ROGOFF AFIRMA QUE RECESSÃO NOS EUA SERÁ INEVITÁVEL. E O BRASIL COM ISSO?
Escrito por leonunes, postado em 15 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Léo Nunes – Ao Sul do Equador
São Paulo – O ex-economista-chefe do FMI, Kenneth Rogoff, afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao Jornal O Globo, que uma recessão nos EUA será inevitável. Para ele, a crise do mercado de crédito norte-americano pode resultar numa queda de 15 a 20% nos preços do imóveis. Em estados como a Flórida, a desvalorização pode chegar a até 50%. A resultante é clara: aumento da inadimplência e crise em outros setores de crédito para além do mercado subprime.
Para o economista, os reguladores do sistema financeiro terão que intervir para salvar bancos com problemas de liquidez. No capitalismo, a história se repete: ciclo e crise. Os agentes, especialmente sob a égide no neoliberalismo, têm ojeriza ao Estado e a qualquer forma de regulação. Entretanto, na hora do “pega pra capar”, chamam o emprestador de última instância para fornecer liquidez e jogar a bóia para os bancos não se afogarem. E não há outro jeito. A autoridade monetária tem de intervir para que o desastre da macroeconomia financeira não afete no mesmo nível a macroeconomia do emprego e da renda.
Segundo Rogoff, o Brasil pode minimizar o impacto da crise norte-americana, se souber redirecionar suas exportações para a União Européia e para a China. Entretanto, isso só será possível se os países em questão não diminuírem abruptamente o ritmo de crescimento, o que parece difícil, dado que o crescimento mundial não se “descolou” do crescimento ianque. Como ressalta o economista, os EUA contribuem para um quarto do PIB mundial e continuam com o posto de maiores importadores de manufaturados.
Para o Brasil, resta rezar para que o pior cenário não prevaleça. O país compete pela maior taxa de juros reais do mundo. Além disso, o governo Lula aprofundou a liberalização financeira. O exemplo mais gritante disso foi a ampliação do prazo para cobertura cambial, que torna o comportamento de um fluxo que deveria ser comercial, cada vez mais subordinado à lógica financeira. Além disso, a falta de uma intervenção mais ativa no mercado de câmbio e a inexistência de controles de capitais reforçam os “vasos de comunicação” entre mercados onshore e offshore, o que torna a formação da taxa de câmbio cada vez mais sujeita aos humores do mercado financeiro internacional. Por fim, a taxa de juros, que já é alta para posicionar a taxa de câmbio num nível que coloque a inflação dentro da meta, pode ser aumentada ainda mais neste contexto. O resultado é claro: crise internacional + liberalização financeira + maior taxa de juros do mundo = crise no Brasil.










