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Por uma reforma tributária justa

Posted By Imprensa On 10 janeiro, 2008 @ 10:56 pm In CPMF: e agora?,Política Brasileira,Política Social | 1 Comment

Por João Pedro Stedile, Dom Demétrio Valentini, José Antônio Moroni e Emir Sader* Vermelho [1]

As classes dominantes fizeram uma articulação e, por meio dos seus parlamentares no Senado, conseguiram derrubar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Logo depois, aprovaram a continuidade da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que permite o desvio de 20% da receita da União. Com isso, recursos podem ser utilizados sem controle para o pagamento de juros, em vez de em investimentos sociais.

A questão fundamental é que a CPMF era um imposto que taxava principalmente os mais ricos – 70% da sua arrecadação vinha de grandes empresas e bancos. Além disso, impedia sonegação, fraudes e desvios.
Com a derrota no Senado, o governo federal tomou a iniciativa de aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e retomou a cobrança do imposto sobre as remessas de lucros para o exterior.
Essas propostas foram acertadas e justas, atingindo sobretudo os bancos, o sistema financeiro e as empresas estrangeiras, apontando para o combate à desigualdade social e para o desenvolvimento nacional.
Mais uma vez, as forças conservadoras se movimentaram e, tendo à frente a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), fizeram uma campanha mentirosa contra as propostas do governo, com suporte da Globo, dos Democratas e do PSDB.
De um lado, mentem quando afirmam que os mais pobres serão afetados por esses impostos e, de outro, escondem que as taxas de juros exorbitantes cobradas pelo sistema financeiro são o maior custo das compras a prazo. Calam-se porque são beneficiados por esse instrumento.
Diante disso, organizações populares e sindicais, intelectuais e religiosos defendemos que o ”corte de gastos públicos” exigido pelas classes dominantes incida sobre o superávit primário e o pagamento dos juros da dívida pública, que é a maior despesa do Orçamento da União nos últimos dez anos.
Trata-se de uma transferência de dinheiro do povo para bancos e especuladores. Em 2007, o governo federal gastou R$ 160,3 bilhões em juros, valor correspondente a 6,3% do PIB (Produto Interno Bruto), que representa quatro vezes o investimento nas áreas sociais.
Precisamos de uma verdadeira reforma tributária, que seja eficaz e progressiva, incidindo proporcionalmente à renda e à riqueza. Atualmente, 70% dos impostos são cobrados sobre o consumo e apenas 30% sobre o patrimônio. É preciso diminuir o peso sobre a população e aumentá-lo sobre a riqueza e a renda. Além disso, é fundamental a redução da taxa de juros básica usada como referência para o pagamento dos títulos da dívida pública com grupos financeiros.
Os bancos, por sua vez, deveriam baixar as escandalosas taxas de juros cobradas dos consumidores e das empresas, que inviabilizam o crédito para o crescimento do país.
Poderiam eliminar as taxas de serviços, que rendem por ano R$ 54 bilhões. Outra forma de aumentar a arrecadação sem prejudicar o povo com cortes no Orçamento é acabar com a Lei Kandir, que isenta do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) as exportações agrícolas e primárias, prejudicando inclusive as contas dos estados.
Por fim, necessitamos de uma política permanente de distribuição de renda e, para isso, será necessário tomar medidas que taxem o patrimônio, a renda e os privilégios dos 10% mais ricos, que se apropriam de 75% da riqueza nacional.
Só dessa forma poderemos aumentar as oportunidades de emprego e renda e, sem reduzir a contratação ou os salários dos servidores, ampliar os serviços públicos de forma eficiente e gratuita para toda a população, especialmente em saúde, educação e seguridade social.
A sociedade brasileira não pode se calar diante das pressões dos setores conservadores e deve se manifestar, utilizando plebiscitos e consultas como exercício do direito constitucional de decisão do povo sobre assuntos tão importantes para a vida de todos e o futuro do país.
João Pedro Stedile, economista, é integrante da direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP), é membro da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB.

José Antônio Moroni, filósofo, é membro do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e diretor da Abong (Associação Brasileira de ONGs).

Emir Sader, sociólogo e cientista político, é secretário-executivo da Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais) e professor da Uerj.

Artigo originalmente publicado na edição desta quinta-feira (10) da Folha de S.Paulo


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1 Comment To "Por uma reforma tributária justa"

#1 Comment By Rodrigo Medeiros On 13 janeiro, 2008 @ 6:09 pm

[7]


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[1] Vermelho: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=30812

[2] Vitória dos SONEGADORES e da DOENÇA!: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/12/vitoria-dos-sonegadores-e-da-doenca/

[3] OPOSIÇÃO BARRA A CPMF: MAIS UMA VITÓRIA DA AGENDA CONSERVADORA: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/12/oposicao-barra-a-cpmf-mais-uma-vitoria-da-agenda-conservadora/

[4] Luís Nassif: FHC AO CONTRÁRIO DE COLLOR NÃO TEM NENHUMA GRANDEZA e de nenhuma responsabilidade cívica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/12/luis-nassif-fhc-ao-contrario-de-collor-nao-tem-nenhuma-grandeza-e-de-nenhuma-responsabilidade-civica/

[5] CPMF: AS VERDADEIRAS RAZÕES DA DERROTA: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/12/cpmf-as-verdadeiras-razoes-da-derrota/

[6] CPMF: Vitória do CRIME ! Combate ao crime perde instrumento relevante, avalia juiz do caso BANESTADO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/12/vitoria-de-fhc-e-do-crime-cpmf-combate-ao-crime-perde-instrumento-relevante-avalia-juiz-do-caso-banestado-do-governo-fhc/

[7] : http://desempregozero.org/2007/12/27/tributos-e-servicos-publicos-um-debate-necessario/

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