Mídia trata MANGABEIRA, professor em Harvard, como um DESMIOLADO. Faz sentido, ou é um factóide como a “epidemia” de febre amarela?
Escrito por Imprensa, postado em 18 dEurope/London janeiro dEurope/London 2008
Amazônia real atropela idéias de Mangabeira
Ele planejava um aqueduto a partir do Norte para abastecer o Nordeste e descobriu que só em Manaus há 700 mil pessoas sem água encanada
O secretário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, ouviu ontem (18/1), numa mesa-redonda com especialistas, em Manaus, que pouco adianta ter idéias criativas e ousadas – como a de um aqueduto para levar água ao Nordeste -, se problemas básicos da região ainda não foram resolvidos.
O governador Eduardo Braga (PMDB), por exemplo, pediu-lhe “pelo amor de Deus” que ajude a decidir uma polêmica que se arrasta há cinco anos, em Brasília, para fazer funcionar o Centro de Biotecnologia da Amazônia.
“Ao chegar a Brasília, pelo amor de Deus, ajude a acabar com essa pendência que já dura mais de cinco anos e deixa o CBA paralisado por falta de uma cara jurídica”, disse o governador. Criado no governo Fernando Henrique, o CBA é disputado pelos Ministérios de Indústria e Comércio e de Ciência e Tecnologia.
Sobre a construção de um aqueduto para o Nordeste, o secretário surpreendeu-se ao saber que só em Manaus há 700 mil pessoas sem água encanada. “É um paradoxo faltar água para os habitantes da Amazônia, com toda a abundância dos rios. Primeiro precisamos providenciar que os habitantes da região possam usar essa água”, admitiu o ministro.
Diante do ceticismo de alguns presentes – entre eles o senador Jefferson Péres (PDT-AM) -, o ministro tentou vender confiança. “O que queremos é um contato mais estreito. Vamos nos reunir de novo, muitas vezes. E quanto às sugestões, é melhor ser ousado do que ficar na mesmice”, afirmou o secretário – que antes de integrar o governo Lula o classificou de “o mais corrupto da história”.
Mangabeira mais ouviu do que falou. Uma das queixas dos amazonenses foi de que o governo federal entra com apenas 5% das verbas para ciência e tecnologia. “E há também um pedido para que, em vez de investir na BR-319, para ligar Manaus a Porto Velho, se construa uma ferrovia”, disse o secretário estadual de Meio Ambiente, Virgílio Viana. “Aquela área toda é de várzeas e a manutenção de uma estrada seria caríssima. A ferrovia faz mais sentido.”
‘Inviável’
A idéia de construir um aqueduto para levar água do Amazonas ao Nordeste foi duramente criticada por especialistas. Segundo o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Apolo Heringer Lisboa, que estuda a transposição do Rio São Francisco há oito anos, a proposta “é ambientalmente absurda, economicamente inviável e tecnicamente impossível”.
Lisboa afirmou ainda que não há “a mínima necessidade” de tal providência. “O semi-árido já tem água, o que falta é melhorar a distribuição”, explica. Até o momento, não há coordenação entre o Projeto Amazônia e o Ministério do Meio Ambiente. Luciano Zica, secretário de Recursos Hídricos do ministério, disse ter tomado conhecimento das propostas pela imprensa. “Nós não fomos ouvidos. Agora precisamos analisar o caso.” (Gabriel Manzano Filho, para O Estado de SP, 18/1)
Mangabeira Unger nega ter plano para construir aqueduto
Na penúltima etapa de sua viagem à Amazônia, o ministro Roberto Mangabeira Unger (Longo Prazo) negou ontem (17/1), em Manaus, que sua pasta tenha algum plano relacionado à transposição de águas da região para o semi-árido nordestino. Ele disse que a idéia de um aqueduto foi um “erro de interpretação” da imprensa.
“Esses mal-entendidos resultam da tentação de pinçar um tema fora do seu contexto”, disse Mangabeira Unger, em referência a um texto de dez páginas de sua autoria que foi lançado durante a primeira etapa da viagem, em Belém (PA).
Isso não impede, em sua opinião, a busca pelo transporte de água entre regiões distintas a um custo acessível. “Mas isso apenas no futuro, com tecnologia a ser desenvolvida.” (Folha de SP, 18/1)
Em Manaus, Mangabeira ouve críticas ao governo
No terceiro dia de sua viagem pela Amazônia, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, defendeu com afinco suas propostas de longo prazo para o desenvolvimento sustentável da floresta e, desta vez, recebeu a solidariedade do ministro da Cultura, Gilberto Gil, que reforçou a comitiva.
Mangabeira, porém, passou boa parte do tempo ouvindo uma chuva de apelos e algumas críticas de empresários, autoridades locais, cientistas, e até de um general do Exército pela falta de atenção do governo com problemas que emperram o desenvolvimento da região amazônica – entraves que não necessariamente diziam respeito à sua pasta.
O muro das lamentações foi inaugurado pelo governador do Amazonas, Eduardo Braga, aliado do presidente Lula. Num debate com a comunidade científica, ele elogiou a iniciativa da caravana capitaneada pelo ministro, mas pediu investimentos de médio prazo em infra-estrutura (de energia e transportes) e educação; incentivos fiscais; e a resolução de amarras à economia do estado.
Após a reunião, Braga citou como exemplo uma briga que diz estar travando com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que, segundo ele, impede a Delta Airlines de criar um vôo diário ligando Xangai, Atlanta e Manaus.
” A China hoje é o segundo país que nos dá mais visitantes. Sabe o querepresenta resolver esse pequeno problema? Antes de grandes projetos, precisamos resolver questões práticas ” reclamou o governador.
Outros participantes do debate foram menos diplomáticos, como o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, Odenildo Teixeira Sena, que reclamou da falta de propostas realistas.
” Tudo o que foi dito casa com o que gostamos de ouvir, mas é recorrente. Mas há muita hipocrisia nesse discurso, muito marketing em cima da Amazônia. É preciso transformar isso em projetos”.
Mangabeira ouviu em silêncio.
Quando teve a palavra, defendeu o documento em que apresentou planos polêmicos como a exploração controlada da floresta, o desenvolvimento das comunidades indígenas e a construção de um aqueduto para levar água da Amazônia para o semi-árido nordestino: ” Ao divulgar o documento, fiz uma opção: preferi ser imprudente do que ser evasivo. Nenhuma idéia é tão radical que deva ser desconsiderada”.
Mas coube a Gil uma defesa mais enfática das propostas de longo prazo. Perguntado se a Amazônia tem tempo para esperar tanto, respondeu, exaltado: ” Só tem. Ações de curto prazo representam mais depredação”.
Polêmicas à parte, os encontros feitos por Mangabeira foram, na maior parte do tempo, descontraídos. Até na hora das reclamações. O general Ítalo Avelino, gestor do orçamento do Exército na Amazônia, arrancou risos da platéia ao fazer seu protesto contra a burocracia que atrasa a liberação de recursos: ” Como gestor de orçamento, sempre digo: se eu tiver que ser penalizado, que eu seja preso, porque multa não tenho como pagar”.
O clima pesou quando a deputada Vanessa Graziottin (PCdoBAM) lamentou a ausência dos ministros Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Marina Silva (Meio Ambiente), que haviam confirmado presença, mas faltaram. Geddel, que está de férias, divulgou nota dizendo que enviou representantes. (Alan Gripp, para O Globo, 18/1)
Mente fértil
Leia a íntegra do editorial da “Folha de SP”:
Um deserto de homens e idéias: por muito tempo, o Brasil foi visto desse modo, aliás injustamente. Seja como for, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, parece mais do que nunca disposto a ocupar esse deserto por conta própria.
Desembarcou na Amazônia nesta terça-feira (15/1), fumegando de propostas para a região. Impostos, educandários e aquedutos brotavam da sua mente fértil.
Por que não um aqueduto? Por que não vários? Transamazônicas líqüidas, velozes, atravessavam as visões do ministro. Desembocariam no árido Nordeste. A teoria ungeriana é clara, límpida, desconcertante. “Numa região, sobra água, inutilmente. Na outra região, falta água, calamitosamente.”
Diante do torrencial igualitarismo do projeto, até a dispendiosa e polêmica transposição do rio São Francisco parece modesta. O que faria seu adversário mais célebre, frei Luiz Flávio Cappio, se confrontado com o portentoso mangabeiroduto?
Houve quem considerasse sua greve de fome um ato comparável aos de um profeta do Antigo Testamento. Talvez ao religioso só restasse prosternar-se, contrito, diante das inspirações superiores de Mangabeira, ao mesmo tempo Moisés e faraó, Netuno e Curupira.
A ministra do Meio Ambiente guarda silêncio. A prefeita de Santarém lembra que antes dos aquedutos seria interessante prover de água encanada os domicílios da região.
Nosso Doutor Fantástico viajou em companhia de 35 assessores. O desperdício da missão só é menor do que o desperdício dos neurônios, certamente preciosos, do professor da Universidade Harvard.
(Folha de SP, 18/1)
Baboseiras amazônicas
Leia o editorial do “Estado de SP”:
Depois do longo período de silêncio que se seguira à sua posse na Sealopra (sigla que consagrou o nome da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo) que selou sua reconciliação com o governo que classificara como “o mais corrupto da história da República”, o ministro Roberto Mangabeira Unger mostrou, finalmente, em que se concentravam seus profundos estudos, pesquisas e reflexões sobre o futuro do País.
Convencido de que “transformando a Amazônia, o Brasil se transformará”, sem explicar no que deseja que o Brasil “se transforme”, o ministro do futuro organizou uma expedição à região, de 35 pessoas, entre assessores, parlamentares e empresários com a missão de, em quatro dias, convencer os governos locais da importância e da viabilidade do seu criativíssimo projeto de transposição de água da Amazônia para o Nordeste.
É que os estudos e pesquisas do ministro levaram-no à surpreendente e inovadora conclusão de que “numa região sobra água inutilmente e na outra falta água calamitosamente”. Parece inacreditável que ninguém antes tenha feito tal raciocínio lapidar!
É verdade que na década de 1970 o futurólogo norte-americano Herman Khan, famoso por suas previsões e propostas, mais ambicioso do que Unger, já tinha sugerido a interligação das bacias hidrográficas da Amazônia e do Prata, por meio da criação de lagos na região do Xingu, que seriam abertos pela explosão de duas ou três bombas atômicas.
Afinal de contas, o berço esplêndido brasileiro tem certos defeitos congênitos de distribuição da água dos rios ” mas nada que a hodierna tecnologia não possa resolver”.. Mas o professor Unger é mais conservador. Vai buscar, para compatibilizar a abundância amazônica com a carência nordestina, o sistema preferencial de manipulação hídrica dos antigos romanos, ou seja, o velho aqueduto.
Assim, propõe ele que seja construído um grande aqueduto entre a Amazônia e o Nordeste, para que se resolva, ad perpetuum, o problema da seca nordestina.
Talvez a “água que sobra inutilmente” na Amazônia, pelo seu excesso de volume, fosse melhor aproveitada, sem risco de drenagem daquela área, se o ministro Mangabeira Unger aceitasse o conselho da prefeita de Santarém, a quem expôs o seu plano.
Para dona Maria do Carmo Lima, eleita pelo PT, “antes é necessário que se cuide bem da água da Amazônia para o povo amazônico. Vivemos às margens dos maiores rios e não temos água dentro de casa”. Em outras palavras, para quem conhece a Amazônia, lá o problema da inutilidade das águas abundantes se resolve com encanamentos e não com aquedutos.
Mas em sua expedição, acompanhado de comitiva de 35 pessoas ( com a notória ausência da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que alegou razões de ordem pessoal para não ter de ouvir explanações tão relevantes sobre o “desenvolvimento sustentável” da região amazônica ), o ministro Unger também navegou por outras águas, anunciando outras idéias brotadas de sua Secretaria, tais como a tributação especial da mineração (no que se harmoniza com a diretriz governamental de aumentar impostos) e a adoção do ensino de uma segunda língua para todos os índios (talvez por ter chegado à conclusão de que é a condição de monoglotas que tem dificultado sua sobrevivência).
Com essa expedição, o ministro confirmou que a Sealopra é um órgão do governo, custeado, é claro, com dinheiro dos contribuintes, em que se produzem idéias mirabolantes sem qualquer preocupação com sua utilidade, viabilidade e custo.
Não foi sem razão que, comentando o Aqueduto Unger, o diretor da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, lembrou que falta água no deserto do Saara e sobra no Canadá – e indaga por que, em vez de levar água da Amazônia para o Nordeste, não se a capta direto da Antártida.
O problema é que inventar enormidades não custa nada a quem as inventa, mas custa ao contribuinte, que é quem paga as equipes alocadas para o estudo e a discussão de idéias ridículas (para dizer o mínimo), transformando-se em financiador de baboseiras. Baboseiras como essa e como as do subordinado de Unger, Marcio Pochmann, presidente do Ipea, que quer resolver o problema do desemprego propondo 3 horas por dia de trabalho.
Seria gozação, se não fosse desaforo.
(O Estado de SP, 18/1)











19 dEurope/London janeiro, 2008 as 1:17 am
Mandar foguete pra lua? Pra quê se o São Jorge já está lá dando conta do dragão!!!! Criar um meio mais pesado que o ar de voar? Impossível, inviável e quem é que ia querer voar se fosse possível? Os trens não podem ultrapassar os 40 km por hora pois o excesso de ar ao entrar nos pulmôes sufocaria o homem!!! Navegar pelo Atlântico é muito perigoso, podemos cair fora do mundo se conseguirmos chegar até lá!!! As doenças seriam provocadas por organismos microscópicos… esse Pasteur é um pândego!!!! Dividir átomo? Que bobagem!!!!!!!1
Os jornais estão sempre cheios de razão e meter o pau é muito mais fácil que analisar, notícias negativas e depreciativas chamam a atenção e vendem jornal, o Mangabeira não teve o traquejo para avaliar que estavam apenas esperando que ele falasse qualquer coisa para serem contra. PT nas redações…
Se algum estudioso já fez calculos e estudos consitentes provando que a idéia é idiota e impossível, então que apresente pois o Mangabeira com certeza não é idiota e vai saber avaliar, mas classificar a idéia como sandice a priori só porque veio dele, é no mínimo desonesto.
Correm o risco de fazer como vários que criticaram os CIEPS do Brizola porque estavam com inveja de não ter pensado nisso antes, e depois criaram CIACS, CAICS e outras imitações, quando não implantaram simplesmente a escola de tempo integral que é a essencia do projeto dos CIEPS.
Haja paciência!!!!!!!!