Aposentadoria muito longe – Empregados terceirizados podem ter que trabalhar mais de 70 anos para alcançar benefício
Escrito por rubensteixeira, postado em 14 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Fonte: Jornal O Dia de 14 de fevereiro de 2008
Rio – Empregados terceirizados podem ter dificuldade em se aposentar por não conseguirem completar o tempo de serviço (30 anos para mulheres e 35 para homens) que a Previdência Social exige para conceder o benefício. Foi o que afirmou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em palestra promovida ontem pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros (Sindeepres), em São Paulo. A pesquisa apresentada pelo economista revela que os terceirizados estão sujeitos à alta rotatividade. Segundo o levantamento, os trabalhadores terceirizados permanecem empregados, em média, de cinco a seis meses por ano. Para se aposentar, terão, portanto, que trabalhar mais de 70 anos. “Isso significa que um homem que começou a trabalhar com 15 anos poderá se aposentar com 85 anos, além da última expectativa de vida divulgada (de 73 anos), segundo o IBGE”.
De acordo com uma análise feita com trabalhadores paulistas em 2005, 83,5% dos terceirizados trocam de emprego a cada 12 meses. Entre os não-terceirizados, o índice de rotatividade é quase a metade, de 49,1%.
A aposentadoria dos terceirizados também tende a ser menor. Isso porque esses trabalhadores ganham em média 2,3 salários mínimos (R$ 874) por mês, enquanto os não-terceirizados têm rendimento médio de 4,9 salários mínimos (R$ 1.862).
Pochmann defendeu que o País tenha uma política especial para o setor a fim de aproveitar os 6,7 milhões de vagas criadas por ano em todo o mundo. Para ele, o segmento deveria ter uma regulamentação específica.
Padrão asiático de trabalho
A subcontratação de trabalhadores por empresas com sede em outros países impõe o “padrão de emprego asiático”, marcado pela alta rotatividade, baixa remuneração e longa jornada de trabalho. A análise consta da pesquisa ‘A Transnacionalização da Terceirização na Contratação do Trabalho’, do Ipea.
Companhias transnacionais de contratação de mão-de-obra colocaram 9,3 milhões de pessoas no mercado de trabalho em 2006 em 33 países. Empresas como a Nike têm quase 95% da mão-de-obra terceirizada — dos 600 mil trabalhadores, em 51 países, só 24 mil são diretamente contratados.










