Escrito por Gustavo, postado em 18 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Em um artigo de dezembro passado escrevemos um artigo dizendo que o Brasil é o país que pode fazer a diferença para tirar o planeta de inércia e colocar em prática políticas efetivas de combate ao efeito estufa (clique aqui para ler).
Agora é a vez do Banco Mundial colocar o Brasil nesta posição…
O BRASIL É PARTE DA SOLUÇÃO
Por Pamela Cox
vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.
VALOR – 18/02/2008
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Quando 100 legisladores dos países do grupo das oito economias mais desenvolvidas do mundo (G8) e de cinco países emergentes (África do Sul, Brasil, China, Índia e México) se reunirem nos dias 20 e 21 de fevereiro em Brasília para abordar – com líderes empresariais globais – um esboço de acordo para suceder o Protocolo de Kioto, pós 2012, estaremos testemunhando uma mudança fundamental na construção das negociações globais. |
| É crucial que os legisladores das economias com alto consumo energético se reúnam para construir um consenso em torno de passos práticos nessa direção. |
| Este diálogo informal diferenciado, organizado pela Globe Internacional, uma rede mundial suprapartidária de legisladores, foi iniciado após a Reunião de Cúpula do G8 em Gleneagles, Escócia, e influencia governos do G8 e de países emergentes. Após reuniões no Parlamento Europeu em Bruxelas, no Senado em Washington e no Bundestag em Berlim, chegou-se a um consenso de que era o momento de levar o debate aos países emergentes. Legisladores de todas as vertentes políticas participarão da reunião em fevereiro, no Congresso Brasileiro. |
| Por que o Brasil? O país é reconhecido como parte da solução ao desafio das mudanças climáticas globais, avançou significativamente nas próprias questões de desenvolvimento e está se tornando um líder global, especialmente em áreas ligadas ao meio ambiente e às mudanças climáticas. |
| O Brasil é destaque por sua matriz energética limpa, muito mais do que a maioria dos países desenvolvidos, e caminha rumo à independência energética com a expansão de fontes alternativas como a hidroeletricidade, o etanol e o biodiesel. O país demonstrou liderança sem igual no etanol, uma fonte mais limpa e renovável de energia que poderia tornar-se um importante combustível complementar. Especialmente se as barreiras comerciais das economias desenvolvidas forem reduzidas e um mercado mundial surgir. O Brasil também está desenvolvendo tecnologias de ponta na produção de açúcar e álcool, e transferindo esse conhecimento para países africanos, em uma troca de conhecimentos “sul-sul”. |
| Não obstante as enormes complexidades e percalços para assegurar o uso sustentável e a proteção da maior floresta do mundo, maior do que toda a Europa Ocidental, o Brasil tem demonstrado claro compromisso e obteve importantes conquistas. O país reservou 25% de seu território (mais de 2 milhões de quilômetros quadrados) por meio da criação de aproximadamente 100 milhões de hectares de áreas de proteção federais, estaduais e municipais de proteção, e da demarcação de uma área equivalente em terras indígenas. O programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) está criando um sistema de áreas protegidas com mais de 500 mil quilômetros quadrados – maior do que todo o sistema de parques nacionais dos Estados Unidos. Nos primeiros quatro de seus dez anos, o Arpa já criou 13,5 milhões de hectares de novas áreas de proteção ambiental estrita – entre as quais o esplêndido Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque. |
| Outro exemplo do progresso feito pelo Brasil é que hoje o manejo florestal responde por 15% da madeira extraída no país. Há 15 anos esse percentual era virtualmente zero. Poucos países podem mostrar resultados como estes. |
O Brasil demonstrou liderança sem igual no etanol, uma fonte limpa e renovável de energia que poderia tornar-se importante combustível complementar
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| Os países em desenvolvimento, e o Brasil e particular, reconhecem a ameaça global das mudanças climáticas, e se preocupam com o seu impacto sobre as suas economias e o bem-estar de suas populações. Contudo, nenhuma solução global será possível se ela bloquear os esforços de desenvolvimento desses países. |
| Para se chegar a uma economia com menor uso de carbono nos países em desenvolvimento até 2030, serão necessários investimentos da ordem de US$100 bilhões por ano, além de US$ 28 a 67 bilhões para a adaptação aos danos já causados pelo aquecimento global. Em uma visão otimista, parte desses investimentos viria de fontes privadas, mas o financiamento público permanece crucial. |
| Um sistema global justo, nivelando as regras do jogo entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, poderia possibilitar emissões menos intensivas em carbono. Os países ricos sabem que o apoio aos países em desenvolvimento resultará no benefício global de um crescimento mais sustentável nesses países. É possível avançar rumo a uma solução que reconheça que o uso sustentável dos recursos naturais é fundamental para o desenvolvimento, e que os países em desenvolvimento não devem ser penalizados por seus esforços de crescimento e de redução da pobreza. |
| O Banco Mundial, como cooperativa global de países desenvolvidos e em desenvolvimento, está contribuindo para isso. Estamos desenvolvendo mecanismos inovadores de financiamento concessional em energias limpas e adaptação às mudanças climáticas, com o apoio do Reino Unido, EUA e Japão. |
| Um Fundo de Parceria de Carbono elevará o financiamento de carbono do varejo ao atacado – permitindo a compra de reduções de emissões de setores inteiros, ao invés de projeto a projeto. Em Bali, também lançamos o Fundo de Parceria de Carbono Florestal (FCPF na sigla em inglês), um mecanismo pioneiro para combater o desmatamento em florestas tropicais e as mudanças climáticas. Essas iniciativas-piloto estenderão o alcance dos instrumentos de carbono e das negociações em torno das mudanças climáticas. |
| O Brasil é claramente uma parte da solução para o desafio das mudanças climáticas. O país vem trabalhando fortemente para mostrar que é possível conciliar crescimento, redução da pobreza e sustentabilidade ambiental. Nesse sentido, os desafios do Brasil são os desafios do mundo, e é auspicioso, mas também natural, que essa discussão esteja se travando no Brasil. |
| Os legisladores reunidos em Brasília terão a oportunidade de avançar em uma agenda de soluções, respondendo aos anseios de seus povos. Junto com o setor privado, eles estão em uma posição privilegiada para identificar soluções práticas e politicamente viáveis. |
| Pamela Cox é vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. |
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Este post foi publicado em segunda-feira, 18 dEurope/London fevereiro, 2008 as 5:36 pm e está arquivado em A POLÍTICA AMBIENTAL externa está equivocada?, Desenvolvimento, Gustavo Santos, Internacional.
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