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A revolta dos eleitores

Posted By Imprensa On 8 fevereiro, 2008 @ 11:19 am In O que deu na Imprensa | No Comments

DAVID BROOKS
DO “NEW YORK TIMES”

O governo Ronald Reagan [1981-1989] incluía pragmáticos e seus chamados ideólogos. James Baker e Edwin Meese foram parte dele. Reagan conquistou Estados moderados como Connecticut, Wisconsin e Washington, bem como Estados conservadores como Wyoming e Carolina do Sul. Mas depois disso as coisas se radicalizaram muito.
Instituições e grupos de interesse conservadores proliferaram em Washington. A definição quanto ao que constituía o verdadeiro conservadorismo se estreitou. Era necessário obter aprovação em determinados testes de pureza -a postura quanto a imigração, aborto, impostos. Caso os liberais se preocupassem com o aquecimento global, passava a ser necessário considerar a questão uma armação. Se a página de editoriais do “New York Times” expressasse preocupação com a simulação do afogamento em interrogatórios, então o código de correção política conservadora forçava os adeptos dessa corrente a aprovar a prática.
Os apóstatas e os hereges foram expelidos ou desqualificados. Os republicanos moderados foram excluídos do partido porque não eram duros o bastante. Milhões de moradores dos subúrbios, em ambas as costas, deixaram a agremiação. E a camisa-de-força foi estreitada ainda mais. Muitos conservadores profissionais não consideram que Mike Huckabee ou John McCain sejam conservadores legítimos.
“Se qualquer um deles conseguir a indicação, isso destruirá o Partido Republicano”, disse o radialista Rush Limbaugh recentemente em seu programa. “O partido mudará para sempre, e isso será o seu fim.”

Salvação perdida
Alguns dos colaboradores do “The Corner”, o influente blog da “National Review”, depositavam suas esperanças de salvação do movimento conservador em Fred Thompson ou Mitt Romney. O ódio deles a McCain é tão forte que ganhou apelido próprio: é a Síndrome da Perturbação por McCain. Mas algo de engraçado aconteceu nesta temporada de primárias. Os eleitores conservadores decidiram não seguir os líderes. Esse eleitorado é muito mais diversificado do que a imagem que o conservadorismo oficial tenta transmitir.
Na Carolina do Sul, 34% dos eleitores republicanos se definem como “muito conservadores”, mas outros 34% se declaram apenas “um tanto conservadores”, enquanto outros 24% se definem como “moderados”. Apenas 28% dos eleitores que participaram das primárias do Estado concordam que o aborto deva ser “sempre ilegal”. Isso em um dos Estados mais direitistas do país.
Embora muitos dos marajás conservadores estejam ameaçando se mudar para Idaho caso Huckabee ou McCain conquistem a indicação, a maioria dos eleitores conservadores parece gostar deles. Huckabee se saiu muito bem entre os eleitores evangélicos, enquanto se desviava ruidosamente da ortodoxia econômica conservadora. McCain lidera entre os republicanos. Sua aprovação é de 71%, ante rejeição de 23%.
A coalizão que levou McCain à vitória na Carolina do Sul era incomumente ampla. Ele foi derrotado entre os extremamente conservadores, mas venceu entre os moderados e os ligeiramente conservadores e em todas as faixas de renda superiores a US$ 30 mil anuais.
O fato é que este ano não vem sendo bom para as lideranças conservadoras. Fred Thompson deveria representar a linha dominante do partido, mas sua candidatura desandou. Rudy Giuliani propõe cortes profundos de impostos, mas isso não parece causar entusiasmo. Mitt Romney tentou vestir o manto conservador em Iowa e New Hampshire e se saiu terrivelmente mal. Agora ele está fazendo campanha como líder pragmático, e não ideológico, ostentando sua experiência nos negócios para atender aos trabalhadores, e sua candidatura parece reconquistar o ímpeto.
A lição não é a de que a liderança conservadora está a caminho da queda, mas sim a de que o Partido Republicano, mesmo em sua atual situação de fraqueza, é diversificado. Há espaço para os moderados e para os conservadores ortodoxos.
Em seu discurso de vitória na Carolina do Sul, McCain definiu um conservadorismo mais abrangente: “Queremos um governo que faça o trabalho dele, e não o nosso; que defenda a segurança de nossa nação de maneira sábia e efetiva; que respeite nossos valores, porque são eles a verdadeira fonte de nossa força; que imponha o domínio da lei; que cumpra as promessas que nos faz, e não faça promessas que será incapaz de cumprir”. E o sucesso de McCain gerou uma possibilidade espantosa: os republicanos talvez tenham alguma chance de vencer neste ano.


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[2] ? A questão dos impostos e juros: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-questao-dos-impostos-e-juros/

[3] ? Manifesto Grupo Crítica Econômica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/manifesto-grupo-critica-economica/

[4] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/

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