prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

A confusão das idéias da ortodoxia

Escrito por Imprensa, postado em 13 dEurope/London março dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Por Giuliano Contento de Oliveira*

Publicado originalmente em: Valor Online (restrito a assinantes), 13/03/2008

Um aumento da taxa de juros no momento atual, contudo, ao concorrer no sentido de desestimular as decisões de investimento dos empresários e as decisões de gasto das famílias, constituiria um mecanismo de sinalização capaz de precipitar a reversão do ciclo de negócios e impedir a continuidade do crescimento econômico ao ritmo condizente com as necessidades de emprego e renda da sociedade brasileira. O aumento da taxa de juros significaria um “balde de água fria” nas intenções de inversão dos empresários, que a despeito de investirem hoje a partir de informações presentes e passadas, contam com o “devir”, ou seja, com um crescimento da demanda agregada ainda a ser concretizado.

A taxa de juros não pode ser utilizada enquanto ponte entre os investimentos correntes e a ampliação efetiva da capacidade produtiva, ante seus efeitos depreciativos sobre as expectativas dos empresários em relação ao comportamento futuro da demanda agregada. Ao deprimir as decisões de gasto dos agentes, esta iniciativa opera no sentido contrário àquele que realmente deve ser buscado pelo governo, a saber: aumentar a capacidade de produção das empresas de sorte a acomodar o crescimento do consumo.

Nas condições atuais da economia brasileira, portanto, um aumento da taxa básica de juros constituiria um equívoco, capaz de abortar a retomada do crescimento em curso, mesmo sob contexto de desaceleração da economia mundial. Primeiro porque as chances de uma desvalorização abrupta e prolongada do real são menores do que no passado, ante as condições atuais de solvência externa da economia brasileira; em segundo lugar, a concretização do quadro de desaceleração da economia mundial exerceria um efeito dúbio sobre a inflação, considerando que o impacto de uma eventual desvalorização do câmbio seria, ao menos parcialmente, compensado pela redução dos preços das commodities, entre os quais o grupo alimentos, o principal vilão da inflação em 2007; finalmente, a redução da taxa de juros americana e a perspectiva de continuidade de sua trajetória de queda, ao implicarem a ampliação do diferencial de taxa de juros interna e externa, tendem a se mostrar suficientes para continuar atraindo recursos do estrangeiro via conta financeira do balanço de pagamentos e, ao cabo, contrapesar a provável redução do superávit comercial causada pela desaceleração da economia mundial e pelo crescimento das importações.

Taxa de juros não pode ser utilizada enquanto ponte entre os investimentos correntes e a ampliação da capacidade produtiva

Do que foi exposto, então, decorre que a elevação da taxa básica de juros apenas seria justificável diante de uma agudização sem precedentes da crise americana, capaz de provocar uma desvalorização abrupta e prolongada do real impossível de ser contida pela autoridade monetária, que dispõe de aproximadamente US$ 190 bilhões em reservas internacionais, e suficiente para colocar a trajetória da inflação acima da banda superior da meta estipulada para 2008. Isto porque o intervalo entre o centro da meta e a banda superior constitui mecanismo de flexibilização do regime de metas, passível de ser utilizado justamente para acomodar aumentos de preços causados por choques sobre os quais a política monetária se mostra ineficiente. No entanto, este não parece constituir o cenário básico até este momento.

A elevação da taxa básica de juros, pois, apenas recolocaria o desenho mal-sucedido de política econômica que obstou o crescimento da economia brasileira no período anterior ao atual ciclo de recuperação: juros altos, câmbio baixo e investimento e consumo reprimidos. Ao invés de preventivo, o aumento da taxa de juros poderia sancionar as expectativas desfavoráveis dos empresários causadas pela crise americana, ainda contidas pelo atual estado de convenção, paralisando as decisões de investimento em curso e abortando novas intenções de inversão. Isto porque o crescimento econômico decorre de um estado de confiança dos empresários, para não dizer de espírito, capaz de subverter as incertezas em relação ao futuro e sancionar o “espírito animal” ou empreendedor.

Deste modo, a acomodação da parcela residual e de caráter temporário do crescimento do consumo que supera a oferta interna deve continuar sendo realizada pelas importações, ante a blindagem externa da economia brasileira construída ao longo dos últimos anos. A continuidade do ritmo de crescimento dos investimentos continuará, assim, incentivando a ampliação da capacidade produtiva e a produção dos setores produtores de bens de consumo duráveis e não-duráveis assalariados, movimento que prosseguirá ensejando maior nível de encomendas para os setores de máquinas e equipamentos, num ciclo virtuoso suficiente para permitir a continuidade do crescimento econômico sem implicações mais sérias sobre a inflação. As pressões inflacionárias exercidas pelos bens e serviços não-comercializáveis sobre o IPCA, por seu turno, poderiam ser arrefecidas mediante a implementação de políticas setoriais capazes de, o tanto quanto possível, viabilizar o aumento da oferta dos produtos que mais puxam os preços deste grupo para cima. O próprio mecanismo de preço, no entanto, tende a condicionar a realização de investimentos nesses setores.

A recomendação de aumento da taxa de juros pela ortodoxia, considerando a atual conjetura macroeconômica, constitui verdadeiro desvario, cujo despropósito pode impedir a continuidade do crescimento econômico tão almejada pela sociedade brasileira. Como já nos alertava o economista inglês J. M. Keynes em sua Teoria Geral de 1936: “O ponto de vista austero que preconiza a utilização de uma taxa de juros elevada para deter imediatamente qualquer tendência de elevação apreciável no nível de emprego (…) apóia-se com mais freqüência em argumentos destituídos de outra base que não seja a confusão das idéias.”

* Giuliano Contento de Oliveira é professor do Departamento de Economia da PUC/SP e do Mackenzie. É doutorando em Economia no IE/Unicamp.



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>