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Blog do Desemprego Zero

“Vocês vão ver os modelos que eles vão adotar lá…”

Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 18 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Por Roberto Pereira d’ Araujo * - 18/01/2008

Para quem trabalhou sua vida toda na área de planejamento, assistir a essa enorme confusão de opiniões e critérios no setor elétrico e ainda outra ameaça de racionamento é bastante penoso. Os reservatórios atingem a curva de “aversão ao risco”, o governo contrata energia de reserva, raspa o tacho do gás, vai gerar eletricidade com diesel e diz que está tudo bem?

Toda a metodologia desenvolvida para operar e expandir o sistema brasileiro foi desenvolvida em sincronia com o mundo físico. O desafio não foi pequeno, pois os engenheiros brasileiros perceberam que o nosso sistema não era igual aos sistemas dos países desenvolvidos e, conseqüentemente, a experiência internacional era de pouca serventia. O irônico é que esses engenheiros, quando passaram pelo ginásio, sem perceber, estudaram as principais características da geografia brasileira que, anos depois, iriam exigir o desenvolvimento de uma metodologia muito específica.

A geografia nos ensinava que aqui predominam os rios de planalto que apresentam em seu leito rupturas de declive e vales encaixados. Dentre os grandes rios nacionais, apenas o Amazonas e o Paraguai são predominantemente de planície e largamente utilizados para a navegação. Os rios São Francisco e Paraná são os principais rios de planalto. Quando se pensa em usar o potencial hidráulico é óbvia a decisão de construir barragens nesses declives e é quase impossível não formar um grande reservatório, pois, antes do declive, há o planalto. A outra importante característica geográfica brasileira é o próprio território que, longitudinalmente, tem mais de 4.000 km. Ora, distâncias longitudinais nesse planeta significam diferenças climáticas e, portanto, diferentes hidrologias. Portanto, estava escrito nas estrelas que, para se aproveitar com inteligência essa vantagem natural, era preciso desenvolver um sistema integrado e operado sob uma única lógica.

Foi isso o que foi feito. Apesar de o setor ter sido explorado por empresas federais e estaduais, havia uma lógica integrada que só foi desobedecida por força das influências políticas. Assim, conta-se nos dedos casos como Balbina e Porto Primavera que, sob a metodologia, não teriam sido construídas.

Mas o pior estaria por vir. A década de noventa trouxe o mercantilismo como uma avalanche. As economias centrais impuseram a adoção de regras de mercado aos países dependentes de capitais externos sem se preocupar com a viabilidade da adoção dessas regras ao mundo físico de certos setores. Pasmem! No setor elétrico a inspiração foi a Inglaterra, país cuja matriz energética é radicalmente distinta da brasileira, pois 74% da geração vem de térmicas convencionais, 23% de nucleares, 2% de fontes renováveis e apenas 1% de hidroeletricidade. Para executar essa “gambiarra” foram contratados consultores internacionais. A empresa “Coopers & Lybrand” teve que “aprender” como funciona um sistema interligado de reservatórios e foi regiamente paga por isso. As propostas iniciais desses consultores, se registradas em ata, poderiam ser publicadas em um livro de piadas do setor.

Depois de muita luta, entenderam que era preciso um operador único. Na realidade, não é um operador estrito senso. É uma coordenação da operação que era já realizada pela Eletrobrás através do GCOI (Grupo Coordenador da Operação Interligada) com a participação efetiva de técnicos de todas as empresas. O ONS, uma entidade de direito privado, recebeu de graça todo o “know-how” e todos os softwares desenvolvidos pelas empresas públicas. Mas, dos males o menor. Pior seria não existir um ONS.

É qual é a mínima função do ONS nesse mundo mercantilista? Definir o preço da energia negociada no mercado de curto prazo. O operador não precisa se preocupar com os contratos de longo prazo, pois, teoricamente, eles têm uma usina por trás. Mas, no curto prazo o efeito da sua coordenação tem que ser “sentida” de alguma forma. O mercado de curto prazo não garante investimentos e alguém pode estar “pegando carona” nos investimentos dos outros. Além disso, como a energia assegurada do sistema é um “certificado” advindo de uma simulação que depende de vários parâmetros, hipóteses e estimativas, ela também pode se descolar do mundo real. O maior exemplo é o caso das térmicas que não tinham gás, mas, no sistema mercantil de certificados, eram tratadas como se tivessem. Outro exemplo é a importação da Argentina pela CIEN que nunca existiu, mas recebeu certificado e a “energia” foi vendida para as distribuidoras.

Agora, sob a ameaça de outro racionamento, os consumidores que optaram pelo mercado livre querem desvincular o preço de curto prazo do custo marginal de operação. Parece que querem entrar no livro de anedotas também. O engraçado é que quando o preço sinaliza a abundância, ninguém reclama, mas quando reflete a escassez, querem mudar as regras. “O país já não terá neste ano energia suficiente para atender a toda a demanda”, diz Patrícia Arce, diretora-executiva da Abrace, sociedade que congrega os grandes consumidores, aventureiros do livre mercado. Patrícia diz que faltam 1743 MWmédios já em 2008.

Faz sentido. O ONS, cuja única influência no mercado é o preço de curto prazo, já havia apontado em seu Plano Anual da Operação Energética – PEN 2007 que o custo marginal médio para o período 2008-2011 é o dobro do custo marginal de expansão. Ou seja, operar o sistema para atender um aumento de carga está muito mais caro do que construir uma nova usina. É mais ou menos como um carro velho quando o custo de manutenção e gasto de combustível passa a justificar a troca. E não adianta culpar São Pedro, pois esse custo médio não é conjuntural. É a média de todas as hidrologias possíveis.

Como as energias asseguradas são calculadas supondo-se que o custo marginal de operação médio está no entorno do custo marginal de expansão, quando o primeiro supera em muito o segundo, é evidente que não tem assegurada para todos.

É de espantar que os associados da ABRACE não conhecessem esse conceito básico explicitado nesse documento. Se não conhecem é grave, pois dão mostra que não entendem o setor brasileiro. Se conhecem, é ainda mais grave, pois, com certeza, apostaram nas pressões para mudar as regras.

A crise não me espanta. Lembro-me daquela velha piada sobra a criação do mundo e da argumentação dos anjos sobre a ausência de desastres naturais no Brasil. Uma versão elétrica seria quando os anjos engenheiros reclamassem com o criador: – Mas, senhor, com essas vantagens os brasileiros terão a energia elétrica mais barata e confiável do planeta! E Deus, em sua justiça divina teria dito: – É…mas vocês vão ver os modelos que eles vão adotar lá!

* Roberto Pereira d’ Araujo: Engenheiro Eletricista e Mestre em Sistemas e Controle pela PUC-RJ. Pós-Graduação em Operation Planning pela Waterloo University. Foi Chefe de Departamento de Mercado em Furnas Centrais Elétricas. Ex-membro do Conselho Administrativo de Furnas. Consultor na área de energia elétrica. Meus Artigos



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8 Respostas para ““Vocês vão ver os modelos que eles vão adotar lá…””

  1. Felipe Baptista falou:

    Caro Roberto,

    Mais uma vez dá-me prazer ler os seus artigos. São sempre muito lúcidos e didáticos. Infelizmente há poucos assim no país e, por isso, temos que ser inundados, via imprensa, com notícias distorcidas (colocadas como se realidade fossem) como essas da ABRACE (mas que são sempre vinculadas por entidades como o ACENDE (ou seria apaga?) BRASIL e jornalistas (“catedráticos”) como a Miriam Leitão!). De maneira que lhe parabenizo pelo trabalho como forma de lhe incentivar na continuidade de clamar por (um pouco de) razão em meio a esse mar de interesses!

    Abraços

  2. Roberto Araujo falou:

    Grato Felipe.
    Tenho refletido muito sobre essa barreira da grande imprensa. Não sei se estou olhando muito o meu quintal, mas o setor elétrico é caso muito sério. Está difícil assistir qualquer notícia ou debate sem reagir. Eu, ou fico muito desanimado ou rio muito, pois o besteirol está fazendo inveja ao Falabella!

  3. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Roberto

    O governo FHC produziu uma grande confusão no setor elétrico brasileiro. Alguns dizem que foi por conveniência e outros por pura ignorância mesmo. Afinal, o que se poderia esperar de um sociólogo de gabinete?

    Escolher o que se passava na Grã-Bretanha fez parte do imbróglio. O fato é que Bresser-Pereira, então ministro de Administração e Reforma do Estado, estava coordenando um grupo interministerial encarregado de propor reformas gerenciais, cujo benchmark era o que se passava na Grã-Bretenha. Como todos sabem, FHC optou pela ortodoxia econômica liberal e seus dogmas. Até hoje o sociólogo vive dizendo que a única coisa que “organiza o Brasil é o mercado”. Estranho senso de organização. Não era essa a natureza do projeto coordenado por Bresser-Pereira.

    O que o governo Lula poderia fazer efetivamente para desatar os nós do setor? Construir novas usinas hidrelétricas, retomar em parte o modelo anterior coordenado pela Eletrobrás, ou estimular, para o longo prazo, a diversificação da matriz energética brasileira?

    Certamente o Estado precisa fazer intervenções e ferir os dogmas da ortodoxia econômica liberal.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.

  4. Roberto Araujo falou:

    Rodrigo;
    O que o governo Lula poderia ter feito e ESCOLHEU não fazer:
    1-Regular e restringir o mercado livre. Um sistema de base hidráulica exige contratos de longo prazo, pois a reserva e a garantia é compartilhada. O mercado livre aqui é ambiente para especulação. Os comercializadores, que não geram 1 kWh, encheram a burra de dinheiro. NO GOVERNO LULA!
    2-Já que o sistema é privado, contratos por potência (MW)são mais adequados ao sistema brasileiro. O dono da usina é proprietário apenas das máquinas. A energia (MWh) que, num sistema hídrico é função da disponibilidade de água, é da sociedade. É como se os consumidores pagassem um “leasing” pela potência disponível. Não haveria esse mercado de certificados que associa uma energia a priori e que gerou as distorções que estão nos bastidores da crise.
    3-Sugerimos eliminar a descontratação do modelo FHC, um belo tiro no pé. Depois do racionamento de 2001, era óbvio que o mercado despencaria. O governo escolheu manter a descontratação da energia das estatais. Saiu contrato de R$60/MWh estatal e entrou R$ 120/MWh privado. NO GOVERNO LULA!
    4- Não contente, o governo fez um leilão-liquidação onde as empresas estatais foram OBRIGADAS a vender POR OITO ANOS energia num mercado com 20% de excesso de oferta. A CHESF vendeu energia a R$ 47/MWh por 8 anos. É um recorde de preço baixo mundial. Compare com sua conta de luz que deve estar na casa dos R$ 400/MWh. As estatais ficaram sem grana.
    5-O melhor modelo para o sistema brasileiro, já que ele é um monopólio natural, seria o de uma empresa única bem regulamentada. Acho que, na atual situação, isso é impossível. Então, o “second best” seria o “comprador único” a ser exercido pela Eletrobrás e com o retorno da coordenação da operação para ela. Por exemplo, energia eólica, ainda cara, a Eletrobrás é obrigada a comprar.
    6- Um fundo setorial blindado contra o superávit primário para financiamento da expansão e pagamento de combustível de térmicas quando necessário. A receita viria da energia “velha” que não precisava ser “torrada” no mercado para compensar os caros preços privados. Poderia vir também da diferença entre o “leasing” do MW e o arrecadado com o MWh, que, em anos chuvosos, gerariam um enorme superávit.
    7-Eliminar a absurda exigência das estatais serem minoritárias em parcerias. Retirá-las do superávit primário. Permitir empréstimos junto ao BNDES.
    8-Profissionalização da direção das empresas públicas. Eliminação da influência política. Mandatos com prazo. Contratos de gestão.
    9-As estaduais deficitárias, que o setor privado não aceitou, estão todas no colo da ELetrobrás. Prejuízo acumulado? Mais ou menos R$ 3bi!!! Quem indica os diretores dessas empresas? A política do estado. Faz parte da “governabilidade”. Avisamos sobre essa distorção.

    Tudo isso foi sugerido ao governo em 2003, quando o Ministério montou um grupo para estudar e propor caminhos para o setor elétrico. Eu estava nele. Em maio, esse grupo, eminentemente técnico, foi desmontado e um outro, já ligado ao setor privado, ascendeu. Nenhuma sugestão do primeiro foi aceita.
    Foi uma escolha, não foi uma herança.

    Esse é um bom debate. Grato.

  5. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Roberto

    Agradeço pela resposta. Concordo contigo.

    Também sou da opinião de que o governo Lula capitulou perante os grandes interesses estabelecidos ao longo do tempo do sociólogo. Atuando nas margens permitidas pelo status quo, o programa bolsa família seria o carro-chefe da reeleição. O PAC tem sérias dificuldades em avançar. As nomeações políticas fazem parte do imbróglio. São mais de 20.000 cargos comissionados expostos à barganha só no governo federal. Para você poder fazer uma comparação: nos EUA, o presidente só tem 3.500 cargos comissionados a preencher nas estruturas de Estado. A profissionalização da burocracia é a regra. Não é diferente na Alemanha e nos outros países mais desenvolvidos.

    Raymundo Faoro, “A república inacabada”, tem uma tese polêmica sobre a organização do Estado brasileiro. José Murilo de Carvalho, “A Construção da Ordem”, também é bem interessante.

    Durante o mandato do presidente Lula houve o compromisso de elevação do superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB. Algo que não foi exigido pelo FMI e tampouco pelo setor financeiro. Dizem que o pior pecador é o arrependido. Para rasgar as críticas que haviam feito ao FHC, o núcleo político mais próximo ao Lula buscou uma penitência que nós iríamos pagar. Concentrar benefícios e socializar prejuízos não representa nenhuma inovação trazida por Lula. O ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP) pode ser em parte responsabilizado. Não podemos nos esquecer que o presidente é Lula, chefe de governo e de Estado.

    Penso que os debates quanto à reforma gerencial do Estado brasileiro deverão entrar em pauta novamente. Certamente haverá polarizações do debate.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros, D.Sc.

  6. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Roberto,
    entendo que os rios de planalto favorecem fortemente os grandes reservatórios. mas o tamanho do reservatório não é também uma decisão técnica?
    pelo que li, a represa de furnas foi planejada imensa porque nos anos anteriores a sua construção o país sofre um longo período de seca e consequentemente apagões constantes.
    abraços

  7. Roberto Araujo falou:

    Gustavo;
    Lógico que o reservatório poderia ser menor. Mas, o perfil do terreno desses rios geralmente fazem com que 1 m de altura na barragem aumente muitos km2 e muitos km3. Portanto, com um pequeno plus no investimento (a altura da barragem) ganha-se muita água armazenada, uma enorme vantagem. Mas, em Serra da Mesa (Goiás), por exemplo, Furnas exagerou. A área do reservatório é + ou – 2.400km2 e a água leva 850 dias para se renovar. Poderia ter sido menor, você tem razão.
    Mas, essa época acabou. As usinas do futuro ou serão a fio d’água ou com pequeno reservatório. Serão regularizadas via transmissão e térmicas complementares. A lógica de expansão continua válida.
    É outro bom debate.

  8. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Roberto,
    Obrigado pelo esclarecimento.
    só quero dizer, que apesar das condições geográficas nos serem amplamente favoráveis, a forma de estruturação do setor elétrico criada pela Eletrobrás, que foi muito bem-sucedida, poderia não ter sido escolhida. Antes da estatização do setor, a gestão era muito ruim e pouco integrada e não favorecida a energia abundante, barata e relativamente limpa.
    Como você muito bem diz, hoje se optou por um modelo muito diferente. Quero apenas ressaltar os méritos do antigo sistema público, não acho que ele foi simplesmente um imperativo da geografia. fez o mais racional, mas poderia ter sido diferente. Hoje por exemplo não tem sido tão comum tomarem decisões sensatas no setor.
    Esqueci de te elogiar pelo artigo, achei o título genial! e o artigo está excelente, esclarecedor!
    abraços

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