ECONOMISTAS JÁ ALERTAM PARA PERIGOS DE DEPRECIAÇÃO CAMBIAL
Escrito por leonunes, postado em 7 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
Rio de Janeiro – Segundo reportagem do jornal Valor Econômico (clique aqui só para assinantes), muitos economistas já alertam para os possíveis efeitos de uma considerável depreciação da moeda brasileira. Os fatores responsáveis por tal possibilidade são a redução do crescimento econômico norte-americano, o aumento à aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais e a queda nos preços das commodities.
Como é sabido, uma abrupta depreciação cambial pode ter efeitos perversos sobre uma economia. Por um lado, pode-se ter um descasamento de moedas, isto é, um descasamento entre ativos em moeda nacional e passivos em moeda estrangeira, que pode resultar em falências e crises bancárias e / ou financeiras. Por outro lado, uma depreciação do câmbio pode gerar pressões inflacionárias, o que obriga o Banco Central, num regime de metas de inflação, a apertar ainda mais a política monetária.
A estabilidade da taxa de câmbio é uma variável-chave numa economia capitalista, pois funciona como âncora de expectativas para a tomada de decisões em investimentos voltados para a exportação. Além disso, ela é importante para a manutenção da competitividade externa e para a saúde do sistema financeiro. Por fim, ela colabora para não gerar pressões inflacionárias.
Portanto, vê-se o equívoco da autoridade monetária ao deixar a taxa de câmbio flutuar livremente, ao sabor de movimentos especulativos e de arbitragem. Estas operações podem ser revertidas num ambiente internacional mais hostil, o que pode implicar uma indesejável depreciação do câmbio.











7 dEurope/London fevereiro, 2008 as 12:00 pm
Léo,
não seria apreciação cambial?
abraços
7 dEurope/London fevereiro, 2008 as 4:18 pm
Caro Leonardo,
acredito que a verdadeira política monetária não reside em controlar a inflação simplesmente, mas em controlar o câmbio e regular entre uma inflação moderada e a competitividade do país. Em outras palavras, a apreciação cambial (ou a manutenção de um câmbio apreciado) é muito eficiente para o controle da inflação (muito mais eficiente que o controle da demanda, por exemplo). Em contrapartida, o câmbio desvalorizado é excelente para alavancar as vendas internacionais.
Ou seja, assim como a depreciação cambial é perigosa (por causa da inflação), uma apreciação do câmbio retira a competitividade dos produtos. Precisamos de um meio termo!
Abraços
7 dEurope/London fevereiro, 2008 as 5:33 pm
Heldo,
concordo plenamente com vc.
só sublinharia um detalhe. competitividade x inflação, pode ser um dilema no curto prazo, mas não é um dilema no longo prazo.
explico:
competividade tem relação com o nível da taxa de câmbio (real). a inflação tem relação com a taxa de desvalorização do câmbio.
ou seja, câmbio desvalorizado melhora a competitividade da indústria e da agricultura, mas desvalorizar o câmbio afeta a inflação.
Entretanto, uma vez desvalorizado o câmbio, se ele for fixado a inflação acaba. Isso significa que vc pode desvalorizar o câmbio e depois fixá-lo. com isso manterá a competitividade e aos poucos a inflação será reduzida a níveis muito baixos.
A China por exemplo fez isso. desvalorizou o câmbio em 1994 e depois fixou. a inflação lá é baixíssima e o crescimento muito alto, graças à combinação de câmbio desvalorizado, porém fixo.
esse é o segredo de todos os processos de desenvolvimento bem sucedidos.
oi Léo, vc está sem tempo para responder?
abraços,
Gustavo