Caso Nassif / Veja esquenta a guerra política na blogosfera brasileira
Escrito por blogdojefferson, postado em 17 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Jefferson Milton Marinho (meus artigos) do Blog do Jefferson
“Texto publicado no Observatório da Imprensa sobre a batalha entre Luis Nassif e a revista Veja. O Blog do Jefferson é solidário com o jornalista Luis Nassif e sua corajosa luta contra o mau jornalismo praticado pela revista (clique aqui para ler a série de reportagens)“.
Do Observatório da Imprensa
O confronto entre o jornalista Luis Nassif e a revista Veja ganhou ares de primeira grande batalha política a ser travada no mundo dos blogs brasileiros. Noutras partes do mundo, as grandes polêmicas online já deixaram de ser uma novidade e se incorporaram à rotina política.
Nassif começou a publicar no blog Projeto Brasil, início deste ano, uma série de textos sobre o papel de revista Veja em episódios políticos recentes na história do país, especialmente durante os governos FHC e Lula. Você pode acessar a série aqui no Observatório. Nassif também publica os textos no GooglePages, no que provavelmente será o embrião de um livro.
Na verdade, a série é o mais recente episódio de uma polêmica pública, iniciada há pelo menos um ano e protagonizada, na primeira linha de tiro, pelos blogs dos colunistas Diogo Mainardi (blog com áudio) e Reinaldo Azevedo, ambos da Veja, e os também jornalistas Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, e o próprio Nassif.
O debate, num clima com temperatura em elevação, envolve questões político-partidárias (articulações voltadas para as eleições de 2010) e econômico-financeiras (disputa corporativa pelo controle das telecomunicações).
Como é normal neste tipo de controvérsia, ambos os lados estão sendo municiados com informações fornecidas por partes interessadas, o que deve garantir uma vida longa para a polêmica, porque o setor das telecomunicações neste país é um manancial quase inesgotável de negociatas de todos os tipos.
O episódio coloca, no entanto, em evidência o papel da internet — e em especial dos blogs — como arma política. Nos Estados Unidos isto já vem acontecendo desde 2006, tendo como principais protagonistas os blogs Instapundit (conservador) e DailyKos (liberal). Há vários outros mais ou menos radicais, mas os dois mencionados são os mais visitados e servem de referência em seus respectivos campos.
A politização na blogosfera norte-americana já invadiu também o popularíssimo site de vídeos YouTube, sem falar nos sites de relacionamento, em especial os voltados especificamente para o terreno político como o MoveOn e o MeetUp, os mais conhecidos.
O uso político da Web era inevitável porque se trata do veículo de comunicação potencialmente mais democrático entre todos os já desenvolvidos pelo homem, apesar de menos de 16% da população mundial ter acesso à rede
Web, os blogs ocupam um lugar especial na comunicação política porque são uma ferramenta fácil e rápida para manifestar opiniões políticas. Hoje já são quase 80 milhões de blogs no mundo inteiro, dos quais cerca de 30% tratam de temas políticos, de atualidade informativa e de opiniões.
A polêmica Nassif/Veja sinaliza também uma outra questão relevante: a diluição das fronteiras entre o jornalismo e o ativismo. Os protagonistas deste episódio não são os primeiros e muito menos os últimos a mover-se neste terreno difuso, que tende a se tornar ainda mais nebuloso na medida em que a contextualização das informações revela a complexidade de fenômenos e processos em curso.
Está cada dia mais difícil fazer a separação entre fato e opinião. Não porque faltem fatos, mas sim porque eles já não podem mais ser vistos por uma ótica dicotômica, ou seja, certo ou errado, bom ou mau. Isto afeta intensamente a atividade jornalística, pois a profissão é regida até hoje por códigos e valores criados nos anos 1920 e 30, quando surgiu, nos Estados Unidos, a grande reação contra a chamada imprensa marrom, que fazia abertamente o jogo dos poderosos da época.
O conceito de profissionalização foi a grande ferramenta dos jornalistas para lograr uma razoável autonomia das redações em relação aos interesses patronais. Hoje, porém, a inovação tecnológica está provocando uma nova reviravolta no ambiente jornalístico.
Conceitos como isenção e independência perdem gradualmente a sua importância diante da dificuldade em poder defini-los em termos práticos por causa da crescente complexidade informativa. Portanto fica também difícil separar fato e opinião, coisa com a qual teremos que nos acostumar cada vez mais.
São tempos de transição, onde nada ainda é definitivo, mas uma coisa parece mais provável: a importância crescente da transparência como valor e ferramenta para identificar interesses, beneficiados e prejudicados.
A exigência de transparência pode ser o único recurso a disposição do público para acompanhar o debate Nassif/Veja sem o risco de perder-se no emaranhado de denúncias publicadas por ambos lados.











17 dEurope/London fevereiro, 2008 as 1:06 am
Jefferson,
vc mandou muito bem em colocar esse post! é um bom resumo e há muitas informações valiosas.
mas não posso deixar de sublinhar minha opinião de que o autor ficou em cima do muro de maneira covarde na minha opinião.
GUERRA ENTRE BLOGUEIROS????
NÃO POSSO ACREDITAR QUE TIVERAM A COVARDIA DE FAZER ESSE TIPO DE INSINUAÇÃO
NÃO É UMA GUERRA ENTRE BLOGUEIROS! O NASSIF ESTÁ LEVANTANDO EVIDÊNCIAS DE MANIPULAÇÕES DIVERSAS DA REVISTA E PONTO. É NASSIF FAZENDO REPORTAGENS SOBRE A MÁ CONDUTA DA VEJA. SIM, ACABA SENDO UMA GUERRA, MAS NÃO ENTRE BLOGUEIROS, MEU DEUS! É ENTRE A MAIOR EDITORA DO PAÍS E UM ÚNICO BLOGUEIRO.
O Observatório da Imprensa está se mostrando covarde. Demorou muito para escrever sobre o Assunto! (por que? estava com medo de dizer o que deve ser dito?) e quando escreve é esse textinho em cima do muro. O OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA PRECISA SE POSICIONAR CLARAMENTE!! ESSA É a missão em que eles se propõem. OU SERÁ QUE o $$ dinheiro da FUNDAÇÃO FORD está SUBINDO À CABEÇA e aos bolsos??
Olhe o comentário que o próprio Nassif escreveu sobre este post no original:
Prezado Castilho, solicito acompanhar mais de perto essa disputa, para não entrar na avaliação ligeira de Cora Ronái e outros, que pretendem reduzir a questão a uma disputa de blogueiros. A primeira manifestação minha, com o primeiro capítulo da série, foi deixar bem claro que nada tenho a ver com a cruzada de Paulo Henrique. Se ler a série verá que não existe proselitismo político, existe jornalismo. E não existe apoio do iG – saliento bem, não existe apoio do iG – para que se tente caracterizar essa batalha como sendo de disputa corporativa. Existem fatos, análises e jornalismo, fundamentalmente jornalismo. Minha série procura mostrar que, mesmo dentro do campo fluido da Blogosfera, deve-se recorrer exclusivamente às armas do jornalismo. Sugiro que compare mais cuidadosamente o que é escrito nos blogs da Veja com a minha série. Na Veja, há lama, acusações, esgoto – chegam a insinuar até homossexualismo. No meu não existem ofensas, mas fatos e análises. Como sei do cuidado com que você procede às suas análises, em nome de uma guerra desigual em que me meti, solicito apenas o direito de ser lido com mais atenção por você.
Luis Nassif, Jornalista
Deêm uma olhada nos comentários no próprio observatório da imprensa e percebam como o texto foi medrosamente em cima do muro:
cliquem aqui
17 dEurope/London fevereiro, 2008 as 12:19 pm
Gustavo,
Concordo com seus comentários. Ontem, quando li o texto, também percebi a convardia nas opiniões. Comecei a escrever um comentário, mas tá virando um texto próprio, que devo publicar hoje ainda, então não coloquei logo abaixo.
O autor do texto escorrega, não toma partido nas graves denúncias e passa um pouco a idéia de guerra na blogosfera. Certamente não é isso. Parece que o autor está para o lado do pessoal da Folha que chamou de “engajados” os blogs políticos. É uma forma de desqualificar o debate, e principalmente as denúncias em si.
Não respondem às denúncias do Nassif, mas buscam desqualificá-las. É jogo rasteiro. O Observatório da Imprensa está devendo nesse episódio.
Abraços,
Jefferson
17 dEurope/London fevereiro, 2008 as 12:43 pm
Jefferson,
há tempos tenho percebido que o Observatório da Imprensa tem tido posicionamentos covardes. Até hoje eu nunca vi eles admitirem que a imprensa manipula informações para fazerem negócios e definirem quem são os “bons” e o “maus” políticos. O Observatório da Imprensa não admite que há venda de notícias falsas para ganhar $$ dinheiro e tentam tutelar a democracia. Eles recebem recursos da Fundação Ford, será que é por isso? há diversos livros acusando a Fundação Ford de ser um braço da cia. Mas sobre isso não posso dizer nada. Não entendo desses assuntos. só posso dizer que a atitude foi covarde, pois tratou as reportagens do Nassif como mero instrumento de uma briguinha de “garotos”, mas o assunto é claramente muito mais sério.
abraços
24 dEurope/London março, 2008 as 3:00 pm
É como o colega Gustavo colocou: é uma briga desigual onde um lado tem muitos fundamentos e fatos para montar sua análise (Nassif, obviamente) e o outro responde como sabe responder: achaques, insultos e coisa que o valha.
Nesse caso em particular, o OI ficou devendo: colocou a disputa como sendo entre iguais em todos os sentidos, o que está longe se ser a realidade.