¿Por qué no te callas?
Escrito por Imprensa, postado em 28 dEurope/London março dEurope/London 2008
XICO SÁ
Folha de São Paulo, 28/03/2008
Técnico meia-boca, Luis Fernandez acusa Ronaldinho de mau comportamento, e parte do Barça cai nessa
AMIGO TORCEDOR , amigo secador, só os pernas-de-pau, tanto na vida como no futebol, não enfrentam problemas com as baladas. Nem todo craque é baladeiro, óbvio. O Kaká, rapaz direito, prefere gastar parte da sua grana com Deus, no dízimo da sua igreja. A maioria dos grandes artistas, no entanto, traz no sangue um certo gosto pela vida louca.
De Garrincha a Ronaldinho Gaúcho -se é que procede tudo que os conservadores católicos espanhóis dizem-, o destino é o mesmo: o fino da bola e a queda pelo que a vida tem de melhor e mais prazeroso. Claro que essa viagem embute um certo flerte com o abismo. Não é mesmo para pernas-de-pau ou amadores.
Imagina se um anjo torto como o Garrincha tivesse a grana desses meninos de hoje? Nossa Senhora do Perpétuo Socorro! Faria de Maradona, esse patrimônio artístico e cultural da humanidade, um coroinha de sua paróquia.
O mais é inveja e mesquinhez dos fajutos corações. Que o diga Paulo César Caju, novo habitante da Paulicéia, a quem saudamos com todas as reverências e nobrezas desse mundo. Esse sim é o cara.
Só o Sérge Gainsbourg (autor da música mais tocada em motéis de todo o mundo, “Je T’aime Moi Non Plus”) viveu mais intensamente do que o PC na sua temporada francesa. Nem o Roger Vadim, o diretor de cinema que reinventou a mulher, chegou a tanto.
Voltemos ao Ronaldinho, enquanto o França, o garçom das grandes viradas de mesa, ajeita os acepipes. Amigo, que moral tem esse Luis Fernandez, técnico meia-boca, para acusar o “”mau comportamento” do nosso dentuço? É o que fez no seu livro, lançado ontem no velho mundo. Oportunismo babaca.
Ronaldinho já deu em espetáculo ao Barcelona e aos espanhóis tudo que eles nunca tiveram nos últimos cem anos. Só nos resta devolver a este senhor Fernandez a barbárie aplicada pelo rei de Espanha com Hugo Chávez: “¨Por qué no te callas?”.
O mesmo vale para toda a cúpula do Barça e para um segmento da torcida catalã que cai nesse conto moralista. Ora, não querem, vamos nós mesmos trazer o Ronaldinho Gaúcho de volta, numa deportação ludopédica nunca dantes vista nessa pátria.
Com um real de cada brasileiro que é louco por futebol -falo apenas dos loucos-, chegamos fácil aos R$ 43 milhões dos direitos federativos para liberar o supercraque.
Só a torcida do Corinthians compra fácil, fácil. A do Flamengo ainda deixa lá um troco a mais em euro. Os padeiros vascaínos já fizeram tal tipo de campanha no passado e podem repetir a história. E como seria um grande presente da massa alvinegra para o Galo, em pleno centenário, o que acha, amigo Paulo Jacinto?
A do Tricolor já tem o Adriano, que não é bem um craque, mas já gastou sua cota de boleiro-problema, chega. Com o Valdivia, então, imagina, o verdão iria voar de verdade. Quanto vale o show, amigo?
Meia pataca de cada fanático e teríamos o cara de volta. Bastava um semestre de genialidade e revenderíamos à Europa, com a devida divisão do lucro entre todos os investidores populares. É a maior jogada econômica da história. Estou nessa, quem se habilita?
xico.folha@uol.com.br










