Nova Economia ou Nova Engenharia?, artigo de Paulo Bancovsky
Escrito por Rodrigo Medeiros, postado em 7 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Pobres dos que perderem o passo, inexoravelmente serão colonizados pela Sociedade da Informação e do Conhecimento.
Paulo Bancovsky é presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE). Artigo enviado pelo autor ao Jornal da Ciência (04/01/08):
Fundamenta-se a “Nova Economia” na aceleração vertiginosa do desenvolvimento tecnológico e, este, nos resultados práticos “engenheirados” nas cadeias econômico-industriais produtivas intensivas. No vértice do processo, numa visão síntese e objetiva, está a Engenharia.
Outros atores participam como importantes e necessários coadjuvantes. Eles aplicam-se nas conseqüências das diferentes e complexas questões e relações administrativas, jurídicas, fiscais etc, já que o processo & método tecnológico regula a si mesmo, ele possui e depende fundamentalmente da métrica (unidades, medidas, dimensões) que cria e confirma e consolida.
A natureza do processo tecnológico requer a definição de limites de tolerância, isto é nativo ou natural, cumprir com rigor as condições da segurança. Ele mesmo exige e cria as normas e padrões, valida, certifica, garante, satisfaz, conserva, mantém, aperfeiçoa, inova, substitui, e proporciona as ferramentas, os meios e os recursos. E destes todos os demais atores se utilizam.
A escalada da demanda dos coadjuvantes decorre das “querelas’ produzidas pelas relações humanas, comerciais, industriais e políticas. Exagerando, sem produtos, bens e serviços, sem processos, sem demandas e sem as necessidades construídas pelos avanços da civilização não existiriam as disputas, os conflitos e os confrontos e até mesmo as guerras careceriam de explicação por falta de objetivos.
Numa imagem extrema e usando jargão peculiar, reduzidas ou eliminadas as questões basilares, reduzem-se ou eliminam-se os campos de atuação dos fatores coadjuvantes e, portanto, eles próprios.
Na verdade a questão é outra, maciços recursos, investimentos, apoios, incentivos, fomentos, capital de risco, impostos, etc, suportam as pesquisas aplicadas e criam as necessárias condições do e para o desenvolvimento de métodos e processos industriais obedientes às estratégias globais, predominantemente concebidas pelos “players” dominantes; aqueles que já alcançaram o estágio e a capacidade de inovar e influenciar vigorosamente as novas feições da Sociedade.
Neste processo opera-se a dependência da demanda de formação dos necessários recursos humanos, da educação, formação, treinamento, capacitação, aperfeiçoamento e da imprescindível infra-estrutura.
O rol de produtos e o ritmo dos sucedâneos, continuadamente melhorados, confirmam o paradigma da Sociedade do Conhecimento. Neste cenário predominam as pesquisas aplicadas e dele emergem as inovações com intensidade, complexidade, velocidade, abrangência que são rapidamente interpretados pela tecnologia e devidamente engenheirados.
O processo geralmente começa nas bancadas dos centros de pesquisas demandados por necessidades e empenho pessoal. Concebe-se e cria-se no ambiente “scale down” e os sucessos comprovados migram das bancadas para as linhas de produção-”scale up”, e destas para os mercados planetários.
Pobres dos que perderem o passo, inexoravelmente serão colonizados pela Sociedade da Informação e do Conhecimento. Convenhamos que não podemos perder tempo. Todos devemos e precisamos rapidamente superar as pequenas diferenças internas se comparadas às forças que alimentam os magnos problemas globais que se anunciam.
Estruturas industriais e comerciais tempestivamente já operam com técnica e logística industrial na dimensão planetária. Desenvolveram e testaram a nova cultura e interpretam o mercado, muitas mantém estruturas próprias de pesquisas aplicadas. Seus produtos, bens e serviços incorporam e empacotam as conquistas efetuadas e os fazem presentes nas prateleiras e vitrines do mundo para ávidos consumidores.
A reunião e sustentação inteligente de dons, talentos e competências, sob condições favoráveis, “empowerment” alinha vocações e potencialidades, identifica valores e liberta as forças criadoras que podem projetar e construir o melhor porvir. Ele vem no bojo das inovações e da notável e reconhecida capacidade empreendedora proporcionada pelo novo paradigma.
A gestão estratégica dos recursos humanos e do trabalho compartilhado de equipes de alto desempenho e excelência, auxiliará na superação dos obstáculos, óbices e barreiras; a divisão do trabalho e das responsabilidades, interoperabilidade em rede inteligente de relacionamentos e de conteúdo, com determinação objetiva e severa disciplina, conduzirá o cumprimento das metas escolhidas no rumo do sucesso, cidadania responsável e desenvolvimento harmonioso, processo que consolidará o progresso, definirá a soberania, a segurança e a independência do país.
A análise deste tema explicita para os Estadistas a questão da Soberania Nacional, revela como a tecnologia e a Engenharia embasam a segurança e a construção do futuro com independência & interdependência entre as nações.
Com liberdade, mesmo sob grandes pressões, as forças criadoras eclodem e se reconhecidas, prestigiadas e recompensadas atuam e produzem os resultados práticos, que geram a escala do retorno financeiro e que, por sua vez, retro-alimenta a cadeia da Inteligência instalada e suportada na “Nova Economia”, e que reafirmo caudatária da Nova Engenharia.
Qualidade de vida, Bem Estar e Estar Bem, geração de renda, estímulo ao lazer com desenvolvimento e progresso pessoal e coletivo, dependem de infra-estrutura, de ampla oferta de produtos, bens e serviços e estes, naturalmente são resultados diretos do uso e da aplicação na prática, do melhor Conhecimento.
Afirmamos; quando os fatores acima estiverem conscientemente subordinados e suportados pela Sociedade como um todo, o paradigma da Sociedade do Conhecimento mudará para o da Sociedade da Sabedoria.
Com uma “Nova Engenharia” o Brasil se destacará na arena globalizada, e poderá enfrentar em melhores condições os aguerridos e intrépidos novos conquistadores, será mais justa a estimuladora a luta da competição e da competitividade no exercício da sua grandeza, independência e soberania.
Não consigo enxergar outro caminho na atual conjuntura e nos prognósticos disponíveis para o futuro próximo.
Cabe ao governo, cabe àqueles que outorgamos autoridade, exercerem com probidade suas atribuições legais e promoverem as tempestivas medidas impulsionadoras do progresso e do desenvolvimento nacional, eles são responsáveis pela produção e organização das Políticas Públicas compromissadas com o destino do Brasil, ao invés de asfixiarem os empreendedores com políticas inadequadas e suicidas, devem sim e sem perda de tempo, contribuírem para o bem comum e para proporcionarem condições do país alcançar o merecido lugar que já deveria estar ocupando no concerto das nações “ditas desenvolvidas”.
Cabe a eles em princípio, e à Sociedade como um todo, prestigiarem a sua tecnologia e a sua Engenharia, prestigiarem os profissionais que projetam e constroem o futuro, até mesmo por necessidade de altiva e segura sobrevivência como Nação Livre.










