Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – Após mais uma atitude unilateral e autoritária do presidente colombiano Álvaro Uribe, a América do Sul encontra-se em pé de guerra. A querela iniciou-se quando o presidente colombiano autorizou uma operação do exército colombiano em território equatoriano, que resultou na morte do guerrilheiro Raúl Reyes.
Duas questões devem ser imediatamente levantadas. Primeiramente, como bem salientou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a Colômbia feriu gravemente o princípio de soberania, baseado na inviolabilidade do território, ao invadir um país vizinho. Em segundo lugar, estranhamente o governo colombiano assassinou um dos mais moderados membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), defensor assíduo da abertura das negociações com o governo Uribe.
O assassinato de Reyes soa um tanto estranho, no momento em que as Farc se mostraram mais suscetíveis ao diálogo em toda sua história. Uma hipótese nada desprezível é a de que Uribe propositalmente articulou a morte do guerrilheiro moderado, sob a proteção do belicoso governo Bush, para radicalizar a famigerada guerra contar o terror. Como sabemos, os neocons ianques não apreciam o diálogo e tão pouco a democracia. Para eles, guerras representam uma forma eficaz (?) para resolver crises internacionais, além de serem negócios rentáveis.
Já a mídia nativa, e udenista, tenta deslocar o foco da discussão para mais uma vez culpar o presidente venezuelano Hugo Chávez. Imaginem os senhores se fosse Chávez, e não Uribe, o responsável pela invasão de um país vizinho? O que diria a imprensa ultra-conservadora? Chávez naturalmente deslocou tropas para a fronteira com a Colômbia, pois se Uribe invadiu um país vizinho, não há porque não supor que não possa fazer o mesmo em relação a outro vizinho.
Eu especulo, cá com meus botões, que esta seja mais um estratagema do governo norte-americano, amparado na sua aliada Colômbia, para desestabilizar as forças de oposição do continente (seria um repeteco do Iraque?). Aí entra a ideologia em campo, e viva o velho Marx!!, para culpar o adversário de algo que você mesmo faz. Para isso, utiliza-se novamente a imprensa ultra-conservadora como instrumento e surge o mesmo discurso: o eixo do Bem contra o Eixo do Mal.
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