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“Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”: como subverter o significado do conceito ‘poupança’ para fins conservadores. ** DEBATE III **
Posted By Gustavo On 28 março, 2008 @ 2:25 am In Desenvolvimento,Gustavo Santos,Política Brasileira,Política Econômica | 19 Comments
Gustavo Antônio Galvão dos Santos *
Estamos fazendo há alguns dias um debate sobre princípios de economia e a política do Banco Central. O último post que coloquei nessa linha foi:
Agora vamos desenvolver alguns pontos.
É comum economistas dizerem que o Brasil não se desenvolve porque “não tem poupança”.
Também é comum economistas dizerem que os juros no Brasil precisam ser altos porque “assim se estimula a poupança”.
Os economistas estão sempre defendendo a redução do consumo para aumentar a poupança.
Contradizendo esse senso comum, nosso editor Heldo, em um debate recente, levantou um ponto importante: “A questão é que poupança não é o ato de se abster do consumo.”
Macroeconomicamente ele está certíssimo. O ato de se abster do consumo é simplesmente não gerar renda. Se não gera renda, não pode aumentar a renda total da economia, portanto, não aumenta a poupança. Lembremo-nos, poupança é renda menos consumo, o que podemos expressar nessa simples equação:
Poupança = Renda – Consumo (versão macroeconômica)
Nessa equação que mora o perigo, ela é uma definição ou tautologia na forma de equação, dela não se pode retirar nenhuma inferência lógica e causal além das relações matemáticas que definem a equação.
Mas, malandramente, os economistas ortodoxos “inferem” relações de causalidade onde não deviam. Dizem assim: “tá vendo, poupança é renda menos consumo, portanto, reduzir o consumo aumenta a poupança”. Parece que é uma conclusão evidente. Não é?
Mas não é!
Lembremo-nos que dizer que poupança é renda menos consumo é o mesmo que dizer que renda é igual a consumo mais poupança:
Renda = Consumo + Poupança (versão macroeconômica)
Ora, a equação é a mesma. Nada nela está dizendo que, se reduzirmos o consumo, a renda não poderá se reduzir, mas os ortodoxos insistem na mesma falsa dedução, ou seja, na mesma falácia:
“tá vendo, poupança é renda menos consumo, portanto, reduzir o consumo aumenta a poupança”
Essa falácia supõe capciosamente que a renda ficará fixa no caso de variação do consumo. Essa é uma premissa que eles estão assumindo e que não estão explicitando. Esconder uma premissa em uma simulação de processo dedutivo é um tipo de falácia.
É necessário saber se a premissa capciosamente escondida é verdadeira. Não é.
Vejamos o por quê. Vimos que:
Poupança = Renda – Consumo (versão macroeconômica)
O que é o mesmo que dizer que:
Consumo = Renda – Poupança (versão macroeconômica)
Essa equação, em sua versão macroeconômica, significa que a soma de todas as ações de consumo (aquisição de bens de consumo) é igual à soma de toda renda obtida na sociedade menos toda a renda que não é gasta na aquisição de bens de consumo.
Para calcular o consumo e a renda de toda a economia é necessário somar a renda de todas as pessoas e o consumo de todas as pessoas. A poupança é encontrada pela subtração das outras duas variáveis.
O interessante na versão macroeconômica é compará-la com a versão microeconômica:
Consumo = Renda – Poupança (versão microeconômica)
Aparentemente são iguais. Mas reparem que a variável sublinhada é outra. Vou explicar o sublinhado mais à frente.
Lembremo-nos que, na versão macroeconômica, estão somadas a renda e o consumo de todas as pessoas, ou seja, na versão macroeconômica está as variáveis são a soma das rendas e consumo de todas as pessoas. Nas versão microeconômica, está sendo considerado só a renda e o consumo de uma pessoa.
O que acontece se eu comprar um bem de consumo que custa R$ 10 de outra pessoa? A renda dela aumenta. Minha renda não é alterada, porque independe do meu consumo. Minha poupança diminui. No momento em que a pessoa recebeu os R$ 10, a renda dela aumentou em R$ 10 reais. Mas ela ainda não teve tempo de gastar os R$ 10. Portanto, a poupança dela aumentou em R$ 10. Façamos, pois, a contabilidade agregada, macroeconômica, ou registro no PIB dessa operação.
Consumo meu + R$ 10
Renda do vendedor + R$ 10
Poupança do vendedor + R$ 10
Despoupança minha – R$ 10
Soma ou agregação macroeconômica:
Consumo agregado (somado) = + R$ 10
Renda agregada (somada) = + R$ 10
Poupança agregada (somada) = + R$ 10 – R$ 10 = 0
Ou seja, a ação de consumir aumenta a renda agregada da economia, mas não afeta a poupança, que é determinada pelo investimento, como já explicamos em outro artigo.
A equação continua valendo:
Poupança = Renda – Consumo (versão macroeconômica)
0 = 10 – 10
O sublinhado está lá para destacar que, na versão macroeconômica dessa equação, com apenas essas variáveis, a poupança agregada (sublinhada) é fixa.
Uma forma mais completa de descrevê-la seria a seguinte:
Consumo => Renda – Poupança (versão macroeconômica)
Sendo que o símbolo => denota igualdade e direção de causalidade.
O que eu disse é simples, fácil de entender, tem 70 anos e foi inventado por Keynes o maior economista do século XX. Nunca vi nenhuma crítica direta a isso. O PIB de todos os países é contabilizado assim e isso jamais foi contestado diretamente. Indiretamente, sim via hipóteses ad hoc.
Porém os economistas ortodoxos continuam insistindo que é necessário reduzir o consumo para aumentar a poupança. Claro que, a partir de algumas premissas empiricamente irreais que criam, é possível inventar várias “soluções falsas” para chegar a uma conclusão diferente daquela que o Keynes teve. Não vou aqui me prolongar sobre essas premissas irreais porque meu foco agora é mostrar a malícia do discurso político dos economistas ortodoxos. Eles defendem, nos jornais e nas declarações públicas, políticas econômicas conservadoras baseadas na idéia de que “consumo reduz poupança”. Fazem isso escondendo em falácias para não ter que explicitar essas premissas irreais.
O debate político que importa é o debate que faz diferença para vida das pessoas e para o futuro. Esse é o debate da política econômica nos jornais e nos espaços públicos.
Nesses lugares, os economistas ortodoxos sempre defendem que “precisamos reduzir o consumo para aumentar a poupança”. Por que eles querem aumentar a poupança? Porque ela supostamente aumenta o investimento. Vimos em outro artigo que essa “conclusão” é falsa. Clique aqui para lê-lo [2]. Mas também é falsa a “conclusão” de que reduzir o consumo aumentaria a poupança, como acabamos de ver. Eles usam duas conclusões falsas para chegar a conclusões conservadoras ou anti-trabalhistas igualmente falsas. São muitos passos argumentativos falsos, e facilmente derrubáveis, para se chegar a uma conclusão falsa que serve a claros interesses econômicos. Porque pessoas respeitáveis e honestas também defendem isso? Porque existe um imenso conjunto de falácias sustentadas em tanta repetição e firulas teóricas e matemáticas que as pessoas ficam perdidas. Além disso, os canais de acesso para contestar isso são limitados.
É fato que mesmo economistas com doutorado no exterior não se envergonham de repetir sempre, sempre. Constantemente, repetir que é necessário “reduzir o consumo para aumentar a poupança”. Os motivos dos enganos de cada um são questões individuais inexpugnáveis. Mas não posso deixar de sublinhar que essa repetição interminável é utilizada sempre para justificar todo tipo de proposta conservadora:
1) Salários não podem aumentar, porque aumentá-los “aumenta o consumo e, portanto, reduziria a poupança”.
2) Juros devem aumentar, porque aumentá-los “reduz o consumo, portanto, aumenta a poupança”.
3) Lucros devem aumentar, porque aumentá-los “reduz o consumo, portanto, aumenta a poupança”.
4) Impostos sobre o capital devem diminuir porque eles reduzem o lucro “portanto, reduzem a poupança”.
5) Gastos sociais devem diminuir porque eles “aumentam o consumo, portanto reduzem a poupança”.
6) Etc.
É uma lista interminável de proposições conservadoras que se utilizam da falsa conclusão de que o “consumo reduz a poupança”. E os economistas ortodoxos, apesar do doutorado, estão sempre repetindo como mantra que “consumo reduz poupança”. Todo mundo já nasce “sabendo”: “consumo reduz poupança”. Qualquer pessoa repete isso: “consumo reduz poupança”. “Consumo reduz poupança”, “consumo reduz poupança”, “consumo reduz…
De tanto repetir essa frase neste texto, até eu já estou começando a acreditar. Será que eles estão certos? Será? Ou eles estão usando o velho método do mestre da propaganda nazista, Joseph Goebbels: “uma mentira muitas vezes repetidas, torna-se verdade”.
Vamos então destrinchar a mentira. Quando você quer fazer o público acreditar em uma mentira, você precisa esconder na escuridão os pontos em que a mentira se mostra claramente falsa. É preciso revestir o lobo com pele de cordeiro. Para isso você transmite a mentira através de falácias.
Uma das falácias usadas pelos economistas ortodoxos, até com doutorado, no debate político para defender que (advinha!) “consumo reduz poupança” é:
Se referir à equação microeconômica da renda, como se fosse a equação macroeconômica da renda, e assim confundir as pessoas. Eles dizem que:
Poupança = Renda – Consumo (versão microeconômica)
Mas não se limitam a dizer isso. Falta a pele de cordeiro. Sempre que necessário eles utilizam a “solução a clássica e machista de 1001 utilidades” e repetem:
“toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”
Ou seja, toda dona de casa, que implicitamente como levam a entender não seria nenhum poço de conhecimento, sabe que consumir não aumentará sua própria Renda, mas reduzirá sua poupança. Como é prudente fazer uma poupança, “ela sabe que não pode gastar mais do que ganha”.
Ora, é óbvio que isso é verdade para a dona de casa. Quem vai discordar disso, meu Deus? Com o interlocutor atordoado, “concluem”:
“tá vendo, poupança é renda menos consumo, portanto, reduzir o consumo aumenta a poupança”
Parece ser uma conclusão lógica, mas é uma falácia. Essa conclusão é válida apenas para a equação microeconômica da Renda, que vale para o indivíduo e a dona de casa, e não vale para a equação macroeconômica da renda, onde o que é fixo é a Poupança, pois é determinada pelo investimento.
Poupança = Renda – Consumo (versão macroeconômica)
Em resposta a essa falácia, eu sugiro dizer:
– Estamos falando de Renda Nacional, de PIB, e não da renda da dona de casa. A dona de casa é sábia, e não cai nessa enganação, sabe que aquilo que ela consumir na mercearia será renda e imediatamente poupança do seu Manuel. Portanto, o fato dela consumir não está prejudicando ninguém, não está reduzindo a poupança da economia, mas sim gerando renda e emprego.
Keynes se sentirá vingado pela sabedoria da dona de casa.
Lá no além ele não deve agüentar mais ouvir que “consumo reduz a poupança”. O que ele deve ficar mais chateado é que a grande maioria dos economistas não repete essa falácia por maldade, mas porque a teoria que ele criou não está mais sendo ensinada nas faculdades. Estão sendo ensinados sofismas, porém revestidos de muita matemática difícil. Tornam assim quase impenetráveis sobre a muralha de matemática. Como sabemos, matemática diz qualquer coisa que pedirmos a ela. Mas o pobre aluno que entra na faculdade com 18 anos não sabe disso. Dizem a ele que ele só poderá “compreender realmente” a economia depois que ele se aplicar profundamente na matemática. Só poderá questionar as premissas irreais depois que concluir o doutorado em economia (matemática). Quando fizer isso, será um sábio. O melhor entre os economistas. Um dos poucos que superou as imensas dificuldades da matemática. Principalmente se fizer doutorado nos EUA. Aí sim poderá dizer o que “pensa”. Infelizmente, quando chegar a esse ponto, estará com a alma endurecida, pelo trabalho exaustivo de anos e pela intensa competitividade. Os anos da juventude entregues ao estudo de matemática abstrata. Criticar a teoria em que investiu tanto, é como jogar fora todo o esforço. É mais fácil se entregar à falsa “consciência” de ser um sábio, superior aos outros economistas e outros mortais. É mais fácil se entregar à arrogância, à vaidade e à ganância. Mais fácil defender propostas políticas conservadoras e ser muito bem pago por isso pelo sistema financeiro.
Assim são criados os economistas que dominam a diretoria do Banco Central, desde que FHC assumiu o controle da economia brasileira para fazer o plano real. Aqueles que são ouvidos pelos telejornais como sábios economistas-chefe de bancos. Aqueles que dominam as mais ricas universidades de economia. Aqueles que são os grandes ideólogos do Brasil de hoje repetindo todos os dias que “consumo reduz a poupança”.
Aqueles que desconhecem as simples e boas teorias do velho Professor Keynes e um mínimo de compaixão às misérias do nosso sofrido Brasil.
Contina aqui:
* Gustavo Antônio Galvão dos Santos: Editor.Mineiro de BH. Economista pela UFMG e mestre e doutor pelo Instituto de Economia da UFRJ. Meus artigos [4]
Article printed from Blog do Desemprego Zero: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero
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[1] DEBATE II, porque o conceito de poupança é subvertido para defender as políticas conservadoras do Banco Central: http://desempregozero.org/2008/03/27/debate-ii-porque-o-conceito-de-poupanca-e-subvertido-para-defender-politicas-conservadoras/
[2] Clique aqui para lê-lo: http://desempregozero.org/2008/03/26/debate-o-banco-central-do-meirelles-esta-certo-ou-esta-segurando-o-desenvolvimento-do-brasil/
[3] Para um economista ortodoxo: “A Ciência Econômica é o estudo da administração dos recursos escassos”. Para um economista Keynesiano: “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”. ** DEBATE IV ** Qual dessas você acha a melhor definição para a economia?: http://desempregozero.org/2008/04/02/para-um-economista-ortodoxo-economia-e-o-estudo-da-administracao-dos-recursos-escassos-para-um-economista-keynesiano-a-economia-e-o-estudo-da-administracao-da-politica-economica-do-estado-seu/
[4] Meus artigos: http://desempregozero.org/category/todos-nossos-autores/gustavo-santos/
[5] : http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/mishkin20080225a.htm
[6] : http://www.econ.upenn.edu/~dkrueger/teaching/ConsBook.pdf
[7] : http://desempregozero.org/recomendados/logica-falacias/
[8] : http://desempregozero.org/recomendados/guia-de-falacias-logicas-do-stephen/
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19 Comments To "“Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”: como subverter o significado do conceito ‘poupança’ para fins conservadores. ** DEBATE III **"
#1 Comment By aa On 28 março, 2008 @ 8:50 am
Gustavo
Um maior bem estar para população é desejo de todo economista (heterodoxo, ortodoxo, …), apesar de todas as desavenças no Brasil (em qq outro lugar do mundo, esse debate já acabou, com a vitporia de vc sabe quem). Não é monopolio de ninguém. Não crie um esteriotipo somente para critica-lo.
abraço
#2 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 28 março, 2008 @ 10:53 am
caro Aa,
você tem razão. Todos somos no fundo bem intencionados. Porém mesmo sendo vencedores e bem intencionados podemos nos equivocar não é?
todos nós podemos nos equivocar.
Somos humanos e falíveis, não é?
Criei uma figura que certamente não é a descrição da realidade de ninguém, mas é uma ilustração expressionista e analógica de certos fenômenos vi e que me inspiraram a deduzi-la. É fato que os economistas ortodoxos com doutorado no exterior são arrogantes e se acham “donos da verdade”. É fato também que eles não se dispõem a debater e a tática de debate deles é (principalmente) a indiferença, a repetição, a desqualificação e a ofensa. Até aqui nesse blog, fazem isso. Imagina nos grandes jornais e nos bastidores onde estão em jogo carreiras, e prestígio…
Desculpe se ofendi alguém. Não era minha intenção. Seria muito bom se pudéssemos chegar a um consenso sobre como poderemos ajudar nosso país a encontrar um caminho que dê a oportunidade de vida digna para todos. Somando podemos fazer muito mais do que disputando.
Mas não podemos nos calar perante ao que consideramos errado. é isso que estamos fazendo neste blog.
um grande abraço,
Gustavo
#3 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 28 março, 2008 @ 11:47 am
Prezados
Desde Keynes já se sabe que os sistemas financeiros têm capacidade de criar crédito.
Quanto ao Estado, detentor do monopólio de emissão da moeda nacional, se sabe também que não há problemas para intervenções keynesianas no curto prazo. O tripé macroeconômico pode ser usado para ativar a economia.
Para o caso brasileiro, a questão górdia encontra-se na redução da Selic a patamares internacionais. Só assim se pode esperar pressionar o concentrado sistema financeiro instalado no Brasil a elevar a oferta monetária (M3) dos pífios 28% do PIB. Faz-se necessário reduzir gradualmente o ritmo do cassino financeiro para que a formação bruta de capital fixo possa se aproximar dos 25% do PIB.
Só assim o Brasil ingressará num ciclo de crescimento sustentado. Recursos públicos antes ocupados com ‘Juros e Encargos da Dívida’ irão se tornar disponíveis para políticas progressistas…
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#4 Comment By aa On 28 março, 2008 @ 12:04 pm
Pessoal
Um textomuito bom sobre o que a politica monetária deve e consegue fazer.
[5]
Obviamente que vcs não vao concordar. Mas, enfim, vcs tão certos e o mundo tá errado.
#5 Comment By aa On 28 março, 2008 @ 12:26 pm
Outra contribuição, agora sobre consumo e poupança.
É bom pra vcs terem uma pequena ideia do que a comunidade cientifica produziu nos ultimos 70 anos. Já li grande parte desse manuscrito e recomendo:
[6]
#6 Comment By Rogério Lessa, Editor-Chefe On 28 março, 2008 @ 12:32 pm
Caro Gustavo,
felizmente agora temos esta ferramenta para interferir na manipulação de sentidos feita pelo cartel da mídia. “Donas de casa evitam gastar mais do que ganham”, pode ser respondido com “todo o empresário sabe que sem investir não vence a concorrência, mesmo que tenha que se endividar para investir”. A concorrência no mercado livre leva ao aperfeiçoamento/barateamento dos produtos? Por que então a Xuxa vende mais discos que o Chico Buarque? O Brasil precisa atrair poupança externa? Por que o Japão se desenvolveu sem ela?
Parabéns pela oportunidade do tema.
Abraço,
Rogério
#7 Comment By unodos On 28 março, 2008 @ 12:40 pm
“Por que então a Xuxa vende mais discos que o Chico Buarque? ”
a sempre presente arrogancia!!! pq talvez nem todo mundo tenha um gosto igual ao seu. Conviva com isso.
#8 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 28 março, 2008 @ 1:03 pm
Prezado Aa,
Ótimo que está colocando outras teorias!
Nossa intenção é debater aqui democraticamente.
Ouvir todos os pontos de vista.
mas vamos fazer um debate sério e honesto?
Então,
não use falácias como:
“vcs tão certos e o mundo tá errado.”
Essa é uma falácia clássica
1) Apelo ao Povo: defende-se que uma proposição é verdadeira porque segundo a maioria da população ela é verdadeira (ou de uma comunidade acadêmica, o que dá no mesmo, continua sofismático)
“É bom pra vcs terem uma pequena ideia do que a comunidade cientifica produziu nos ultimos 70 anos”
2) idem, Apelo ao Povo
3) Apelo à Autoridade:
(a) não há acordo entre os peritos do campo em questão. Os economistas ortodoxos não são os únicos e não há consenso, portanto, o apelo à autoridade, além de nunca ter valor dedutivo, não tem aí nem valor indutivo. Em termos bem simples, só porque cita é um texto do FED, não significa que estamos errados. FED também erra. E ainda nem sabemos o que o FED disse…
Você ainda comete outras falácias em tão poucas linhas.
Entre elas:
4) indiferença ao argumento contrário
5) Apelo à Ignorância: conclui-se que uma proposição é falsa (ou verdadeira) porque não se sabe se é verdadeira (ou falsa). Ao invés de colocar seus argumentos, sugere lermos um texto imenso em em inglês
São tantas em tão poucas linhas.
Se continuar assim, as pessoas vão pensar que sua teoria precisa delas para se sustentar. Ou seja, vão assim desconfiar que ela está errada.
abraços
#9 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 28 março, 2008 @ 4:48 pm
Prezados
Desqualificações são muito comuns da parte da ortodoxia liberal. A pobreza intelectual é tamanha que até nisso não conseguem produzir nada de novo. Só ofensas e desqualificações. Seus adeptos agem assim há tempos. O que impressiona mesmo é a combinação arrogância-ignorância. Todas as teorias científicas têm limitações, independente de onde surjam. Qualquer uma.
Desde os escritos de Thomas Kuhn, na década de 1960, se reconhece o caráter situado dos paradigmas científicos. As revoluções científicas ocorrem por quebras de paradigmas que não mais atendem às expectativas da comunidade de usuários. Não é diferente para a ciência econômica. Segundo Kuhn, as mudanças revolucionárias envolvem descobertas que não podem ser acomodadas nos limites dos conceitos que estavam em uso antes das mesmas terem ocorrido (‘O caminho desde A Estrutura’. UNESP, 2006). Tal fato aconteceu com o keynesianismo.
Keynes sugeriu um olhar diferente sobre o mundo para que Hobbes não viesse a ter novamente mais a nos dizer do que Locke. Segundo o seu maior biógrafo, “o não-conformismo foi um fator dominante na formação de Keynes” (SKIDELSKY, R. ‘Keynes’. JZE, 1999. p.17). Claro que Keynes incomodou ao status quo de então.
Keynes foi o primeiro a compreender e declarar que uma moeda apreciada seria uma moeda fraca e não forte. Mas a cacofonia neoliberal tupiniquim ainda não acredita nisso… Boa lição para o Brasil.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#10 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 28 março, 2008 @ 6:43 pm
Rodrigo,
Essa é genial:
“Keynes foi o primeiro a compreender e declarar que uma moeda apreciada seria uma moeda fraca e não forte.” Eu não sabia que ele havia dito isso e nunca ouvi ninguém dizer isso no mundo de hoje, mas é óbvio!
Sugestão de leitura para quem que fazer um bom debate, democrático, racional e honesto:
[7]
[8]
abraços
#11 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 29 março, 2008 @ 12:52 pm
Prezados
Keynes sugeriu que as idéias podem ser mais perigosas do que os interesses. Não porque elas sejam provenientes da cabeça de pessoas despreparadas intelectualmente e sem senso de proporção, mas porque as idéias podem camuflar grandes interesses e jogos de poder.
Defender apologeticamente livre-mercado e não-intervencionismo quando se vive sob mercados de concorrência imperfeita e tantas assimetrias de poder no jogo global merece uma reflexão. Claro que muitos preferem não fazê-la. Defender uma suposta superioridade de uma economia matemática, como se a Economia não fosse uma ciência social, com todas as suas limitações e encantos, também é uma atitude muito comum da parte da ortodoxia liberal. Certamente modelos e correlações estatísticas ajudam na elaboração de diagnósticos e propostas. O importante é se ter noção de que qualquer medida depende do instrumento de aferição.
Vejamos o Chile, um caso “de sucesso” citado pela ortodoxia liberal. Segundo estatísticas da CEPAL, do sistema ONU, 49,5% dos trabalhadores chilenos estão desempregados ou na informalidade. Houve, no entanto, uma evolução das remunerações médias de 10,6% em relação ao ano de 2000. Certamente um contexto que pode ser problematizado quanto às escolhas de inserção externa do governo Pinochet, um fiel seguidor das recomendações da escola de Chicago.
Certamente as teses keynesianas abalaram o status quo acadêmico de seu tempo. Keynes coleciona raivosos adversários até os dias de hoje. Muitas coisas rolaram desde então. A própria escola fundada por Keynes evoluiu desde os escritos dos pós-keynesianos. A nova agenda global proposta pelo diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, reflete um tempo bem interessante para os debates.
Cordialmente,
Rodrigo L. Medeiros
#12 Comment By Rodrigo Medeiros On 29 março, 2008 @ 2:54 pm
Prezados
Precisamos rever as normas de publicação deste blog. Qualquer idiota pode usar um pseudônimo ridículo para ficar covardemente atacando os outros, sem compromissos com o que escreve e sem ter que mostrar a sua grande cara-de-pau. O sujeito pode inclusive não esclarecer nada e ficar apenas fugindo do debate. Em círculos mesmo. Foge, agride e levanta uma nova bola para deslocar o debate sem se identificar.
Pelos menos já se admitiu o óbvio: até o FED e o FMI são keynesianos. Falta agora explicar como aumentar a poupança sem aumentar o investimento, abandonando a lei de Say… Agressões e desqualificações anônimas não são respostas convincentes. Mostram imaturidade e insegurança, além de covardia e caráter débil. O debate construtivo é bem-vindo. Não somos sectários. Estamos abertos à pluralidade de idéias.
Atrás de um pseudônimo qualquer um pode bancar o esperto. Não precisa responder nada, se arriscar e tampouco participar educadamente do debate. Isso não é um problema de escola econômica, mas sim de formação do indivíduo.
Cordialmente,
Rodrigo L. Medeiros
#13 Comment By Fabiano Dalto On 29 março, 2008 @ 5:38 pm
Caros Debatedores,
Minha sugestao, neste caso, e o de simplesmente nao responder, ignorar mesmo, este tipo de figura. Como voce disse, Rodrigo, e agora ha pouco com evidencias mais fortes no caso do citado Chile (e o cara ainda se diz “economista”, que absurdo!), a cara-de-pau e absoluta, pois a covardia e desonestidade lhe dao o direito de falar os mais absolutos improperios sem apresentar nenhuma evidencia do que diz.
Abracos,
Fabiano
#14 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 29 março, 2008 @ 6:07 pm
Prezado Fabiano
Defendemos aqui o direito de qualquer um dizer o que pensa. O que se pede é seriedade e respeito. Somos adeptos do debate pluralista e do desenvolvimento econômico brasileiro.
Existem grandes interesses que são mascarados por idéias convencionais. Keynes já havia percebido isso na década de 1920, quando acusou os neoliberais de então de banalizarem o pensamento de Marshall, por ignorância ou interesses particulares. Friedrich List, por sua vez, já manifestara isso em seu ‘Sistema Nacional de Economia Política’ (1841). Não precisamos nem citar Marx.
O anonimato e as agressões são mesmo atitudes covardes e que revelam o caráter débil da pessoa. Não se trata de um problema de escola econômica, mas sim de indivíduo.
Quanto à pluralidade do debate, ela é bem-vinda sempre.
Um abraço,
Rodrigo L. Medeiros
#15 Comment By Rodrigo Medeiros On 29 março, 2008 @ 8:56 pm
Prezados
Estamos debatendo de forma séria há algum tempo neste blog. Nossas opiniões encontram-se publicadas em diversos artigos bem fundamentados. Não nos escondemos em momento algum atrás de pseudônimos e ataques pessoais covardes. Respeitamos as opiniões dos outros e defendemos o contraditório e a dúvida. Muitos dos nossos comentários aqui postados são apresentados em seminários e publicados em revistas científicas indexadas. Levamos em conta que o Brasil não é a Grã-Bretanha e tampouco os EUA, ou seja, não somos um país desenvolvido.
Keynes não é inútil para o Brasil. Ele foi uma das principais influências para os fundadores do estruturalismo cepalino, principalmente para Raúl Prebisch. Este economista argentino foi presidente do BC de seu país de 1935 até a ascensão do peronismo. Durante aquele período ele precisou executar uma série de políticas heterodoxas à frente do BC porque uma nova realidade se impunha à Argentina e ao restante da chamada América Latina. Sob o governo de Getúlio Vargas, o Brasil é citado por Keynes como exemplo de política anticíclica por ter queimado sacas de café na defesa do preço de sua principal commodity de exportação da época. O Império Britânico, por sua vez, agonizava e os EUA emergiam como centro cíclico da economia mundial. Uma economia que Paul Bairoch classificou de “pátria-mãe do protecionismo” em um interessante livro sobre história econômica editado pela Universidade de Chicago.
Não há motivo algum para aceitarmos a cacofonia produzida por alguns. Há espaços para debates pluralistas e democráticos, mas não deixaremos que se use esse valioso blog para a falta de educação ou mesmo para que se busque resolver problemas psicológicos de ordem pessoal. Problemas com identidades secretas são para psicólogos… Já falta de educação no trato social é problema de formação humana.
Qualquer opinião pode ser encaminhada para a publicação no blog. O sujeito pode, portanto, mostrar a cara, se identificar (titulação, profissão, filiação institucional) e se expor ao contraditório do debate. Ele pode inclusive nos mostrar o quanto de formação possui e o quanto pode contribuir para o debate que propomos neste blog.
Já publicamos artigos de autores neoclássicos neste espaço. Sem problemas. (Realizamos respeitoso e construtivo intercâmbio de idéias com acadêmicos nacionais e estrangeiros de diversas filiações teóricas.) Em muitos casos, concordamos com suas ponderadas observações e até não conseguimos notar grandes divergências de opinião.
Cordialmente,
Rodrigo L. Medeiros
#16 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 31 março, 2008 @ 11:58 am
João? Bastos?,
Peço, por favor, que leve à sério nossa conversa. Já mostrei que uma economia com um único cidadão (Robison Crusoé) não é adequada para compreender o mundo real. E a teoria econômica não é uma teoria da ilha do Robison Crusoé, mas mundo real onde vivemos.
Você está desrespeitando o debate ao novamente se esconder covardemente na economia do Robison Crusoé. Você apenas está demonstrando o quão frágil se mostra a economia ortodoxa ao se esconder no Robison Crusoé.
Meu trabalho aqui é voluntário, não tenho tempo para ficar respondendo alguém que está debochando do próprio debate a que se propôs. Alguém que atua como um vândalo intelectual e que nem mesmo se assume.
É por essas razões e outras razões que estou pedindo para você assumir sua identidade. Com um identidade-falsa – fake – e falta de seriedade, não há qualquer compromisso com coerência, respeito e reputação.
É óbvio que a teoria keynesiana convencional (e não a do João? Bastos?) não é em nada afetada pela economia aberta. É fácil demonstrar isso, aliás, já foi demonstrado aqui. Supor uma economia aberta não muda em nada as explicações que já dei. Essas proposições abaixo valem em qualquer situação, inclusive obviamente em uma economia aberta.
1) consumo aumenta a renda e não afeta a poupança.
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”
Seu exemplo de Robison Crusoé é patético, como sempre são.
Como eu já disse, o consumo reduz a poupança na equação microeconômica da renda, ou individual ou equação da “Toda dona de casa sabe que…”
Você utilizou essa equação para descrever a economia. Depois de toda essa discussão, parece que não está levando a sério, o que acaba sendo muito cansativo para mim ter que responder novamente. Você disse, com seu costumeiro e desrespeitoso deboche:
“(1) eh falsa, obviamente e primariamente falsa. Digamos que Jose produz 10 laranjas, chupa 8 e exporta 2 para Karl. Portanto, a economia do Jose consome 8, exporta 2, investe 0, a acumula 2 em ativos financeiros, isto eh, poupa 2. O que acontece se o Jose resolve consumir mais? Agora ele consome 9 laranjas, exporta 1 para Karl e sua poupanca eh apenas 1. Portanto, o consumo afeta a poupanca. [O que eh ululantemente obvio: a poupanca eh o residuo do consumo ; “
minha resposta: Como estamos tratando de um mundo real, onde o consumo de um único indivíduo não é adequado a descrever todo o consumo nacional, eu simplesmente digo que nessa economia a poupança do setor privado caiu porque superávit em conta corrente caiu “em uma laranja”. E não porque o consumo aumentou. Sem mudar as exportações, não haveria qualquer modificação na poupança, apesar de se aumentar o consumo.
Você ainda teve a cara de pau de se gabar explicitando que está usando a equação microeconômica da renda apesar de estar falando de fenômenos macroeconômicos. Mais uma vez demonstra que existem 2 ortodoxias, uma para fazer modelos acadêmicos que ninguém lê além dos “iniciados” e uma para tentar ludibriar os debates. Você disse “poupanca eh o residuo do consumo”. Na equação macroeconômica da renda, o consumo não pode afetar a poupança, portanto ela não é resíduo da renda. A poupança só poderia “ser resíduo do consumo” se a renda fosse dada como na equação microeconômica. A poupança é a contrapartida do investimento.
Seu segundo exemplo foi um desrespeito ainda maior. Além de usar uma economia de Robison Crusoé, ainda usa uma economia de escambo. Pior, em uma economia de escambo para o mercado interno e que utiliza moeda no comércio externo. É surreal que tenha coragem de formular um exemplo tão enganador. Você disse:
“(2) eh falsa se a economia em questao for aberta. A explicacao eh similar a explicacao da (1) acima. Joao produz 10 sacos de milho, consome 9 (consumo), e usa 1 como semente (investimento). Sua poupanca eh 1 = 10 (producao) – 9 (consumo). Entao Joao decidiu que deveria investir mais. Agora Joao investe 2, poupa 2 e consome 8… o que eh um perrengue, porque para investir Joao precisa reduzir seu consumo… Mas esse perrengue pode ser evitado em uma economia aberta, pois com comercio com o Karl, Joao agora pode investir 2, consumir 9, importar 1 do Karl, poupar 1. Ano que vem o Joao vai ter que devolver 1 para o Karl mais juros, portanto a reducao na poupanca do Joao significa reducao de seu consumo e renda futura.
”
Em uma economia de escambo a palavra poupança não faz sentido ou é apenas um sinônimo de investimento. Quando você introduziu comércio externo a crédito você eliminou o escambo no comércio externo e só manteve no mercado interno. Assim, misturou as coisas para turvar o debate. Para uma economia de escambo poupança é sinônimo de investimento, portanto, mesmo na economia de escambo vale a proposição keynesiana:
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”
Exatamente a proposição que você queria provar como falsa. Você a confirmou. Mesmo em seu exemplo, toda vez que o João investe (guarda sementes) está criando poupança por definição. Você mesmo descreveu isso. Como na minha explicação anterior, quando ele importa do Karl, está reduzindo a poupança do setor privado simplesmente porque gerou um déficit em conta corrente e não porque aumentou o consumo. Além disso, mesmo na terminologia ortodoxa o que aconteceu em seu exemplo não foi uma redução da poupança mas apenas uma substituição de poupança do setor privado nacional por poupança do setor externo. Se o investimento aumentar a poupança aumentará por tautologia mesmo em sua economia de escambo do Robison Crusoé (o escambo não lhe ajudou e nem mesmo o Robison lhe salvou agora).
Repare que, dado o déficit em conta corrente, sempre que aumentar o investimento aumenta a poupança por definição, ou seja:
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”
essa frase é válida independentemente do volume de comércio exterior. E ela não encerra nenhuma relação funcional com qualquer ação de comércio exterior. As ações de comércio exterior que você usou como exemplo ocorreram independentemente do que essa proposição implica. Ou seja, são independentes. Portanto, o exemplo é completamente descabido e tem o objetivo de turvar a compreensão da questão.
Peço, mais respeito ao debate, por isso é necessário que você não use um fake ou indentidade falsa, pois assim poderia vandalizar o debate sem custos. Percebi que estou perdendo meu tempo com você, que faltou com seriedade e respeito nesse debate.
#17 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 31 março, 2008 @ 5:27 pm
João?,
É claro que cansa. Teimosia cansa.
Desistiu de uma argumentação científica?
1) sua teoria é engraçada, parece funcionar só em uma economia aberta. Você está se apegando nisso como sua última esperança. Infelizmente, às vezes temos que desistir em pontos de teimosia. Não se preocupe, isso só nos faz bem.
Sua argumentação não funciona nem em uma economia aberta, como já mostrei. não vou mostrar de novo, basta reler acima.
Você disse:
“Entao o que voce acha que aconteceria com a renda se cada brasileiro resolvesse consumir como um americano? Nossa renda chegaria a renda americana? Obviamente nao. Dizer que aumentar o consumo sempre aumenta a renda eh ululantemente errado. Se fosse certo, nao haveria pobreza no mundo, bastaria consumir mais e todos os problemas estariam resolvidos.”
Isso não é teoria, não prova nada. Nunca ouvi alguém defender isso que você está negando. Isso é uma falácia. Todos os keynesianos sabem que existe limitações de oferta no curto prazo dadas pela disponibilidade de mão de obra e capital. Há também uma limitação importante que é a disponibilidade de divisas: chamada de restrição externa. No longo prazo não há essas limitações, se fizermos uma adequada política de desenvolvimento crescendo próximo de 10% ao ano, poderemos sim alcançar a renda per capita dos EUA.
Obviamente, ninguém nunca disse que dá para multiplicar o PIB por dez em um ano. Você está negando algo ao vento. Uma falácia.
O que os keynesianos propõem para o Brasil é uma taxa de crescimento econômica próxima a 10% ao ano. Como a capacidade ociosa média na indústria é de 20% e toda a indústria pode aumentar a capacidade ou importar em menos de 2 anos, crescer a 10% não implica em limitações de capacidade ociosa, como já mostramos várias vezes em nossa história e o mundo todo sempre mostrou, como podemos ver na história recente da Ásia. Estamos muito distantes do pleno emprego, pois nossa mão de obra formal é de apenas 29% da população em idade ativa.
2) você disse:
“Tambem ululantemente errado. Eh possivel investir sem poupar. Basta usar da poupanca externa. Eh possivel tambem poupar sem investir. Basta acumular ativos externos liquidos.”
Respondo:
a) Falso . Não é possível investir sem poupar. Se está adquirindo um bem de capital no exterior, a renda obtida com ele está sendo contabilizada como poupança.
b) Nunca disse que fosse impossível poupar sem investir. Déficit público e superávit em conta corrente geram poupança do setor privado sem necessidade de ocorrência de investimento nacional. Na contabilidade nacional geral das “poupanças”, o superávit em conta corrente se chama de “poupança externa negativa” e o déficit público se chama de “poupança pública negativa”.
Não disse isso, você está se aproveitando do fato de que eu estava usando a situação de economia fechada com objetivos didáticos para confundir as coisas.
Eu disse que investimento gera poupança por definição. Também por definição a poupança pode ser gerada ou reduzida dependendo do sinal do déficit público ou do déficit em conta corrente. Na contabilidade nacional a poupança é sempre uma conta de contrapartida contábil do resultado líquido dessas variáveis. É assim por definição (taulogicamente).
vc perguntou minha graduação.
Fiz graduação na UFMG, de onde muito me orgulho.
abraços
#18 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 1 abril, 2008 @ 6:28 pm
Caro Unodos,
sua provocação está realmente muito longe da realidade.
1) O uso do conceito ‘acreditar’(supostamente) utilizada pelo Hawking está errada.
Acreditar é diferente de ter certeza.
Acreditar é crença. é similar a ter fé, que pode ser baseado em evidências empíricas ou deduções lógicas baseadas em premissas (também baseadas em crença). Essas premissas podem ser religiosas ou não.
2) Sempre há fatores ociosos. No longo prazo o único fator não substituível que pode tem limitação real de oferta é a mão de obra. pelo menos no planeta Terra é assim.
Como no longo prazo a mão de obra pode ser educada do jeito que vc quiser, o pleno emprego no longo prazo é um conceito estritamente de estoque de trabalhadores total. E esse estoque muito rarissimamente é todo utilizado.
No Brasil jamais foi completamente utilizado.
Ou seja, todos recursos no longo prazo sempre foram por muito tempo continuarão ociosos (talvez continuarão assim indefinidamente).
A não ser se conseguirmos uma taxa de crescimento proxima de 10% ao ano por quase 20 anos.
POSSO CONCLUIR ASSIM QUE EXPANSÃO CONTÍNUA DOS GASTOS GERA O CRESCIMENTO E É PLENAMENTE SUSTENTÁVEL A LONGO PRAZO. Aliás, GASTAR é tautologicamente a única forma de crescer a longo prazo, já que PIB é renda e renda é determinada tautologicamente pelos gastos
e crescimento no longo prazo é determinada tautologicamente pelos gastos anuais (de curto prazo) somados.
:.
abraços
#19 Pingback By Para um economista ortodoxo: “Economia é o estudo da administração dos recursos escassos”. Para um economista Keynesiano: “A economia é o estudo da administração da política econômica do Estado, seus condicionantes e suas implica On 2 abril, 2008 @ 3:13 am
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