político” das Farc, o que inclui respeitar torturas, seqüestros e assassinatos?
Deu no Blog de Lucia Hippolito
* Lucia Hippolito
ESCALADA BÉLICA NÃO INTERESSA AO BRASIL
A escalada da tensão na América do Sul pega os países da região em momentos políticos bem distintos.
Na Colômbia, o presidente Uribe só pensa “naquilo”: a reforma da Constituição para poder disputar o terceiro mandato.
O cálculo político do presidente colombiano incluiu o risco político de um atrito com o Equador e, conseqüentemente, com a Venezuela. Incluiu até mesmo uma possível reprovação internacional.
Isto porque, internamente, Uribe entende que os ganhos políticos e militares resultantes de um duríssimo golpe nas Farcs seriam muito maiores.
O fato é que há 50 anos as Farcs e a Colômbia vivem um impasse: nem o grupo narcoguerrilheiro consegue derrubar o governo colombiano, nem este consegue destruir os narcoguerrilheiros. Uribe entendeu que, desta vez, poderia ser diferente.
Os relatos terríveis dos sofrimentos infligidos pelos seqüestradores das Farcs aos reféns recém-libertados geraram uma onda de repúdio à narcoguerrilha. Onda esta que Uribe tentou manipular e transformar em onda de simpatia pelo governo da Colômbia.
Da Venezuela, muito já se falou. Chávez é espaçoso como o quê. Nos últimos anos, sentado sobre um mar de petróleo a mais de US$ 100 o barril, tem-se dedicado a apadrinhar os governos da Bolívia e do Equador e a infernizar o governo da Colômbia.
Chávez mete-se em tudo, envia malas de dinheiro para interferir na eleição presidencial argentina, critica o Congresso brasileiro.
Mas internamente, sua situação está estranha. Depois de ser derrotado no plebiscito com que pretendia conquistar o direito de se candidatar eternamente à presidência, Chávez viu sua popularidade despencar nos últimos tempos, de 60% para 38%.
A Venezuela está com problemas econômicos internos, com inflação altíssima e desabastecimento de alimentos.
Portanto, um inimigo externo é extremamente útil a Chávez.
E o Brasil, como fica?
O Brasil há muito tempo não navega em condições econômicas e sociais tão positivas.
Na economia, os números são ótimos. Economia crescendo, moeda estável, consumo crescendo, indústria produzindo como nunca, juros em baixa, real valorizado, investimentos estrangeiros não páram de entrar.
Socialmente, a calmaria é absoluta. Todos os movimentos sociais foram domesticados.
As centrais sindicais praticamente comem na mão do governo Lula, a UNE recebe mesada do Ministério da Educação, o MST recebe repasse de recursos através de ONGs.
Portanto, não interessa nem um pouco ao Brasil uma escalada bélica no continente. É ruim para os negócios, como se diz.
O papel do Brasil é, por isso mesmo, crucial, para acalmar os ânimos e devolver um mínimo de lógica ao processo. Afinal, sabemos que é alto o coeficiente demencial dos principais governantes envolvidos nesta confusão.
Nessa hora, o presidente Lula emerge como um poço de sensatez.
Lesa-humanidade
Hugo Chávez no comando da farsa, Rafael Correa é flagrado dando abrigo às Farc em território equatoriano e Álvaro Uribe aparece como o grande vilão da história da mais recente turbulência na América do Sul.
A entrada da Colômbia no Equador é um incidente diplomático, mas a atuação de um grupo de narcotraficantes, seqüestradores e assassinos ao abrigo de governantes que, para sustentar suas estratégias de poder, atacam o governante do país verdadeiramente agredido, merece a atenção do mundo e uma ação dos países democráticos e responsáveis da região.
É na perspectiva de que de um lado está a legalidade e de outro a criminalidade que deve ser visto esse conflito.











15 dEurope/London março, 2008 as 11:49 am
foi otimo ter estudado um pouco sobre este conflito…entre esses paises vizinhos..
foi de grande ajuda para o meu crescimento,
entendo q nem sempre podemos fazer o q queremos ou desejamos
pois temos q pensar em todas as situaçoes e consequencias
nós nem esses presidentes sao donos do mundo….
todos tem seus direitos……
beijoOº°sss.., para todos os q se dedicam a valorizar e melhorar o nosso brasil… de hoje e de sempre!!!! :-)……