prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

Os argumentos de Agnelli para Lula

Escrito por Imprensa, postado em 12 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

 

VALOR – 06/02/2008


O presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, ainda não convenceu o governo a aprovar a operação de compra da mineradora anglo-suíça Xstrata, mas já conseguiu diminuir a resistência. Na única conversa que teve até agora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – durante um jantar, no dia 24 de janeiro, em sua residência, no Rio de Janeiro -, Agnelli apresentou argumentos “geopolíticos” e econômicos. Lula gostou do que ouviu.

 

Naquele dia, o Valor revelou que o governo não estava nada satisfeito com a oferta da Vale pela Xstrata porque, entre outras razões, a operação envolve a transferência de parte do capital da mineradora brasileira para estrangeiros. A Vale é uma empresa privada, mas tem entes públicos – o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) e o BNDES – entre seus acionistas controladores, além de ações (“golden share”) que permitem a Brasília opinar sobre determinadas decisões.

 

 

O governo Lula apóia a internacionalização de companhias brasileiras, mas desde que seu controle fique nas mãos de nacionais. Coincidentemente, no dia em que o Valor informou a contrariedade do Palácio do Planalto com o negócio, ocorreu o jantar oferecido por Agnelli a Lula, convescote que teve ainda a presença do governador Sérgio Cabral. Sem perder um minuto daquela oportunidade, o executivo chamou o presidente num canto, expôs os “conceitos básicos” da aquisição da Xstrata e lhe fez um pedido: não emitir nenhuma opinião pública sobre o negócio até que ele fosse concluído.

 

 

O governo terá a chance de se manifestar quando a operação for submetida ao Conselho de Administração da Vale. Até lá, argumentou Agnelli, qualquer ruído poderia atrapalhar – ou mesmo encarecer – as negociações com a mineradora estrangeira. Lula concordou com o pedido, colocando-o em prática imediatamente. No dia seguinte, deu rápida entrevista, na qual sustentou não ter sequer tratado do assunto com Agnelli no jantar do dia anterior. O combinado estava valendo.

 

 

Ao expor os “conceitos básicos” da aquisição da Xstrata, Agnelli informou ao presidente que a mineradora anglo-suíça tem forte presença na América do Sul. De fato, a empresa atua em quatro países da região, além do Brasil – Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Esses países respondem por 43% de sua lucratividade. Com a aquisição, da noite para o dia, a Vale passaria a ter presença dominante na região.

 

 

A explicação encheu os olhos de Lula, afinal, ter uma multinacional brasileira investindo e gerando empregos e renda na América Latina (AL), especialmente na parte Sul do continente, fortalece a política externa de seu governo, voltada prioritariamente para o Terceiro Mundo e especialmente para os países vizinhos. Em tese, uma Vale fortalecida daria ao Brasil os recursos de poder de que carece para fazer valer seus interesses e sua liderança na região. “Do ponto de vista geopolítico, o Brasil teria na AL não só a Petrobras, mas uma super empresa como a Vale”, observa uma fonte próxima das negociações com a Xstrata.

 

——————————————————————————–

Geopolítica e investimento: a sedução da Vale

——————————————————————————–

Agnelli, segundo apurou esta coluna, usou outros argumentos na conversa que teve com Lula. Explicou que, com a compra da Xstrata, a Vale passará a ter um fluxo de caixa bem maior que o atual, o que facilitará a realização de investimentos dentro do Brasil. Mesmo sendo uma empresa menor que a Vale, a Xstrata teve, em 2006, um Ebitda (sigla em inglês para lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização do diferido) quase igual ao da Vale – US$ 10,441 bilhões, face a US$ 11,306 bilhões da mineradora brasileira. Nos primeiros seis meses de 2007, o Ebitda da Xstrata cresceu 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

 

Investir mais no Brasil, agregando valor aos minerais extraídos no país, é uma cobrança que Lula vem fazendo há tempos à Vale. Agnelli, na conversa com o presidente, teria adiantado que, com a musculatura reforçada pela compra da Xstrata, a Vale deve acelerar projetos de investimento no país, como o desenvolvimento de duas minas de cobre compradas do empresário Eike Batista, bem como o da mina de cobre Salobro, no Pará, que exige processo especial de exploração. Além disso, há o projeto de duplicação da ferrovia de Carajás e a instalação de siderúrgicas, aqui, em parceria com empresas estrangeiras.

 

 

Agnelli não queria antecipar uma conversa sobre a Xstrata com o presidente ou com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com quem tem ótima relação, porque ainda não tinha montado o “quebra-cabeça” da operação. Na ocasião do jantar com Lula, a previsão era que o negócio levaria um mês para ser concluído – agora, restariam, portanto, duas semanas. O desafio da Vale é montar uma operação financeira que não ameace o grau de investimento – a empresa foi a primeira do Brasil a obter essa distinção das agências de risco. O grau de investimento permite captar recursos no mercado externo a custos bem inferiores aos oferecidos no mercado interno.

 

 

O receio do governo de que a compra da Xstrata será o primeiro passo rumo à desnacionalização da Vale é rebatido por especialistas, que lembram que a Valepar, empresa que representa o grupo controlador da companhia, foi criada na época da privatização da mineradora justamente para blindá-la da possibilidade de desnacionalização. A Valepar detém 32,5% do capital da Vale. É bom lembrar que 65,4% do chamado “free float” da companhia, ou seja, das ações em poder do mercado, já está nas mãos de investidores estrangeiros.

 

 

A Vale corre contra o relógio. O mercado mundial de mineração vive intensa fase de concentração. A BHP Billiton corre para comprar a Rio Tinto. Na semana passada, duas empresas de alumínio – a Chinalco e a Alcoa – adquiriram 12% da Rio Tinto, o que pode dificultar (ou encarecer) a operação da BHP. Como bem assinala o analista Christopher Garman, do Eurasia Group, se aquela fusão não caminhar, o governo Lula pode impor dificuldades ao negócio da Vale com a Xstrata. Do contrário, pode ter interesse em aprová-lo. Os próximos dias serão decisivos para os dois negócios.

 



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>