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Nassif ESCULHAMBA Schwartsman: A volta do professor de Deus
Posted By Imprensa On 10 janeiro, 2008 @ 11:59 pm In Conjuntura,Política Econômica | No Comments
Blog do Nassif [1]
Não há limites para o contorcionismo econômico, depois de se ler o “professor de Deus”.
Confira a última pérola dele.
O incrível contorcionista econômico
ALEXANDRE SCHWARTSMAN
Não é verdade que o crescimento ocorreu apesar da taxa de juros; ele resultou da taxa de juros
QUANTO VALE uma ação? Deixando de lado a resposta cínica (“vale o que alguém estiver disposto a pagar por ela”), considere o seguinte. Uma alternativa de investimento à ação é um título público que paga certa taxa de juros ao longo de dado período. Caso a ação e o título público sejam igualmente arriscados, a única justificativa para alguém comprar tal ação seria esperar que seu retorno, dado pelo fluxo de lucros a que tem direito, equivalesse, no mínimo, àquele que se pode obter do título público.
A ação é, porém, mais arriscada que o título público. Enquanto este paga um fluxo conhecido de juros e ao final da sua vida (espera-se) retorna o capital ao investidor, os fluxos de lucro de uma ação são incertos e, em geral, a ação não é resgatada pelo seu emissor original. Para obter seu capital de volta, o investidor precisa vendê-la no mercado, processo também sujeito a riscos.
Sendo assim, é natural que o retorno da ação, ainda que balizado pela taxa de juros, tenha que ser superior a esta. Dessa forma, o preço da ação é aquele que, dada a expectativa de lucros futuros, gera um retorno equivalente à taxa de juros mais o prêmio de risco.
Bê a bá de investimento
Vale notar que o raciocínio descrito acima também explica a decisão de investimento de uma empresa. Um projeto só será realizado caso seu retorno equivalha à taxa de juros devidamente corrigida pelo risco. Tal semelhança, aliás, sugere que as decisões de compra de ações e investimento empresarial estejam intimamente ligadas, como realmente estão. Uma empresa contemplando um programa de expansão escolhe entre comprar outra empresa ou criar ela própria a capacidade adicional por meio de investimento. Assim, quando os preços das ações sobem, o investimento se torna a alternativa mais interessante e vice-versa.
Olha só o contorcionismo. Ele pega uma situação – de uma empresa adquirir outra ou investir em uma nova – e torna o ponto central de investimentos. Se a ação da outra está cara, melhor investir em uma empresa nova. Não lhe ocorre que a taxa de juros básica também baliza o investimento em novas instalações. Ou seja, se a taxa esperada é menor do que a obtida em renda fixa, o investimento será adiado. Não lhe ocorre que, se a ação está cara é porque o mercado está aquecido. Se está aquecido, há um encarecimento do investimento, pelo aumento da demanda por equipamentos. O gênio analisou uma decisão micro-econômica e não mostrou sua abrangência. O exemplo serve para quantas empresas? Responde por qual percentual dos novos investimentos? É campeão!
Caso algum leitor tenha sobrevivido aos parágrafos iniciais, deve estar se perguntando onde quero chegar.
Momento! Deixe-me refazer do estado de choque.
A resposta é simples. Não faltou quem, no início de 2007, augurasse um ano de crescimento medíocre, com direito a pragas bíblicas e o sucateamento da indústria nacional devidos às taxas de juros. Agora, com o forte crescimento do PIB e do investimento, os mesmos que se enganaram tentam justificar seu erro perpetrando novas formas de contorcionismo econômico.
Uma delas sugere que o setor privado teria “contornado” a taxa de juros doméstica pela emissão de ações ou debêntures e assim obtido o capital mais barato para financiar sua expansão. No entanto, não é difícil concluir que tal explicação não faz nenhum sentido, pois, à luz do exposto acima, o custo do capital está irremediavelmente atrelado à taxa de juros, isto é, a tese não é consistente com o bê-á-bá da teoria financeira.
Se tenho uma taxa de juros elevada agora e uma perspectiva de queda dos juros mais à frente, arrisco numa debênture que, rendendo menos do que os juros agora, poderá render mais do que os juros no futuro. O fator tempo não entra nas análises do professor de Deus, talvez porque seu discípulo seja intemporal.
De fato serve apenas para tentar ocultar o erro das cassandras desenvolvimentistas, mas não evita uma conclusão simples: no Brasil, taxas de juros que levariam outros países a depressões épicas são consistentes com um ritmo acelerado de expansão da demanda doméstica, o que justifica a cautela com que o BC conduziu o processo de redução da taxa de juros. Em outras palavras, não é verdade que o crescimento ocorreu apesar da taxa de juros; ele resultou da taxa de juros.
Fantástico! Quinze anos com a mais baixas taxas de crescimento da história e as mais altas taxas de juros, e sua conclusão é que o crescimento do último ano (impulsionado pelo crescimento da economia mundial, e abaixo do crescimento médio dos emergentes) foi empurrado pelas altas taxas de juros
Ignorar esse fenômeno pode ser cômodo, mas, como vimos, só produz má análise econômica.
Meus Deus do céu! São Sérgio Werlang, São Dionísio Dias Carneiro, São Paulo Tenani, venham salvar o pensamento mercadista de tal defensor. Ele é um desenvolvimentista infiltrado nas suas hostes.
PS: Havia prometido, desde meu último artigo, pegar mais leve com os desenvolvimentistas, mas -a exemplo de outros- a obrigação só valia para 2007.
Os desenvolvimentistas agradecem. Com um adversário desses, quem precisa de aliados?
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[3] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/
[4] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/
[5] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/
[6] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/
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