FASCISMO À BRASILEIRA
Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 14 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Bruno Galvão *
Tinha gostado bastante da resposta do Wagner Moura à critica de que o filme Tropa de Elite era fascista:
“Não é possível que alguém que tenha visto “Ônibus 174″, um dos filmes mais humanistas dos últimos tempos, possa achar que o Zé Padilha (o diretor) tenha feito um filme fascista. Mas também fico preocupado quando vejo o capitão Nascimento ser tratado como herói. Fico pensando como reagiria ao filme uma platéia sueca. Não creio que pensariam naqueles policiais torturadores como heróis, assim como muita gente que vê o filme aqui também não pensa. Talvez os suecos não precisem de heróis. Talvez, aí sim uma tragédia, fascistas estejamos nos tornando nós, brasileiros, cidadãos carentes de uma política de segurança pública qualquer, que vemos naqueles policiais honestos, bem treinados, mas desrespeitadores dos direitos humanos mais elementares, a solução para o caos em que estamos metidos.”
Eu pensei: “Realmente, o filme só mostra uma realidade, fascista é quem defende a atuação do Capitão Nascimento.” A direita brasileira amou o filme, porque, sabe que se seus filhos espancarem covardemente uma empregada nada acontecerá, e quem apanha e é assassinado pela polícia, muitas vezes, injustamente, é pobre. Apesar das falas não anti-fascistas do diretor e do ator, é estranho que a direita brasileira tenha festejado tanto o filme. Mas, pela reportagem da Folha, parece que a maior parte da imprensa internacional acha o filme fascista. É bom saber que nos países desenvolvidos a população não aprova esse tipo de comportamento policial. É bom saber que os fascistas brasileiros, apesar de seu deslumbramento com os países desenvolvidos, não contam com as opiniões críticas internacionais. Estou cada vez mais convencido de como é reacionária grande parte da elite brasileira. É bom saber que nos países que essa própria elite chama de “civilizados”, o fascismo hoje é uma parcela política minoritária.
A revista norte-americana “Variety”, que recentemente incluiu Padilha numa restrita lista de dez diretores em quem se deve prestar atenção, foi especialmente dura com o filme.
Em resenha assinada por Jay Weissberg, a “Variety” atribui a “Tropa de Elite” um “estilo Rambo” e sustenta que ele faz “uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como um filme de recrutamento de seguidores fascistas”.
Weissberg afirma ainda que, segundo o filme, “só o Bope pode salvar a cidade [do Rio], mas isso requer, antes, a remoção cirúrgica de qualquer coisa que se pareça com um coração”.
Leitores brasileiros da versão online da revista escreveram no site mensagens de protesto e atacaram o autor da crítica.
A “Hollywood Reporter” publicou entrevista e reportagem sobre o filme, com destaque em sua capa da edição de ontem, mas chamou-o de “um filme constrangedor sobre policiais assassinos”.
A crítica afirma que “o pressuposto básico do roteiro escrito por Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani é que todo mundo no Rio é corrupto, especialmente as autoridades”.
A revista inglesa “Screen”, por sua vez, deu ao filme a nota máxima –quatro estrelas, correspondente a “excelente”–, numa crítica farta de elogios.
“A montagem corajosa, a incansável câmera na mão e essa espécie de tom quente e realista conhecido desde “Cidade de Deus” e “Amores Brutos” produzem uma mistura que é mais funcional do que inovadora, embora seja eficiente”.
A crítica do jornal francês “Le Monde”, publicada no blog de cinema do diário, acusa o filme de fazer apologia da tortura: “”Tropa de Elite” é feito segundo a receita do neoconservadorismo hollywoodiano –montagem frenética, câmera epiléptica, narrativa que não deixa nenhum espaço à ambivalência. Não é preciso ser hipersensível para ver no filme uma apologia da tortura e das execuções extrajudiciais”, afirma o crítico Thomas Sotinel.
A reação da imprensa alemã foi desigual. O jornal “Berliner Zeitung” avaliou o filme como “excitante e original”, disse que ele apresenta “os diversos lados da questão” e o faz com bom “equilíbrio entre os aspectos ficcional e documental”.
Já o “Der Tagesspiegel” disse que, no retrato do “mundo pavoroso e sem lei” que o filme faz, “não há zonas brancas e negras; tudo é escuro”. Os dois jornais, no entanto, ressaltaram que “Tropa de Elite” não é fascista. “E nisso [fascismo], como você sabe, somos especialistas”, comentou o jornalista alemão.
Padilha acredita que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovam “Tropa de Elite” desde a sua estréia no Brasil.
Sobre as resenhas publicadas ontem, o diretor afirmou: “Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso”.
Mestre e doutorando em economia pela UFRJ











15 dEurope/London fevereiro, 2008 as 4:50 pm
Sobre Tropa de Elite passe um olho em um blog de literatura e jornalismo, em http://urarianoms.blog.uol.com.br/
Abraço.