A FARRA DA TAPEAÇÃO
Escrito por Rogério Lessa, postado em 1 dEurope/London fevereiro dEurope/London 2008
Ao jornalista é exigida graduação em Comunicação Social, porém o cartel da mídia no Brasil parece não trabalhar para a sociedade, mas para o restrito grupo da Casa Grande. Num discretíssimo e minúsculo canto direito do roda-pé na capa de O Globo, lia-se ontem que o déficit nominal brasileiro atingiu o menor índice da história, fechando 2007 em 2,27% do PIB. Para 2008, a previsão é que caia para inacreditáveis (e desnecessários) 1,2%!
Porém, antes de se revoltar contra a má vontade d’O Globo, o leitor deve ponderar que os demais veículos fizeram pior: não deram destaque algum à notícia, que é de matar de inveja Alemanha, França, Estados Unidos e quase todos os países do mundo, emergentes ou não.
Outro fato que merecia destaque é a queda da relação dívida líquida total/PIB para 42,8%, percentual também reduzido se comparado ao resto do mundo. A prioridade, no entanto, continuou sendo o gasto corrente, que subiu (ligeiramente) acima do PIB (6,4%), mesmo tendo a arrecadação crescido duas vezes mais (13,78%).
O Globo pelo menos noticiou que o pregão eletrônico permitiu aos cofres públicos a economia de R$ 3,2 bilhões ano passado, notícia boa para eles, mas um valor evidentemente ridículo quando comparado aos R$ 159 bilhões (6,25% do PIB) torrados com juros no mesmo período.
Para a elite de nossos editores não bastou o Chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, admitir que “o crescimento ajudou a reduzir o déficit público”, determinando a produção de um superávit primário recorde, superior a R$ 100 bilhões, mesmo com a meta tendo sido rebaixada de 4,25% do PIB para 3,8%. A economia para pagar juros (3,98% do PIB) por sinal, já representa quase o dobro do déficit nominal!
Nenhum destaque também para o investimento público, ainda medíocre, mas 15,6% maior que em 2006. Comentário algum sobre os vilões preferidos, benefícios previdenciários e folha de pagamento, cujas despesas subiram menos que o PIB, menos que a inflação e menos que a arrecadação: 2,3% e 0,8%, respectivamente.
Essa maneira de fazer “jornalismo” explica o bombardeio à nova diretoria do Ipea, cujo pecado é apenas mostrar que o rei rentista continua nu o ano inteiro, não apenas no carnaval.
Porém está cada vez mais difícil empurrar goela abaixo da Senzala a cantilena da gastança e dos marajás para impedir que qualquer governo governe. Restará, então, o culto ao medo da inflação como variável disponível para que os inimigos do Brasil e dos brasileiros continuem a defender o rentismo e a farra cambial. E não é uma ferramenta desprezível quando há itens, como os alimentos, cujos preços podem ser manipulados pelos oligopólios da distribuição.
Rogério Lessa Benemond: Jornalista do Monitor Mercantil, colaborador da revista Rumos do Desenvolvimento. Prêmio Corecon- RJ de jornalismo econômico 2006. Meus Artigos











2 dEurope/London fevereiro, 2008 as 8:45 am
Excelente artigo Rogério!
Coloquei o cabeçalho com sua apresentação, que é interessante colocar em todos os artigos para que os novos leitores possam lhe conhecer.
abraços
13 dEurope/London março, 2008 as 2:10 pm
As pessoas, professores, médicos enfim a classe média baixa´, que tem seu emprego, seu apto e seu carro, sem generalizar é claro, não lê, nem ouve, além daquilo que a Globo oferece.Dorme em berço explêndido!!!! Vocês não imaginam o que ouço de colegas professores! Da vontade de chorar!!! Vamos ler mais , vamos ver além das aparências,vamos estudar o contexto, por favor! Temos que esclarecer essas mentes cristalizadas, idiotas, burras!!!Meu Deus !!!! Sorte a nossa termos um MST,uma VIA CAMPESINA. ……
13 dEurope/London março, 2008 as 8:23 pm
Vanda,
os donos dos principais meios de comunicação e os maiores banqueiros do Brasil cabem numa Kombi. A principal receita dos jornais não é mais a venda em banca, mas a publicidade de bancos, multinacionais, governos e grandes redes de varejo.
Precisamos de jornais que tenham o leitor (cidadão) como prioridade e, como você bem lembrou, é fundamental a ajuda dos movimentos sociais.
Abraço