A China vai exportar inflação?
Postado em 22 dEurope/London março dEurope/London 2008
EXAME
20.03.2008Com seus produtos baratos, o país ajudou a controlar os preços ao redor do planeta. Agora, enfrentando taxas recordes de carestia, pode contaminar o restante do mundo com o problema
Por Luciene Antunes
Nas últimas duas décadas, a China foi uma espécie de Wal-Mart da economia global. Abasteceu o planeta com mercadorias baratas, que iam de brinquedos a roupas, de sapatos a iPods, de telas de plasma a produtos químicos. Foi, em grande parte, graças à agressividade de custos, à escala monstruosa e à mão-de-obra abundante e barata que a China pôde estabelecer um novo padrão mundial de preços. Para continuar no jogo, os concorrentes tiveram de igualar as ofertas, criando um movimento que teve papel fundamental no controle da inflação em diversos países — desde os emergentes até potências como os Estados Unidos. Viveu-se, a partir de então, uma longa era de camisas a menos de 5 dólares, brinquedos cotados a alguns centavos e aparelhos eletrônicos em média 60% mais baratos do que os similares americanos ou japoneses. “As trocas comerciais com a China contribuíram para um boom de produtividade global e, ao mesmo tempo, exerceram uma tremenda pressão para baixar os salários em várias partes do mundo”, disse a EXAME Kenneth Rogoff, professor de economia e política da Universidade Harvard.
Nos últimos tempos, porém, vêm surgindo indícios fortes de que o “efeito Wal-Mart” da China sobre os mercados mundiais pode estar com os dias contados. O país enfrenta hoje uma escalada inflacionária. Em fevereiro, o índice de carestia na China registrou aumento de 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Não se via nada igual desde a metade da década de 90. O acumulado da inflação em 2007 foi de 4,8%, quatro vezes maior do que a taxa registrada em 2003 (veja quadro na página ao lado). “É senso comum o fato de que a China exerceu um poder deflacionário sobre o mundo durante os últimos anos. O temor agora é que a taxa acelerada de inflação doméstica no país gere altas nos preços dos produtos vendidos no exterior. Em outras palavras, os chineses poderão exportar sua inflação para o resto do mundo”, diz Stephen Lewis, economista do banco holandês Insinger de Beaufort, que produziu recentemente um trabalho sobre esse tema.
O aumento dos gastos com a mão-de-obra no país e do poder de consumo da população está entre as principais causas da alta dos preços. Os salários nas fábricas, principalmente nas cidades costeiras, cresceram até 80% nos últimos anos. Leia o resto do artigo »
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