PECURÁRIA BRASILEIRA VAI ARRASAR PECUÁRIA EUROPÉIA
Escrito por Imprensa, postado em 8 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
do Conversa – Afiada
Leia a íntegra da entrevista de Luiz Hafers:
Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com Luiz Hafers que é fazendeiro, foi presidente da Sociedade Rural Brasileira. Luiz, tudo bem?
Luiz Hafers – Mais ou menos…
Paulo Henrique Amorim – Por que?
Luiz Hafers – Porque eu acho que essas questões internacionais aumentam, crescem e dificultam.
Paulo Henrique Amorim – O que é que você acha desse argumento da União Européia de que nós inscrevemos fazendas demais?
Luiz Hafers - É uma boa desculpa para uma má situação. Realmente eu acho que nós não demos conta ainda que temos que tomar cuidado com o que os ingleses chamam de “fine print”, que é a letra miúda. A verdade é que eles têm pavor, justificado, para a nossa extraordinária competência e competição. Então, ficam arrumando desculpas para não deixar nossa carne entrar. Realmente houve o que eu diria uma ingenuidade da parte de alguns de querer botar fazendas ainda não totalmente justificadas. Agora, a demanda deles que é errada. E aí eu pergunto, onde é que teve vaca-louca? Onde é que teve o último surto de aftosa? Foi lá. E essa pressão só vai aumentar. E o que nós temos que fazer não é brigar com essa gente, nós temos que convencer a dona de casa de que nós somos parte da solução delas. Eu acho que outra coisa importante que está do nosso lado, nessa briga, nesse medo, nessa discussão do sub prime, os europeus optaram por evitar a inflação em vez de tirar o aperto. O nosso argumento de que os nossos produtos combatem a inflação iniciada, ou crescente, na Europa é ótima para toda a população, menos para o Ministério da Agricultura deles.
Paulo Henrique Amorim – Agora deixa eu entender isso aqui. Nós credenciamos nossa parte trem mil propriedades. O Estado de hoje está dizendo que isso foi resultado de uma pressão fortíssima de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, principalmente de Mato Grosso e Goiás. O número superou, e muito, trezentas autorizações dadas pela União Européia, quer dizer que nós só podemos um número específico…
Luiz Hafers – Aí que começa o erro, eles começam a botar cotas. Só têm trezentos homens justos no Brasil. E o Pratini de Moraes, que é um excelente líder disso, disse “daqui a pouco eles vão querer colocar um ministro da agricultura aqui”. Dou outro lado, nós não podemos tentar dar um jeitinho, porque isso ou aquilo, botar fazendas que ainda não foram…
Paulo Henrique Amorim – Certificadas.
Luiz Hafers – Certificadas. A certificação é uma versão moderna do gangster de Nova York que cobrava a proteção. É exatamente isso, tem um bando de certificadores de tudo. Certificar o que? Certificar para nós pagarmos. Ontem eu tive numa conferência importante que diz que as agências certificadoras cobram o trabalho para dar o ”Triple A” para as pessoas. Não é só aqui não, não adianta nós ficamos brigando, no conflito. Nós temos é que ganhar as paradas. O nosso grande aliado é a dona de casa européia.
Paulo Henrique Amorim – Agora, isso tudo é porque os irlandeses estão com ciúme da nossa competitividade?
Luiz Hafers – Ciúmes não, eles estão liquidados. A agricultura brasileira vai arrasar a agricultura subsidiada dos outros. E olha, até o pessoal do champagne está reclamando do nosso espumante que é bom (risos).
Paulo Henrique Amorim – É verdade o nosso espumante é ótimo (risos), segundo o Le Monde, eu li outro dia no Le Monde.
Luiz Hafers – Então, você acha que o brasileiro vai ser bem quisto em Reims?
Paulo Henrique Amorim – (risos) Vão dizer que nosso espumante tem muita bolha.
Luiz Hafers – O público brasileiro… ainda não se deu conta da pujança da agricultura brasileira, que os europeus estão começando a se dar.
Paulo Henrique Amorim – E ficam dando razão aos europeus. Você acha na internet, os europeus têm razão…
Luiz Hafers – O pessoal do meio ambiente é que não quer que faça nada.
Paulo Henrique Amorim – Por falar nesse assunto, que eu sei que é um assunto de sua preocupação eu ontem entrevistei o Blairo Maggi que disse o seguinte, que o mecanismo que a ministra Marina Silva usa para medir o desmatamento da Amazônia está errado. Ele foi lá, botou fiscais dele junto com fiscais do Ibama, e ele diz que nas áreas onde ela diz que foi desmatada, 80% não havia sido desmatado.
Luiz Hafers – Eu não tenho dúvida de que há um viés contrário do Ibama, eles são contra tudo e contra todos…
Paulo Henrique Amorim – Quase que o bagre impediu a construção da hidroelétrica…
Luiz Hafers – Eu vi uma notícia que me preocupou de que a Vale do Rio Doce vai fazer um enorme investimento na Colômbia porque é muito mais fácil fazer as usinas…
Paulo Henrique Amorim – Ah, mas isso aí precisa ver… Você sabe que quem controla a Vale do Rio Doce são o BNDES, a Previ e o Bradesco. Tem lá um funcionário da Vale do Rio Doce, digo contratado, que se comporta como se fosse dono da empresa, não é assim, não é?
Luiz Hafers – Também concordo. Mas também que há uma dificuldade enorme para você implantar no Brasil, há. E aí, da mesma maneira que eu proponho nós nos unirmos com o consumidor europeu, eu acho que nós temos que nos unir com os sindicatos aqui.
Paulo Henrique Amorim – Por que?
Luiz Hafers – Porque o sindicato, primeiro, deve ter um interesse nacional e, segundo, um interesse nacional de aumentar o número de empregos.
Paulo Henrique Amorim – Agora, Luiz, me diz uma coisa, agora a responsabilidade cai sobre o pecuarista na Amazônia. A ministra Marina Silva parou de acusar os produtores de soja. Agora é o pessoal da pecuária. Você acha que isso faz sentido?
Luiz Hafers – Faz parte do sentido, a solução da Amazônia é fazer grandes projetos de exploração florestal sustentada. É muito melhor negócio do que derrubar para botar boi, agora, eles também dificultaram o máximo. Eu tenho um amigo meu que ele levou quatro anos para poder aprovar o projeto dele.
Paulo Henrique Amorim – De que?
Luiz Hafers – De exploração florestal sustentada. Para os seus ouvintes que não sabem como é que funciona, as árvores nascem, crescem e morrem, numa exploração sustentada você corta a árvore que já está no seu ciclo máximo e defende o meio ambiente todo para que as outras possam crescer. Isso é uma técnica, conhecida, perfeita, mas não deixam fazer nada. São contra tudo, ponto. Então, o que é que acontece, vai o mais abandidado que derruba queima, faz porque o sério não consegue chegar.
IVDL
A Ministra Marina Silva considera que a Amazônia é um deserto. Qual o impacto dessa assertiva no Índice Vamos Derrubar o Lula?










