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RECORDE PARA INVESTIMENTOS DIRETOS EM JANEIRO
Posted By leonunes On 25 fevereiro, 2008 @ 3:05 pm In Conjuntura,Leonardo Nunes,Política Econômica,Rive Gauche | 7 Comments
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – Segundo o Banco Central, os investimentos diretos somaram US$ 4,8 bilhões em janeiro, o que significa o maior volume de entrada de recursos desta modalidade em janeiro, desde o início da série em 1947. Tal façanha ocorre a despeito da crise de crédito no mercado imobiliário norte-americano.
Por outro lado, a maior entrada de recursos resulta numa ampliação de envio de remessas e lucros para o exterior, o que tem pressionado o saldo em transações correntes. Pelo visto, as pressões internacionais ainda não surtiram efeito no Brasil.
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[2] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/
[3] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/
[4] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/
[5] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/
[6] : http://desempregozero.org/2008/02/22/acabar-com-o-monopolio-neoclassico-em-economia
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7 Comments To "RECORDE PARA INVESTIMENTOS DIRETOS EM JANEIRO"
#1 Comment By Jonatas Mendonça On 25 fevereiro, 2008 @ 5:06 pm
Léo,
Concordo contigo quando afirma que a entrada desses capitais acaba resultando no maio envio de lucros ao exterior. E tendo a acreditar, assim como o Delfim Neto (em um artigo publicado na Folha), que isso ocorre pela falta de regulação governamental dos fluxos financeiros. Não que o Delfim tenha mudado de lado, mas acho que ele, como grande visionário, sabe, mais do que nós, que para manter o equilíbrio das transações e afixar parte desses lucros em território nacional, mais do que nunca vamos precisar de um estado forte e com um arcabouço normativo capaz não de limitar a entrada dos recursos, mas sim, torna-las perenes, favorecendo, por exemplo, e no limite, o desenvolvimento das infra-estruturas e do setor produtivo. A farra poderia continuar, mas vão ter que convidar mais gente pra festa….
Abraço,
Jonatas (cabeça)
#2 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 25 fevereiro, 2008 @ 11:05 pm
Caro Jonatas,
agradecemos o comentário.
Na minha opinião, e de muita gente, a crise americana já está enfraquecendo. Claro que demorará anos para os bancos digerirem o prejuízo e até lá haverá muitas outras crises e talvez uma mais aguda.
Mas não há indicações de queda da demanda no planeta. Portanto, a renda continuará crescendo.
Agora, essa discussão sobre regulação de capitais nesse momento é dispersiva e inútil. Isso é discussão acadêmica irrelevante para o momento atual pois ninguém dá trela e ninguém que tem poder quer e o país não precisa.
A ÚNICA DISCUSSÃO POLÍTICA ÚTIL HOJE QUE INTERESSA SOBRE ESSA QUESTÃO DA ENTRADA DE DÓLARES É: OS JUROS PRECISAM CAIR MUITO E MUITO RAPIDAMENTE!!
O resto é conversa para Meirelles domir.
Sossegado e com a sensação do dever cumprido…
Contra a nação!
muito obrigado pelo comentário e volte sempre ao nosso blog.
abraços
#3 Comment By Jonatas Mendonça On 26 fevereiro, 2008 @ 12:02 am
Caro Gustavo,
Obrigado pela resposta, sinto que a leitura dos posts e a troca de comentários podem enriquecer bastante meus parcos conhecimentos em economia real. Também acredito no enfraquecimento da crise americana, pois as medidas compensatórias praticadas pelo governo americano irao atenuar os efeitos e estimular a continuidade do consumo consumptivo do tio sam. O momento é favorável e a renda deve permanecer em expansão, de fato. Mas talvez vc não discorde plenamente do que eu disse, pois quando o Estado define arbritariamente subir ou reduzir os juros, fundamentado em uma política ideológia qualquer que seja, já está praticando essa regulação. Trata-se da essência da matriz filosófica que foi escolhida para por em prática. Atualmente estamos sob a égide da pobre e limitada visão do nosso querido Meirelles… Talvez, no plano real esta discussão se faça desnecessária, realmente, pois quem já está no poder não vai perder tempo com isso, mas sim engrossar o caldo do viés ideológico construída anos atrás… Mas nós, jovens em formação, se nos furtarmos a pensar no método, o que faríamos se estivéssemos lá? acredito que esta discussão é importante e sadia para nós, pois para os que lá estão agora, não há tempo para tal debate… só há uma saída: defenestrar meirelles e sua trupe já!! E, por último, não sei se entendi a real necessidade de baixar os juros acintosamente. Isso não afastaria os capitais externos à procura de rentabilidade maior?
Um abraço e parabéns à equipe do blog, a vc, ao Leo e a todos os outros.
Jonatas
#4 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 26 fevereiro, 2008 @ 12:44 am
Prezado Jonatas,
Muito obrigado pelos elogios. Todos aqui também agradecem.
e agradecemos pelos comentários.
concordo com tudo o que vc disse. A prática do FED é extremamente diferente da do Banco do Meirelles. Gostei da palavra de ordem!
Não quero dizer que a discussão sobre controles não tem importância, quero dizer apenas que a importância dela é mil vezes menor hoje para a política brasileira e o futuro do país do que a discussão se devemos reduzir “acintosamente os juros” ou não. Apesar disso, na academia heterodoxa ocorre o inverso, poucos discutem sobre juros e muitos discutem sobre controles de capitais. Na minha opinião, esse desvio de prioridades beira o desvario às vezes.
Só para exemplificar a confusão que gera vou utilizar sua frase:
“E, por último, não sei se entendi a real necessidade de baixar os juros acintosamente. Isso não afastaria os capitais externos à procura de rentabilidade maior?”
Na pergunta, parece que vc está dizendo que pode ser perigoso baixar as taxas de juros, mas vc parece entrar em contradição
com o que disse no comentário acima vc onde concorda com o Léo de que a entrada de capitais está excessiva pode ser ruim: “Concordo contigo quando afirma que a entrada desses capitais acaba resultando no maior envio de lucros ao exterior.”
bem, aí eu pergunto, a entrada de capitais está excessiva ou não? sem sim, qual é o risco de reduzir os juros?
que a entrada deixe de ser excessiva! mas isso é ótimo!
e se os juros ficarem tão baixos e saírem mais dólares do que entram?
melhor ainda!!
nesse caso o dólar vai se valorizar e a indústria brasileira voltará a ter competitividade externa e poderemos crescer acima de 7% graças ao crescimento das exportações e ao aumento do consumo e do investimento induzidos direta ou indiretamente pela queda dos juros.
E se o dólar desvalorizar demais, gerará inflação?
um pouco claro, mas será facilmente controlável, porque com 200 blhões de reserva e exportações crescente o governo pode dar o TETO que quiser para a taxa de câmbio e portanto definirá a taxa de inflação máxima que aceita.
o problema desse câmbio tão flutuante (poucos ou nenhum câmbio está tão flutuante quanto o nosso) é que a valorização do câmbio melhora pouco a inflação, mas a desvalorização piora mais sensivelmente a inflação. Entretanto, o efeito sobre a competitividade externa é similar. Por isso, um câmbio flutuante gera mais inflação dada a competitividade externa média desejada ou menos competitividade dada a taxa de inflação desejada.
o melhor é o governo definir o câmbio que for considerado melhor para o país: competitivo e estável. Assim poderemos ter exportações crescentes e inflação baixa. como em toda a Ásia.
Mas o problema da maior parte dos economistas heterodoxos e aí eu incluo o Léo, é que estão mais preocupados em defender o controle de capitais do que o crescimento econômico.
aí fazem mil malabarismo para explicar o inexplicável: que o Brasil precisa hoje indubitavelmente de controle de capitais.
Isso é certamente falso.
o engraçado é que eles tem a cara de pau de dizer que precisamos de controle de capitais para impedir a valorização do câmbio porque está entrando muito capital e ao mesmo tempo acham que sem controle de capitais não se pode reduzir a taxa de juros porque sairia muito capitais. ora, entre um valor muito excessivamente alto para um valor excessivamente negativo, existe um espectro gigantesco! Em todo esse espectro, há espaço para redução da taxa de juros, mesmo porque temos interesse que haja uma saída líquida de capitais para favorecer a desvalorização do câmbio.
Ou seja, o controle de capitais é desnecessário para voltarmos a crescer muito e rapidamente! Isso sem falar no fato de que o crescimento econômico atrai muito capital externo para investimento direto que geralmente não está particularmente interessado em juros altos.
se é desnecessário, só seria útil defender isso, se fosse uma medida fácil de ser implantada. Porém a resistância política hoje a ela nos próximos 3 anos, ao menos, é intransponível. Ou seja, se os próximos três, ao menos, tem alguma importância, temos que discutir como fazer o Meirelles reduzir as taxas de juros e não o sexo dos anjos.
abraços,
Gustavo
Na minha opinião, claro…
#5 Comment By Heldo Siqueira On 26 fevereiro, 2008 @ 9:53 am
Colegas,
talvez eu esteja postando essa opinião na discussão errada (talvez fosse mais apropriada para essa aqui [6]), mas achei importante.
Acho que essa questão da flexibilidade da taxa de câmbio reside no pressuposto burro que é ensinado por aí, da ergodicidade do sistema. Ou seja, parece que há qualquer momento, depois de o câmbio valorizado quebrar um parque produtivo (seja calçadista no sul do país, seja o pólo de brinquedos em São Paulo) assim que o câmbio desvalorizar esses elos da cadeia produtiva se recompoem.
Na verdade, diz-se que o mercado corrige o problema dos preços e depois disso tudo volta ao que era antes. É claro que é apenas um detalhe do discurso, mas acho que tem alguma influência.
Saudações
Heldo Siqueira
#6 Comment By Jonatas Mendonça On 26 fevereiro, 2008 @ 5:03 pm
Caro Gustavo,
Nao há o que agradecer. Fico extremamente contente quando vejo que ainda há pessoas sérias e dedicadas a pensar nos problemas de nossa economia e de nosso país. E penso que das discordâncias e dos debates é que saem as grandes idéias. Força para nós..
Seguindo em frente, não creio que a entrada seja excessiva, mas sim que as remessas de lucros o sejam. Acredito que criar mecanismos de continuidade à entrada de capitais, aliado à diminuição nas saídas seja nosso problema maior. Temos de dar um estímulo à permanência dos capitais aqui, em terras canarinhas. Pq se na esfera financeira estes capitais podem continuar se valorizando, pq têm de sair?? ora, nossas contas estão em déficit claro, nossas reservas, me desculpe, nem acho tão grandes assim, se compararmos com alguns países asiáticos, por exemplo. Por quanto tempo estaríamos cobertos se resolvêssemos baixar o juro e desvalorizar a moeda?! Claro que eu me importo com o crescimento econômico, mas não podemos nos ater somente aos indicadores quantitativos. temos que verificar a qualidade do crescimento. Desvalorizar a moeda seria valorizar a indústria exportadora. Isso é bom? talvez, tenhamos que relativizar, pois poderia gerar o aumento da inflação (na medida em que a produção é voltada pra fora e as importações tornadas impossíveis em função do cambio).
Acredito que o Leo, por mais heterodoxo que seja (e isso eu vejo como uma qualidade) esteja pensando como J. M. Keynes… para quem a mobilidade incontrolada dos capitais desestabilizaria o sistema produtivo e as próprias políticas de estabilização. A liberdade de capitais se voltaria contra o sistema de liberdade de capital…
Também concordo com vc que devemos acabar com essa farra do cambio flutuante, mas, aqui eu lhe pergunto: isso não seria uma forma de controlar a entrada e saída de capitais? quando se tem um cambio relativamente estável, as projeções à longo prazo tornam-se mais exequíveis…
O meireles ao que tudo indica nao irá reduzir as taxas… e se o fizer será em doses tão parcimônicas que ao final do governo ainda estaríamos em 10%…. o que poderia faze-lo mudar de idéia?? talvez um crescimento aceleradíssimo… mas… nao nos esqueçamos da inflação… vide o exemplo chinês…
Não é fácil separar o joio do trigo aqui, mas se não o fizermos, quem o fará?
um abraço,
Jonatas
#7 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 27 fevereiro, 2008 @ 4:17 pm
Heldo,
na minha opinião, vc foi perfeito!
Abraços
Jonas,
Vc vai no ponto nas perguntas.
estou sem muito tempo e vc fez um monte de perguntas complexas.
vou tentar responder rápido em CAIXA ALTA no meio do seu texto que copiei abaixo:
“Seguindo em frente, não creio que a entrada seja excessiva, mas sim que as remessas de lucros o sejam. Acredito que criar mecanismos de continuidade à entrada de capitais (NÃO PRECISAMOS DE ENTRADA DE CAPITAL ESPECULATIVO, JÁ TEMOS RESERVAS SUFICIENTES), aliado à diminuição nas saídas seja nosso problema maior (A SAÍDA LÍQUIDA DE DÓLARES NÃO É TÃO ALTA. O PROBLEMA É O DÉFICIT EM CONTA CORRENTE E NÃO O DÉFICIT DO BALANÇO DE PAGAMENTOS. OU SEJA, O PROBLEMA É QUE ESTAMOS VOLTANDO A AUMENTAR NOSSO PASSIVO EXTERNO). Temos de dar um estímulo à permanência dos capitais aqui, em terras canarinhas (HOJE NÃO É NECESSÁRIO, ESTAMOS CHEIOS DE DÓLARES). Pq se na esfera financeira estes capitais podem continuar se valorizando, pq têm de sair?? (NÃO PRECISA SAIR, MAS SE SAIR NÃO VÃO FAZER FALTA. O QUE NÃO PODE É MANTER A TAXA DE JUROS TÃO ALTAS) ora, nossas contas estão em déficit claro, nossas reservas, me desculpe, nem acho tão grandes assim, se compararmos com alguns países
asiáticos, por exemplo. (NOSSAS RESERVAS SÃO ALTAS, DOS ASIÁTICOS SÃO ALTÍSSIMAS) Por quanto tempo estaríamos cobertos se resolvêssemos baixar o juro e desvalorizar a moeda?! (MUITO TEMPO, MESMO SE AS EXPORTAÇÕES E O INVESTIMENTO EXTERNO DIRETO NÃO CRESCEREM. TODAVIA, A DESVALORIZAÇÃO GERARÁ UM IMENSO CRESCIMENTO DAS EXPORTAÇÕES E ATRAÇÃO DE INVESTIMENTO DIRETO. PORTANTO, NEM MESMO USAREMOS AS RESERVAS) Claro que eu me importo com o crescimento econômico, mas não podemos nos ater somente aos indicadores quantitativos. temos que verificar a qualidade do crescimento. Desvalorizar a moeda seria valorizar a indústria exportadora. Isso é bom? talvez, tenhamos que relativizar, pois poderia gerar o aumento da inflação (na medida em que a produção é voltada pra fora e as importações tornadas impossíveis em função do cambio). (GERA POUCO INFLAÇÃO NO INÍCIO QUE DEPOIS CAIS NOVAMENTE. DEPOIS POSSO EXPLICAR ISSO MELHOR)
Acredito que o Leo, por mais heterodoxo que seja (e isso eu vejo como uma qualidade) esteja pensando como J. M. Keynes… para quem a mobilidade incontrolada dos capitais desestabilizaria o sistema produtivo e as próprias políticas de estabilização. A liberdade de capitais se voltaria contra o sistema de liberdade de capital…
(SIM, ESSA É UMA PERSPECTIVA POSSÍVEL PARA ENTERDER A POSIÇÃO DOS DEFENSORES DE CONTROLES. MAS MEU PONTO É BEM MAIS SIMPLES. A REDUÇÃO DOS JUROS É URGENTE, DECISÃO SOBRE CONTROLE VAI AINDA DEMORAR ANOS.)
Também concordo com vc que devemos acabar com essa farra do cambio flutuante, mas, aqui eu lhe pergunto: isso não seria uma forma de controlar a entrada e saída de capitais? quando se tem um cambio relativamente estável, as projeções à longo prazo tornam-se mais exequíveis…
O meireles ao que tudo indica nao irá reduzir as taxas… e se o fizer será em doses tão parcimônicas que ao final do governo ainda estaríamos em 10%…. o que poderia faze-lo mudar de idéia?? talvez um crescimento aceleradíssimo… mas… nao nos esqueçamos da inflação… vide o exemplo chinês…
(NA CHINA É INFLAÇÃO É BAIXA, PARA TAMANHO CRESCIMENTO)
Não é fácil separar o joio do trigo aqui, mas se não o fizermos, quem o fará?”
OBRIGADO,
ABRAÇOS,
GUSTAVO