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Blog do Desemprego Zero

Crescer sem inflação, na visão heterodoxa

Escrito por Imprensa, postado em 11 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Alex Ribeiro é repórter em Brasília

Valor Econômico
11/02/2008

Será publicado, em livro editado pelo Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um interessante
estudo do secretário de Acompanhamento Econômico do
Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que mostra o
quão enganoso é calibrar a política de juros com base
no chamado hiato do produto, indicador que mede o
limite para a economia crescer sem acelerar a
inflação.

O estudo mostra que quem estava na cabine de comando
da política monetária em fins de 2003 via, por meio
desse instrumento, uma economia que operava no limite
de seu potencial. Ou seja, só seria possível crescer
mais se o Banco Central tolerasse mais inflação. Dois
anos mais tarde, em 2005, quem refizesse as contas
usando exatamente o mesmo critério iria descobrir que,
na verdade, a economia estava 1,14% abaixo de seu
potencial em fins de 2003. O hiato do produto
mostrava, portanto, que teria sido possível crescer
mais sem acelerar a inflação. Transcorridos mais dois
anos, em 2007, o indicador revelaria que, na
realidade, havia espaço para crescer mais 1,24% sem
que a inflação sofresse qualquer abalo.

O estudo de Barbosa é oportuno porque, a exemplo de
2003, exatamente agora alguns economistas estão se
apressando em afirmar que a economia opera no limite
do seu potencial. A avaliação corrente é que, depois
de avançar algo como 5,3% em 2007, a economia não
poderia crescer muito acima de 4% sem provocar a
aceleração da inflação. Há, inclusive, quem sustente
que o estouro do hiato do produto já se materializou
na inflação mais alta dos últimos meses.

O próprio Barbosa faz seus cálculos: no terceiro
trimestre de 2007, a economia brasileira estava 1,58%
acima de seu potencial. “Antes que tal número elevado
desperte grandes temores inflacionários, é preciso
levar em conta que o que vale para trás também vale
para frente”, pondera Barbosa. “O que hoje parece ser
uma economia superaquecida pode se revelar uma
economia com nível de atividade neutro.”

———————————————————-
Cálculos subestimam capacidade da economia
———————————————————-

O trabalho de Barbosa é criticado por economistas
ortodoxos. “O assunto é mais velho do que a Sé de
Braga”, afirma o economista-chefe para a América
Latina do Banco ABN Amro, Alexandre Schwartsman, que
foi diretor de assuntos internacionais do BC. “Não
traz nenhuma novidade ao debate, a não ser no Ipea,
com sua nova orientação”, afirma, referindo-se à linha
adotada depois que um economista heterodoxo, Márcio
Pochmann, assumiu a presidência do instituto.

No seu texto, Barbosa calcula o hiato do produto
segundo duas metodologias, ambas usando um instrumento
muito difundido entre os economistas – o chamado
filtro HP. “O estudo cria um enorme espantalho em
torno do filtro HP, mas o BC trabalha com coisas mais
sofisticadas”, afirma Schwartsman. “Ninguém no BC dá a
importância ao hiato do produto que alguns alegam.”

Críticas a parte, o texto merece uma segunda olhada,
por três motivos. Primeiro, porque Barbosa tem grande
influência dentro do governo. Ele foi assessor
econômico na campanha de reeleição de Lula, em 2006,
e, além de ter um papel importante na definição de
política macroeconômica no Ministério da Fazenda,
tornou-se um interlocutor importante no Palácio do
Planalto e em setores do BC. Outra boa razão para ler
o texto é que, entre os não-ortodoxos, Barbosa é um
moderado. Os economistas keynesianos mais radicais
acham uma bobagem o próprio conceito de hiato de
produto. Defendem a tese de que, havendo demanda, a
oferta se ajusta a ela, infinitamente. Barbosa
reconhece que há limites ao crescimento econômico no
curto prazo que, se forem ultrapassados, provocam
aceleração da inflação. Por fim, ele faz parte de uma
geração de economistas que, ao contrário dos
pensadores heterodoxos mais tradicionais, usa métodos
matemáticos e quantitativos consistentes para defender
os seus pontos de vista.

Barbosa diz que o problema das metodologias mais
usadas no cálculo do hiato do produto é que, em geral,
elas usam dados estatísticos passados para inferir o
que vai acontecer com a economia no futuro. Funcionam
muito bem enquanto a economia mantém uma trajetória
uniforme. Mas produzem erros grosseiros quando há uma
mudança de tendência. Quando o crescimento da economia
se acelera, como ocorreu em 2003 e, mais recentemente,
em 2007, subestimam a capacidade de crescimento da
economia. Mais tarde, refeitas as contas, descobre-se
que dava para crescer mais sem afetar a inflação.

O perigo é o BC levar muito a sério o que dizem as
medidas de hiato do produto. Diante de um risco
inflacionário que, na verdade, não existe, produziria
um aperto monetário, deprimindo o crescimento
econômico. O resultado seria o pior possível: a
aceleração econômica é abortada e, quando os cálculos
do hiato do produto são refeitos, descobre-se que de
fato a economia não podia se expandir a taxas mais
robustas sem provocar inflação. “Pode até parecer que
a autoridade monetária acertou ao abortar o
crescimento econômico, quando na verdade errou,
reduzindo a capacidade de crescimento”, afirma o
secretário. Para não cometer esse tipo de imperícia,
diz Barbosa, o ideal é o BC não se fiar no hiato do
produto, preferindo indicadores desagregados sobre a
inflação e a capacidade de crescer.

Ele dá um exemplo concreto: em fins de 2007, a
inflação se acelerou, chegando a 4,46%, o que poderia
levar a uma conclusão equivocada de que a economia
estava superaquecida. O exame mais detalhado dos
índice de inflação mostra que ocorreram, na verdade,
choques de oferta importantes. Leite e derivados
tiveram um impacto de 0,41 ponto percentual (pp.) na
inflação, e os cereais, leguminosas e oleaginosas,
mais 0,28 pp., provocado pela alta do preço do feijão.
Descontados esses dois fatores, a inflação cai para
abaixo de 4%. “Sei que o BC não olha apenas o hiato do
produto nas suas decisões”, afirma Barbosa. “Mas
alguns economistas têm um apego quase religioso ao
tema. É para esse público que se dirige o estudo.”



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