A origem da ARROB@
Escrito por Imprensa, postado em 23 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Maria de Fátima
“Na Idade Média, os livros eram escritos pelos copistas à mão. Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço, nem para o trabalho ser mais rápido (tempo era o que não faltava naquela época). O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos.
Foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (um “m” ou um “n”) que nasalizava a vogal anterior. Um til é um enezinho sobre a letra, pode olhar.
O nome espanhol Francisco, que também era grafado “Fhrancisco”, ficou com as abreviaturas “Phco.” e “Pco”. Daí foi fácil Francisco ganhar em espanhol o apelido Paco.
Os santos, ao ser citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de “Jesus Christi Pater Putativus”, ou seja: o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a usar a abreviatura “JHS PP” e depois “PP”. A pronúncia dessas letras em seqüência explica porque José tem, em espanhol, o apelido de Pepe.
Já para substituir a palavra latina “et” (e), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras:&. Este sinal é popularmente conhecido como “e comercial”. E em inglês tem o nome de “ampersand”, que vem do and (e em inglês), + per se (do latim por si) = and.
Com o mesmo recurso do entrelaçamento de letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina “ad”, que tinha, entre outros, o sentido de “casa de”.
Veio a imprensa, foram-se os copistas, mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades de mercadoria e o preço. Por exemplo, o registro contábil “10@ 3″ significava “10 unidades ao preço de 3 libras cada uma”. Nessa época, o símbolo @ já ficou conhecido, em inglês, como “at” (a ou em).
No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contábeis dos ingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo seria uma unidade de peso. Para o entendimento, contribuíram duas coincidências:
1 – a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo “a” inicial lembra a forma do símbolo.
2 – os carregamentos desembarcados vinham freqüentemente em fardos de uma arroba. Desta forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de “10@ 3″ assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma”. Então o símbolo @ passou a ser usado entre os espanhóis para significar arroba.
Arroba veio do árabe “ar-ruba”, que significa “a Quarta parte”; arroba (15 kg em números redondos), corresponde a ¼ de outra medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,75 kg).
As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro a apresentar seus originais datilografados). O teclado tinha o símbolo @, que sobreviveu no teclado dos computadores.
Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa do correio eletrônio (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o símbolo @ disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim, fulano@provedorx ficou significando “fulano no provedor X”….”
*Retirado do livro “A Casa da Mãe Joana”, de Reinaldo Pimenta.
Maria de Fátima de Oliveira: Jornalista aposentada, autora do livro inédito Labirintos de Areia. Meus artigos











25 dEurope/London fevereiro, 2008 as 5:03 am
Legal saber disso. Gosto de saber como as línguas se formaram.