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Blog do Desemprego Zero

Chico de Oliveira: OBAMA, TOCQUEVILLE E A ILUSÃO AMERICANA

Escrito por Gustavo, postado em 28 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Artigo de Chico Oliveira, publicado hoje na Folha de São Paulo (para assinantes)

Retirado do Depósito do Maia

Concordo com o Chico de Oliveira que há uma enorme semelhança entre Hillary e Obama PT e PSDB (inclusive já ressaltei os problemas e origens dessas semelhanças, segundo minha opinião, CLIQUE). Mas discordo que sejam coisas iguais. O PT tem uma base popular que inevitavelmente o distancia do PSDB. A grande mídia ao menos pensa assim (sobre isso CLIQUE).

 Há diferenças importantes entre os políticos, mesmo quando do mesmo partido, se não de macro-ideologia, ao menos de coragem, tolerância, decência e sabedoria. Não diferenciar nesses casos, significa se abster de opinar no curto prazo sobre  de coragem, tolerância, decência e sabedoria. O que significa também pode significar perdas no longo prazo, que poderiam estar mais associadas às questões mais estruturais ou de interesse ideológico. Obama, por exemplo, teve coragem de dizer que os EUA precisam rever de forma significativa a posição em relação a Cuba. Vejam o que o Jefferson diz sobre Obama, CLIQUE.

Feitas minhas ressalvas, o texto do Chico de Oliveira é muito interessante e faz críticas corretas ao governo. Confiram:

OBAMA, TOCQUEVILLE E A ILUSÃO AMERICANA

Folha de São Paulo

Francisco  de Oliveira

Obama, com  seu terninho correto que faz par com o tailleur de Hillary Clinton, é tão  parecido com sua rival quanto o PT com o  PSDB

TOCQUEVILLE ESTÁ entre os  mais reputados teóricos da democracia, e seu livro clássico sobre a democracia  na América em nada se parece com os tratados enfadonhos e formais sobre a forma  de governo inventada pelo gregos da época clássica. Trata-se de investigação  sobre os fundamentos, eu diria, sociológicos, da democracia nos EUA; nosso  Sérgio Buarque de Holanda fez, com o também clássico “Raízes do Brasil”, a  explicação de por que a forma democrática é quase inviável em Pindorama. 

Mais de um século depois, o belicista  Churchill cunhou outro paradoxo, plagiando Tocqueville: a democracia é o pior de  todos os regimes, salvo todos os outros. O velho leão britânico somente  aprenderia a não incentivar guerras coloniais -”remember” a Guerra dos Bôeres-  depois que o nazismo ameaçou liquidar a velha Albion e submeter o mundo  ocidental a uma nova idade das trevas.

Barack Obama, parece, será o indicado pelos  democratas para a disputa da Casa Branca, desbancando a chata da Hillary, coisa  que talvez se defina logo no próximo dia 4. Para os leitores de Tocqueville,  talvez sua eleição à mansão sem estilo da avenida Pensilvânia pareça realizar os  prognósticos do nobre francês. Mas aqui entra o famoso paradoxo de Tocqueville,  segundo o qual a ampla democratização torna banal a participação dos cidadãos e  desinteressante a democracia.

O forte absenteísmo dos próprios  norte-americanos às suas eleições presidenciais confirmaria o pessimismo  tocquevilleano. Em termos schmittianos, a democracia de massas é não-agônica,  onde não se decide nada. Não falta ao paradoxo de Tocqueville, como é óbvio, um  certo desdém aristocrático, que o autor francês disfarça todo o tempo. 

Uma crítica de direita se alinharia  apressadamente ao paradoxo, desqualificando imediatamente a eleição do primeiro  negro à Presidência dos EUA. Uma crítica pela esquerda vê o problema de outro  ângulo: o paradoxo de Tocqueville não decorre da banalização da democracia pelo  predomínio das massas, mas é um produto da colonização da política pela  economia. Em outras palavras, o capitalismo, em sua fase globalitária, torna  inútil a política e irrelevante a participação dos cidadãos. Nos EUA, é certo  que decisões como a invasão do Iraque foram até mesmo planejadas no Salão Oval,  mas antes o celerado Bush filho teve que pedir permissão a Alan Greenspan, o  ex-todo-poderoso presidente do Fed; aliás, esse senhor atravessou os dois  mandatos de Clinton e entrou pelo mandato de Bush adentro, somente renunciando  um ano e meio atrás, e os norte-americanos nunca votaram nele para coisa alguma.  E o Senado norte-americano, que ratifica as indicações presidenciais, faz-lhe  uma argüição que é tão contestadora quanto os programas de Silvio Santos. Isso é  a colonização da política pela economia.

Entre nós, mesmo a própria democratização  brasileira, de que o PT foi co-autor importante, é hoje irrelevante: em lugar da  transformação prometida pelos longos anos da “invenção democrática”, o PT e Lula  transformaram-se em fiadores do capitalismo globalitário no Brasil.

Vejam-se,  como já se salientou aqui mesmo nesta Folha, os lucros do sistema  bancário brasileiro e o tratamento do social: meros R$ 8 bilhões para o Bolsa  Família, o ai-jesus de Lula e do lulo-petismo, e R$ 160 bilhões de juros da  dívida pública interna. Ou em 2007, os R$ 20 bilhões do lucro dos quatro maiores  bancos contra os R$ 21 bilhões de todo o Orçamento social de Lula (incluindo-se  seguridade social, Bolsa Família et al).

Tomara que Obama desminta o paradoxo de  Tocqueville; tomara que suspenda imediatamente o odioso embargo contra Cuba,  aproveitando inclusive a oportunidade da retirada de Fidel da linha de frente do  governo cubano; tomara que retire as tropas do Iraque, terminando de vez com  esse desastre anunciado; tomara que retome a linha de um Jimmy Carter, não  apoiando as ditaduras e o descarado intervencionismo gringo; tomara que inaugure  uma linha próxima do New Deal rooseveltiano e detenha o empobrecimento das  classes populares norteamericanas e a crescente desigualdade; tomara que um  desastre como o Katrina não possa outra vez expor a olho nu a produção  desapiedada da pobreza, escondida no charme da outrora francesa Nova Orleans.  Tomara. Mas que é improvável, é. Ele é tão parecido com a Hillary, com seu  terninho correto que faz par com o tailleur da ex-primeira-dama, quanto o PT com  o PSDB. Tocqueville ri na tumba?

 FRANCISCO  DE OLIVEIRA,  74, é professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da Faculdade de  Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.



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