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A RENÚNCIA DO COMANDANTE E O FUTURO DE CUBA
Posted By leonunes On 20 fevereiro, 2008 @ 10:54 am In Conjuntura,Desenvolvimento,Internacional,Leonardo Nunes,Política Econômica,Política Social,Rive Gauche | 3 Comments
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – O Presidente Fidel Castro anunciou nesta terça-feira que não concorrerá novamente ao cargo de Presidente do Conselho de Estado cubano. A decisão abre caminho para a eleição de Raúl Castro. A questão que se coloca é a do que esperar desta nova Cuba. Haverá uma transição para o capitalismo? Haverá flexibilização em relação às liberdades individuais?
Em primeiro lugar, devemos ressaltar os aspectos positivos e negativos do socialismo à cubana. A Revolução Cubana certamente foi responsável por um aumento significativo no nível de dignidade do povo cubano. O socialismo caribenho reduziu o analfabetismo a níveis próximos de zero, criou uma rede de proteção social com um nível muito superior ao dos países latino-americanos e promoveu uma considerável distribuição de renda.
Talvez o maior erro do socialismo cubano, do ponto de vista econômico, tenha sido não enfrentar a questão do subdesenvolvimento a fundo. Como é sabido, o subdesenvolvimento não é uma etapa para o desenvolvimento, mas uma armadilha histórica do capitalismo. Portanto, é um processo histórico sui generis, que resulta numa heterogeneidade da estrutura produtiva e dos padrões de consumo, que significa e existência de uma elite que reproduz os padrões de consumo da população de países desenvolvidos à custa da miséria de uma ampla gama de marginalizados. Neste caso, a estrutura produtiva serve para ratificar a preferência por estes padrões de consumo, fazendo com que o país perpetue estruturas “modernas” e “atrasadas” num mesmo processo histórico.
Em Cuba, o socialismo lutou, com sucesso, para acabar com a disparidade de renda e com as diferenças de padrões de consumo. Mas infelizmente a mesma atenção não foi dada ao desenvolvimento das forças produtivas, dentre outros motivos, pelas facilidades oferecidas pela então URSS, que desincentivava ações cubanas neste sentido. A preocupação com a distribuição da renda e o descaso com o desenvolvimento das forças produtivas no sentido de romper com a dependência tecnológica criaram um grave descompasso em Cuba, que pode começar a ser resolvido com Raul Castro. O que não se sabe é se isso será feito (ou não) em detrimento da manutenção da propriedade coletiva dos meios de produção.
No plano político, deve-se ressaltar a falta de liberdades individuais em alguns aspectos. De fato, não há imprensa livre em Cuba. Mas aqui cabe uma provocação. Em qual país latino-americano temos uma imprensa livre? Na prática, constata-se que a agenda política destes países é definida por algumas famílias, proprietárias dos meios de comunicação, sob a égide de grandes lobbies comerciais e financeiros. Por conseguinte, Cuba não está muito distante dos demais países neste quesito. Outro ponto a ser salientado é o fato de que Cuba, um país resistente ao império norte-americano, está a 140 quilômetros da Flórida. A proximidade geográfica do maior inimigo e a vontade de defender um regime duramente perseguido pelos EUA culminaram na restrição a liberdades individuais.
Por fim, pode-se concluir que Cuba, tal como se encontra hoje, é um país inviável. Conforme alertaram Marx e Trotsky, o socialismo jamais vingaria em apenas um país. Como a prática é o critério da verdade, vê-se que ambos estavam certos. No atual contexto, resta a Cuba continuar o processo, já em curso, de integração econômica ao mundo capitalista, de ampliação das liberdades individuais, mas com a manutenção das conquistas sociais adquiridas nos últimos 49 anos.
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[1] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/
[2] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/
[3] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/
[4] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/
[5] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/
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3 Comments To "A RENÚNCIA DO COMANDANTE E O FUTURO DE CUBA"
#1 Pingback By A SEMANA A LIMPO « Blog do Desemprego Zero On 22 fevereiro, 2008 @ 6:01 am
[...] de Fidel Castro de não concorrer às eleições para a presidência do Conselho de Estado (clique aqui para ler mais). Após 49 anos no poder, o próximo presidente será Raúl Castro. Ele encontrará [...]
#2 Pingback By A SEMANA A LIMPO « Blog do Desemprego Zero On 17 março, 2008 @ 4:49 pm
[...] lutar contar o embargo imposto pelos EUA e manter as conquistas sociais do regime socialista (clique aqui para ler [...]
#3 Comment By Cissa On 29 abril, 2008 @ 8:22 pm
eu estou fazendo um trabalho de cuba
xD